O PESO DO ESQUECIMENTO // The weight of oblivion – por Luciana Moraes

 

White-autumn, by Mariam-Sitchinava

O peso do esquecimento

I.

A flor é beijada pela peste.

Como uma palavra primitiva

do português, o triunfo da

civilização é /pequeno/

é a soma das patas quebradas

de um colibri, morto pela

espingarda de ontem. Continuar a ler “O PESO DO ESQUECIMENTO // The weight of oblivion – por Luciana Moraes”

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UMA NUANCE NAS NÓDOAS – por Lucio Valium

The Door To The Clouds” by Christian Schloe

UMA NUANCE NAS NÓDOAS

PELE

eu procuro a luz senhora.
uma luz de pele nua.
viva.
em abandono.
uma eternidade fêmea
e o suave rosnar das peles.
música arrepiante
engolindo lentamente o abismo.
eu procuro a luz de fogo.
negro como uma ideia livre.
e o licor demencial.
a doçura aterradora dos corpos.
serpenteiam entre si como águas gélidas
nas rochas quentes.
eu procuro a luz senhora.
uma luz de gato. noctívaga.
luz de vinho. sanguínea.
sem rédea.
e solar.
vejo-a por vezes na madeira da mesa
inundada pelo sol gato.
errante. solitário. altivo.
como os que denunciam a morte da vida.
com seus corações felinos.
essa luz foge para a lua
e vem queimar-nos a pele.
deitados na cama no tempo.
beijando línguas
amando a espiral.
assim voamos nas inebriantes
partituras.
não tendo ouro como lei.
a senhora sabe de luz.
a sua pele é o lugar
onde o gato a encontra.

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DAS RAÇAS DAS DESGRAÇAS – por M. H. Restivo

As desgraças, quando não sentidas na própria pele, muito agradam aos homens, o que as torna em assunto fecundo para as mais variadas histórias. A história que aqui vos trago é a de Isabel, uma história com desgraças, como qualquer boa história, conseguida a expensas do muito que sofreu. É importante, porém, não esquecer que convém manter a desgraça a uma saudável distância do coração. Não se quer que o verdadeiro peso do sofrimento do mundo invada o nosso íntimo, que isso seria mais trágico do que qualquer tragédia, quer-se, antes, que o leitor sinta com a razão, com a mesma razão abstrata que está na origem das coisas do mundo. Com aquela razão, que não é a razão dos homens, que transforma a morte num bem necessário à vida e que faz
do sofrimento a mais eficiente das estratégias de sobrevivência. Que a morte e a dor, ainda que por demais penosas para os indivíduos, são um bem quando vistas através dos olhos do mundo e nós não somos mais do que matéria fugaz no grande carrossel da natureza. Se na vida, tal distanciamento não nos é possível, aproveitemos as histórias para treinar o nosso olhar sobre um ser que, na luta contra a morte e contra o sofrimento, acaba sempre por lhes sucumbir, cumprindo assim os desígnios mais altos da sua natureza. Continuar a ler “DAS RAÇAS DAS DESGRAÇAS – por M. H. Restivo”

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VINHO FINO PARA OS REIS MAGOS – por Manuel Igreja Cardoso

Conto de Natal

VINHO FINO PARA OS REIS MAGOS

Acabada a escola primária, com passagem no exame da quarta classe com distinção, havia que sair da aldeia para continuação dos estudos. Não era para todos, aliás era a exceção, mas uns tios residentes no Porto abriram-lhe as portas e acolheram-no como a um filho. Evitou assim a ida para o seminário, ou o continuar nos árduos trabalhos da lavoura. Continuar a ler “VINHO FINO PARA OS REIS MAGOS – por Manuel Igreja Cardoso”

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O MITO DA POLUIÇÃO DOS AUTOMÓVEIS ELÉTRICOS- por Ricardo Amorim Pereira

 

A desmistificação do mito da poluição dos automóveis elétricos

Nesta prestigiada Revista tenho vindo a discorrer sobre vários assuntos relacionados com a matéria ambiental. Hoje, irei abordar a questão dos automóveis elétricos, debruçando-me sobre a confusão que por aí paira a respeito da poluição gerada por esse tipo de veículos. Motivadas pelo preconceito, simples ignorância, ou, quem sabe, pelo lóbi do petróleo, persistentemente, com efeito, vão surgindo notícias referindo que esse tipo de automóveis polui mais do que aqueles a combustão. Como em todas as lendas, há um fundo de verdade nestas afirmações. Continuar a ler “O MITO DA POLUIÇÃO DOS AUTOMÓVEIS ELÉTRICOS- por Ricardo Amorim Pereira”

