IVERMECTINA – A DROGA ASSASSINADA- por Francis Khan

A DROGA ASSASSINADA

A ivermectina na narrativa da Folha de São Paulo

  1. Introdução

O uso da ivermectina no tratamento e prevenção da Covid-19 é um dos capítulos mais controversos na história da pandemia causada pelo vírus Sars-Cov-2. Adotada em alguns países, inclusive na Europa, e rejeitada por muitos outros, prescrita por vários médicos e proscrita por inúmeros outros, objeto de dezenas de pesquisas clínicas consideradas inconclusivas por importantes órgãos públicos de saúde, a ivermectina tem provocado debates acirrados e ações judiciais em várias partes do mundo. O objetivo deste artigo não é oferecer uma resposta a essa polêmica. Tal resposta só pode ser fornecida pela ciência, ou seja, por meio da realização de estudos clínicos, de preferência randomizados e duplo-cegos (ensaios clínicos em dupla ocultação), e de meta-análises realizadas a partir desses e de outros estudos. O propósito deste artigo é outro: (a) analisar a narrativa a respeito do medicamento ivermectina em algumas reportagens publicadas em um importante veículo de imprensa brasileiro, o jornal Folha de São Paulo[i] e (b) verificar, a partir dessa análise, se a referida narrativa fundamenta-se no estado da arte da discussão científica. Continuar a ler “IVERMECTINA – A DROGA ASSASSINADA- por Francis Khan”

HARATINES EP7 – Jonuel Gonçalves

Nota prévia do autor:

“Haratines” é romance em preparação, baseado em contextos e lugares reais, mas os personagens e situações são imaginados por mim. Uma exceção é o texto com sub título “235” – que aqui envio. É acontecimento verídico até nos personagens.

Ultimo trip (desta vez) a Ouidah, Uidá ou Ajudá

João Baptista saiu do hotel em Cotonou e entrou no carro com o professor Da Cruz novamente a caminho de Uidá, às vezes distraído ou traído pelo sub-consciente dizia Ajudá e o professor sempre dizia pensativo “quem sabe não seria preferível a cidade ter dois nomes, como acontece com Anvers-Antwerpen na Bélgica” e lá foram apenas para uma conversa relax com a diretora do museu no velho forte português que Salazar mandou incendiar em 1961 e cujo nome, agora ele sabe, passou para ele próprio João Baptista. Sem nenhuma razão a cabeça de João Baptista enquanto ganhava paz na paisagem litoral beninense  lembrou-se da reportagem no “Libération” sobre  Henri Lopes intitulada “SIF (sem Identidade Fixa)” à mistura com passagens do livro de Dan Franck “Paris ocupada”. Passagens mais ou menos assim: “Roman Kacew, nascido em Vilnus [Estónia] trocou a França pela Argélia em junho de 1940. Continuar a ler “HARATINES EP7 – Jonuel Gonçalves”

CARTOGRAFÍAS Y ABISMOS DE RONALDO CAGIANO – por José Pérez

 

CARTOGRAFÍAS Y ABISMOS DE RONALDO CAGIANO

-I-

MAPAS Y EXTRAVÍOS O LOS LABERINTOS DEL SER

Si tuviéramos que trazar una línea sobre algún mapa de la tierra para sentarnos a esperar la poesía de Ronaldo Cagiano, habría que pintar un círculo en el vacío y esperarlo dentro. Tal vez la tarde, el tiempo todo, no bastarían para el encuentro. Tendríamos que remontarnos a una estación de trenes de París, la Denfert-Rochereau, bajo un laberinto de huesos, o más allá, en el camposanto Père-Lachaise, de la Rue du Repos, durante el otoño de 2018, mientras busca los enigmas del suicidio del escritor persa  Sadegh Hedayat, ocurrido en 1951; o antes, en febrero de 2013, en Nuremberg, para confesarle a T. S. Eliot que el siglo veinte es el más asqueroso de los siglos, por sus matemáticas salvajes (en cuya cuenta caben horrores, bombas nucleares, guerras, muertes, hambrunas, náuseas, escándalos, naufragios, hegemonías, oscuridad, vacíos, esquematismos, vértigos y abismos); o en Barcelona, España, donde se le adviene en patadas en la frente las manzanas de Apple y la bíblica de Adán y Eva, como signos de las contrariedades e incertidumbres; o  incluso, más atrás, enero de 2011, en Lisboa, náufrago en el tedio de existir; poseído por lo que él llama una soledad atlántica, que lo remite a la infancia, donde seguramente lo hallaremos un día de 1961 —el 15 de abril, hace exactamente 60 años—, saliendo del útero materno, en su pequeño pueblo de Cataguases, frente al valle de Paraiba do Sul, del estado de Minas Gerais, y las sierras y colinas de Mantiqueira, Onça, Neblina y Santa Bárbara, en el sudeste de Brasil; en cuyos pies el río Pomba—que arrastra en su discurrir los riachuelos Meia Petaca, Romualdinho y Lava-Pés— le abre un libro acuático para que navegue la dura senda de la vida. Así lo establece, de manera ácida y árida, quejumbrosa y sentida, sentenciosa y epigramática, en su poema “OUTRAS LIÇÕES DO ABISMO”, en el que el río y el pueblo — Pomba y Catahuases—, discurren por igual en la suma del dolor y el destierro. Continuar a ler “CARTOGRAFÍAS Y ABISMOS DE RONALDO CAGIANO – por José Pérez”