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A INCRÍVEL HISTÓRIA DE MARÍA JUANA PILLAR DE LA CRUZ – (CAP. IV, V, VI )- por Wander Lourenço

IV

SOLAR DE MADAME SOPHIE

DIGO-VOS QUE DE NADA ADIANTOU ajuizá-lo sobre a preocupação que me ocorrera diante da temeridade de se denunciar a figura mais respeitável da Corte de São Sebastião do Rio de Janeiro, pois que, entre o juramento de inocência de uma reles ciganita Juana, mal parida por uma marafona de alcoice, a desaparecida Maria Egípcia, mais validade houvera de ter a acusação de adultério descabida, forjada pela maledicente Dona Carlota Joaquina. Logo, humilhada pela acusação de deslealdade conjugal, o senhor meu esposo Assir Lubbos me devolveu ao escravagista Manolo Negreiro, que me comerciou, a bom preço, ao conselheiro Manoel Vieira da Silva; e, por fim, o Fidalgo da Casa Real de D. João VI me entregou aos cuidados da cafetina francesa de nomeada Sofia Beaurepaire-Rohan, a Madame Sophie. Continuar a ler “A INCRÍVEL HISTÓRIA DE MARÍA JUANA PILLAR DE LA CRUZ – (CAP. IV, V, VI )- por Wander Lourenço”

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LEIA A EDIÇÃO Nº 25

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EDITORIAL – O CORPO E O ESPÍRITO – por M. H. Restivo

© Pixabay

Conto do vigário, sem séria burla à mistura, sobre a existência e o seu contrário

O corpo é a nossa primeira e última realidade. Tendo todos direito à sua opinião como à sua religião, acreditamos que só há espírito porque há corpo e, por isso, se se vai o corpo, vai-se também o espírito. O espírito é o corolário desta realidade complexa a que chamamos corpo, segue-se dele, no princípio e no fim. Continuar a ler “EDITORIAL – O CORPO E O ESPÍRITO – por M. H. Restivo”

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POEMAS INÉDITOS – de Carlos Barbarito

Obra de Ricardo Navarro// Fotografada por Charlie Soto

Invisible pero, como todos…

Invisible pero, como todos, pesado y numerado.
El calor del sol me quema, tal vez, un poco más
y ante mis ojos se extiende un desierto
por el que erran desaladas criaturas.

Continuar a ler “POEMAS INÉDITOS – de Carlos Barbarito”

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RESEÑA DE “SÉ UN POEMA”de LORENA RIOSECO – por Claudia Vila Molina

Reseña al libro

Sé un poema”
de la poeta chilena Lorena Rioseco,
por
Claudia Vila Molina

Leer los poemas de Lorena en su poemario Se un poema implica dejarse llevar por una voz muy sabia, por idiomas ancestrales que recorren los tiempos, las estaciones y los cursos de los ríos de este gran mar, que es la vida y también la poesía. Después de leer cada poema; uno queda con un mensaje muy profundo, circulando en nuestros oídos y nuestra mente. Si bien son poemas sencillos, pero no por eso menos brillantes, según su autora, de quien guardo mucho cariño, su verdadera voz aflora más en la línea narrativa. Yo tengo mi propia opinión después de leer su poemario Se un poema, creo que debe retomar también su línea poética y seguir mirando la vida con esos ojos que encuentran nuevos descubrimientos en cada paso dado: “Así como los instantes/ en que el peso del silencio lo cubre todo/ incluso los sentimientos” (Sé un poema 18), “Me perderé como se pierden/ esas noches de insomnio” ( Me perderé 42), “Meteoritos color rubí/Simulando la borra de Dios/ Queriendo decir a los aires/ Que el aire me falta/ Que me falta un último trago de un gran Syrah (…)” ( Por un Syrah 52).     Continuar a ler “RESEÑA DE “SÉ UN POEMA”de LORENA RIOSECO – por Claudia Vila Molina”

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UMA CRÓNICA PUNK- por Cassiano Russo

Cassiano Russo

Tenho que pagar os meus pecados literários todos os dias, pois basta um dia de distração para que eu sofra na hora de escrever. Eis o motivo pelo qual escrevo diariamente, afinal sou um pecador das Letras, aquele que se atreve a fazer literatura, como se me fosse lícito se atrever à arte da escrita. Continuar a ler “UMA CRÓNICA PUNK- por Cassiano Russo”

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O INAUDITO – por Cecilia Barreira

 

O INAUDITO

(Sonhar

sonhar

sonhar

sonhar)

-Já não respiro

sufoco

não quero falar-

 

-Pões o lenço no decote  e em pano de fundo

fecho as mãos numa epístola

as borboletas nascem episódicas- Continuar a ler “O INAUDITO – por Cecilia Barreira”

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RomAnita – por Danyel Guerra

Anita Ekberg

 

“Quando os jornalistas mencionavam La Dolce Vita,  eu
                             respondia, direto, Anita Ekberg…”
   Federico Fellini

     UMA NINFA MUITO FELLINA   

Certa noite, alguém importunou a Srª D. Kerstin Anita Marianne Ekberg indagando quantos homens ela já tivera. A deusa escandinava ouviu, suspirou e não podia ter sido mais sibilina. “Você quer dizer quantos homens, além dos meus?!” Continuar a ler “RomAnita – por Danyel Guerra”

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TRÊS POEMAS – de Douglas Laurindo

O limiar das fendas

e como eu caminhasse
por aqueles pátios líquidos
de violência falada,
algo inesperado se via:

a fenda é o espaço
estreito no qual o fio
morte e vida termina. Continuar a ler “TRÊS POEMAS – de Douglas Laurindo”

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O ENVELHECIMENTO – por Fernando Martinho Guimarães

O envelhecimento, digo eu, é um privilégio que apenas a idade pode dar.

Nesta afirmação, muito a la palisse, conceda-se, recolhe-se o que a tradição atribui aos que, tendo a experiência da vida, sabem dela o que os ainda novos não podem saber. Continuar a ler “O ENVELHECIMENTO – por Fernando Martinho Guimarães”

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22 de abril de 1972 – por Francisco Fuchs

22 de abril de 1972

 

Para Alípio Ramos

Todo flamenguista, ainda que tenha nascido muito tempo depois, conhece de cor o melhor time que já defendeu as cores do clube. Depois de enfrentar uma fieira de carnificinas na campanha épica da Copa Libertadores da América de 1981, Zico e sua talentosa companhia foram campeões mundiais. No entanto, e apesar das conquistas notáveis em anos recentes, a lembrança que mais aquece meu coração é a de um remoto e bem menos importante título regional, a Taça Guanabara de 1972. Era uma época em que o rádio era onipresente nas partidas de futebol, tanto para aqueles que não assistiam aos jogos quanto para aqueles que compareciam aos estádios colando ao ouvido seus aparelhos portáteis: pois se as movimentações dos jogadores no gramado constituíam, para os espectadores, a corporeidade visível da disputa, eram as vozes dos narradores e comentaristas que modulavam sua alma. Continuar a ler “22 de abril de 1972 – por Francisco Fuchs”

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AS RUAS DE POMPEIA – por Francisco da Rocha

 

In memoriam omnium Pompeianorum plebis
perierunt anno LXXIX A.D.
Pompeii, Aestate MMXXI.

Num meio-dia escaldante de Verão,
Perambulávamos pelas ruas desertas de Pompeia
Espiávamos pelas janelas abertas das casas e vilas destelhadas,
Hipnotizados pelos objectos carbonizados e mudas, petrificadas estátuas humanas,
Pestanas semicerradas contra os raios solares omnipresentes
Que pareciam envolver as testemunhas do Passado numa luz ofuscante,
Impressionados diante dos templos vazios, em silêncio pensante,
Ansiosos por ouvir os ecos das orações nunca atendidas,
Pedidos e suplícios dos adoradores de numes há muito extintos. Continuar a ler “AS RUAS DE POMPEIA – por Francisco da Rocha”

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POEMAS – de Henrique Miguel Carvalho

 

BIBLIOTECA

demasiadas
                palavras,
um supérfluo
de frases
                empilhadas
                por toda a parte

em colunas
                 de equilíbrio,
atravancando
a casa
                 de mofo
                 e cheiro a papel Continuar a ler “POEMAS – de Henrique Miguel Carvalho”

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POEMINHOS (71-80) – por Jaime Vaz Brasil

71.