A LIBERDADE – por Manuel Igreja

“Gaivota”, por Clarice Lispector.

Por razões de circunstância que somente terão a ver com coincidência, nas últimas quase cinco décadas, em Portugal a palavra Liberdade surge-nos quase geminada com a palavra Primavera.

Apetece-me dizer ainda bem, pois uma e outra dizem-nos daquilo que mais belo existe na vida de uma pessoa. Há muitas outras mais, mal de nós se as não houver, mas esta duas provocam-nos um brilhozinho nos olhos e um encher d’alma. Continuar a ler “A LIBERDADE – por Manuel Igreja”

CONTOS CURTOS DE Olinda Gil

Foto de Paulo Burnay

A arma debaixo da almofada.

Detestava armas. Ela, que fora ativista contra o armamento via-se agora obrigada a pegar numa arma. Toda a gente deixara de ser o que era. A fome obrigara-a a deixar de ser vegetariana e a matar animais para comer.

A primeira coisa que fazia quando chegava ao esconderijo era largar a arma. Sabia que não o devia fazer, que toda a gente dormia com uma arma debaixo da almofada. Escondia-se ali havia vinte anos. O excesso de confiança e o horror às armas levavam-na a larga-las mal se sentia à vontade. Continuar a ler “CONTOS CURTOS DE Olinda Gil”

12 POEMAS DE LA COLECCIÓN HdeA – por Rolando Revagliatti

Foto de Paulo Burnay

No me hagan pensar

Me niego, no insistan
no me hagan pensar
en la falta

No hay falta

Y no me hace falta

Pensar.

Continuar a ler “12 POEMAS DE LA COLECCIÓN HdeA – por Rolando Revagliatti”

OS 4 CAVALEIROS DE CARLOS MAGNO – por Rosa Sampaio Torres

Cavalaria carolíngia. Ilustração do salmo 60 no Saltério Dourado de St.Gallen c. 890

OS 4 CAVALEIROS APOIADORES DE CARLOS MAGNO EM SUA MARCHA PARA ITÁLIA NO SÉCULO VIII

 

  O arcebispo Wilkarius

“O Espada Gloriosa”

O arcebispo Wilkarius, Warin III de Thurgau, o capelão Foraldus, e Adalardus – todos da cepa wido de Hesbaye

  

Neste ensaio pretendemos ressaltar a figura do guerreiro e religioso Wilcharius, um dos quatro cavaleiros religiosos e apoiadores Carlos Magno em sua descida para a Itália. Nesta oportunidade sugerimos sua associação aos quatros cavaleiros religiosos lembrados pelo historiador Giovanni Cavalcanti no século XV (6), saídos próximo de Colônia, do castelo St. Gilles. Continuar a ler “OS 4 CAVALEIROS DE CARLOS MAGNO – por Rosa Sampaio Torres”

TEXTOS DE Valda Fogaça

Arte de Carlos Saramago

O POR DO SOL

Estava  certa vez, num passado não tão distante,  observando o mundo a minha volta. Meu olhar estendeu-se até onde não  dava mais para enxergar, onde o horizonte se misturava com o céu e formava um barrado indefinido. Nesse dia à tardezinha,  o sol mergulhava no horizonte, e lá longe um barrado dégradé surgia. Silenciosa e atenta, nesta tarde fresca de brisa suave que cariciava meu rosto  pude observar quão grande é a grandeza de Deus.

Naquela tarde senti-me inspirada e num breve momento descrevi numa folha de papel, com clareza  e fino senso, a esplêndida natureza que se  descortinava impregnado minha retina. Uma das mais admiráveis tardes, que a primavera a inebriava com o aroma das flores de variáveis espécies. Como nada dizer?  _ Sendo esta, uma tarde para cultuar a estética do universo vivo e sentido pelos poetas em todo seu encantamento.