Primeiro amor
é um efeito represa:

arrebatador
porque se ama
       o amor. Continuar a ler “POEMINHOS (71-80) – por Jaime Vaz Brasil”

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O QUE SOMOS – por Joana Rebelo

 

Entre processos e percursos.
Da modernidade à atualidade

Da modernidade desde Descartes (1596-1650) conhece-se uma filosofia do sujeito, “penso, logo existo”, o “homem medida”, que tem a sua origem no racionalismo grego, nos sofistas, pois Protágoras, um dos seus elementos mais proeminentes, fixou na mudança de paradigma da natureza para o homem que este “é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são.” Seguiu-se também a famosa máxima atribuída a Sócrates (mesmo que não lhe pertença): “conhece-te a ti mesmo”, desígnio que a longa Idade Média interrompeu com a submissão do poder da razão para os dogmas de deus. O entendimento da natureza e do homem no seu seio é, por isso, de novo, modificado. Antes dos sofistas, era a physis, a substância física da qual todas as coisas eram feitas, que se impunha como princípio organizador da estrutura das coisas, percurso iniciado por Tales de Mileto, que caracteriza o designado pensamento pré-socrático. Continuar a ler “O QUE SOMOS – por Joana Rebelo”

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UM ROMANCE NAS NÓDOAS DA MISÉRIA (7) – por Lucio Valium

 

RUA

Saí da hospedaria para a cidade. Sufocante e doida na ânsia de tempos dóceis. Mimos e negócios sempre de mãos dadas. Ia com a cabeça a latejar por via de álcoois nocturnos. Deram-me o dia na instituição e não sabiam que ele já era meu. Para não adoecer rasgo as receitas. Encontrei folhas escritas sobre uma certa rixa entre o senhor Pacheco e o senhor Mário. Delicados safados com lábio de ponta e mola. Depois falei com uma menina de olhos pintados a forte traço negro. Aprendiz de joalheira. Fará um dia ornamentos para viperinos figurantes.

O rapaz que me vendeu os cadernos de crítica musical disse que vão fazer uma instalação sonora no Grande Mercado. Sons e sardinhas. Ritmos e malaguetas. Electrónica e azeitonas. Sónicas broas e alfaces psicadélicas.

Andei pelas ruas com desinteresse. Sem linhas prévias. Não tinha onde ir. Não vi nada. Só ir. Por terrenos inabituais.

Mais tarde detive-me olhando grandes telhados de veludo e línguas de deserto ferrugento. Vidros partidos de janelas da história. Arquivos de pó fantasma. Continuar a ler “UM ROMANCE NAS NÓDOAS DA MISÉRIA (7) – por Lucio Valium”

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DE VINHO E DO VINHO – por Manuel Igreja Cardoso

                                                                 Mural de V. N. Gaia/foto by JuliaML

DE VINHO E DO VINHO

Numa primeira impressão, pode parecer quase são a mesma coisa o que se refere no título, mas não. Nem de perto. Duas simples letras alteram em absoluto o que se quer dizer ou identificar. O diabo está nos pormenores como se costuma dizer.   Continuar a ler “DE VINHO E DO VINHO – por Manuel Igreja Cardoso”

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TRÊS POEMAS – de Marcelo Torres

ser

pode o ser nas tradições orais ir além das estruturas
feito um pássaro cortês da diversidade,
              ser um animal aqui perto do coração,
não podemos ir adiante enquanto os gigantes mamíferos
             são destruídos em alto mar
                          como conchas pisoteadas por estátuas,
continuar a mimese é o que chamo de obsceno,
os homens predadores sorriem junto com a morte
sem vontade para o debate ecológico,
seguem a lógica de conquistar territórios, de touros de ouro
na Faria Lima sem sonhos,
à medida que ando, o urbano me fere na vesícula
               que reproduz em 3d a fome sem enfeite
ontem encontrei uma garota/totem,
procurava um guia com jipe, para ir na direção das cavernas

(Poema do livro: Infernos Fluviais e por que nunca conversamos sobre Nick Cave?. Editora Clóe, 2023) Continuar a ler “TRÊS POEMAS – de Marcelo Torres”

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A MADRUGADA A DOER – de Maria Gomes

Art © Roberto de Mitri

 

A madrugada a doer, a doer-me muito.
Na memória que guarda o teu nome
este cantar lúcido das águas.
Tu és belo como esse canto, esse perfeito tiro ao alvo
ao fundo da noite
perfurando as fogueiras adormecidas.
Que segredo se oculta, em esplendor, onde teu corpo habita?
Quem te nomeia nesse mar tão branco?
O que amas?
A orla do rio, ou a raiz deserta?
A madrugada a doer, a doer-me muito.

♦♦♦

Maria Gomes nasceu em Benguela, República de Angola, em 1958. Foi professora de artes visuais e trabalhou em contabilidade após a independência daquele país. Vive em Coimbra. Tem poemas publicados no Jornal de Angola, nas antologias de Poesia 1 e 2 ” Escritas” sob a edição do poeta José Félix, em outras revistas de literatura na web, e na revista de Poesia de Tradução Di Versos nº 8 de Edições Sempre-em-Pé. Participou no poema ” O Estado do Mundo”, poema criado no ciber espaço, no âmbito de Coimbra, Capital Nacional da Cultura 2003, a editar brevemente em livro, e participou na II e III Bienal de Poesia em Silves, em Abril de 2005 e de 2008.

 

 

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ENTRE A LUZ E O CREPÚSCULO – de Maria João Oliveira

LUZ NO CAMINHO

Escutas o silêncio
Para não perderes
O murmúrio dos meus lábios
Um silêncio onde respirar
Se torna mais fácil
Uma transparência que mostra
A areia no fundo do rio

És a Fonte onde os pássaros
Bebem e cantam
E no teu rosto, a Luz poisa
Reconhece-te, pertence-te
Como o perfume pertence à flor. Continuar a ler “ENTRE A LUZ E O CREPÚSCULO – de Maria João Oliveira”

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TRÊS POEMAS COM ALGUNS ANOS – de Maria Toscano

 

deste cubículo precário
(a A.M.O.)
.
neste cubículo precário que é o mundo
às vezes falta a brisa. e o ar de tuas mãos.
faltam os olhos de água como sorris
a polpa e a saliva que és, na voz,
a fala feita à passagem dos teus gestos
— de ti: a falta. o encanto e a maravilha.
.
neste precário cubículo que é o mundo
deixas ficar-te em perfume. permaneces.
e é pelos densos poros dos sentidos
que, se não estás, sei o instante
sei o instante em que adormeces.
.
neste precário cubículo que é o mundo
nem tudo falta:
ao viveres-me
és também tu que aconteces.
.
maria toscano.
Coimbra, Café-Pastelaria Tosta Rica. 25 Novembro/ 2003. Continuar a ler “TRÊS POEMAS COM ALGUNS ANOS – de Maria Toscano”

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POEMAS DEL LIBRO “POEMAS A LA INTEMPÉRIE” – de Moisés Cardenas

Sin título

El silencio de la lluvia
abrazó los ojos de este león que soy.
Ocultándome en un libro,
sentí el sol sobre las palabras.
De pronto salieron gritos,
la visualización
de la orquídea esperando nacer,
recuerdos,
viejas historias,
miré mis zapatos desgastados,
la botella de whisky vacía,
un poema de Walt Whitman.
Supe el sabor de la lluvia. Continuar a ler “POEMAS DEL LIBRO “POEMAS A LA INTEMPÉRIE” – de Moisés Cardenas”

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 SANTO UDALRICH – por Rosa Sampaio Torres

   Santo Udalrich

(c. 893 – 4 Jul 973)

       seu contexto genealógico e histórico

A capela de St. Udalrich ainda hoje existente em Avolsheim, Alsácia. Informam fontes locais é “o mais antigo santuário sobrevivente do período carolíngio, pois as investigações arqueológicas realizadas em 1967 permitiram situar a construção desta capela tetra-cônica no século IX”. Continuar a ler ” SANTO UDALRICH – por Rosa Sampaio Torres”

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