Arranquei-me do peito um profundo suspiro, e minh’alma sentindo-se elevada até o Altíssimo percebi, então, a pequenez do homem diante da imensidão do Universo. Compreendi, naquele instante, que as dores deste mundo passarão e o essencial alento humanista, o verso sublime, a cantoria matinal e vespertina da passarada nos faz ver o mundo com mais esplendor.  Compreendi que a vida é melhor se não houver perca de qualquer significado e que, a originalidade  não é saber escrever o quê e sim, sentir o que jamais se escreverá.

O sol continuou o seu caminho, submergindo no horizonte derramando seu calor nas águas de algum oceano donde meu olhar não conseguia abarcar.

♣♣♣

ANJO IMAGINÁRIO

Minhas asas estão prontas para o voo se pudessem,
Mas meu corpo cansado da lida impede-as.
Eu retrocederia se pudesse, pois eu seria mais feliz
se permanecesse imersa no tempo, viva.

Às vezes,  imagino que sou um anjo  pretendendo
afastar-me da dureza desse mundo,
com olhos escancarados,
boca dilatada e asas sempre abertas…

É esse o aspecto desse anjo o qual imagino o rosto
direcionado ao passado onde ver uma cadeia de acontecimentos,
uma catástrofe única que acumula incansavelmente
ruínas sobre túnel e as dispersas ao nossos pés.

Ele gostaria de deter  os maus feitores,
acordar os “mortos” e juntar os fragmentos,

mas uma tempestade sopra-o do paraíso e prende-se
em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las.

Essa tempestade  impele-o irresistivelmente para o futuro
ao qual ele vira as costas enquanto o amontoado de ruínas
cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso.

Chego à maturidade supercarregada de conhecimentos
e experiências, embora não sendo de fato um anjo bem feitor,
mas, deixo a minha contribuição ao mundo: o meu legado.

 

POEMAS DE VIVIANE DE SANTANA PAULO

Arte de Carlos Saramago

o quanto a gente é caroço da gente
se sofre por não conseguir semear   rebrotar
o que seríamos sem a nossa casca?
tem gente que não cai nem de maduro
tem gente que tá lá no solo
livre da haste mas não do poder das formigas

as horas despencam
os dias vão caindo dia-a-dia
as descobertas se tornando bagaços

o tempo vai modificando a areia
os grãos vão migrando para perto e longe
de si

a gente é o caroço da gente
bagos na escádea    picinguaba na árvore azul

as horas despencam
os dias vão caindo dia-a-dia
as descobertas se tornando bagaços
e a gente é o caroço da gente Continuar a ler “POEMAS DE VIVIANE DE SANTANA PAULO”

DOIS POEMAS DE Ulises Varsovia

Foto de Paulo Burnay

La casa

Me iré. Te irás.
Nunca regresaremos.
Nadie preguntará,
y la casa quedará
girando en el tiempo.

Vacía, en silencio,
sola en la soledad
de nadie durmiendo,
de nadie sintiendo
arder la eternidad. Continuar a ler “DOIS POEMAS DE Ulises Varsovia”

LEIA A EDIÇÃO Nº 15, DE FEVEREIRO DE 2021

 EDITORIAL – “Pessoa: Singularmente plural” – por Jaime Vaz Brasil

A singular pluralidade de Fernando Pessoa passa, antes de tudo, pela gênese artística de seus heterônimos. Seja como Fernando – o próprio – , Álvaro, Alberto ou Ricardo (ou ainda Bernardo e outros menores), o genial poeta criou personagens que existiram soberanos em estilo, temática, dimensão estética e qualidade. Continuar a ler ” EDITORIAL – “Pessoa: Singularmente plural” – por Jaime Vaz Brasil”

FRIEDRICH, O PASTORZINHO – por Adília César

Friedrich Nietzsche

A vida tornou-se-me leve, a mais leve, quando exigiu de mim o mais pesado.

Friedrich Nietzsche* in Ecce homo

1844 e a criança é o filho primogénito no pequeno colo, na pequena casa, na pequena aldeia. A janela aberta de par a par recebe a brisa do outono e convida o menino a fazer voar as suas ideias pelo mundo inteiro. Friedrich. Continuar a ler “FRIEDRICH, O PASTORZINHO – por Adília César”

MULHERES NAS RUAS DO PORTO – XV – César Santos Silva

Carmo (Rua do)

(Também existe a travessa)
Início: Parada Leitão (Praça de)
Fim: Prof. Abel Salazar (Largo)
Freguesia de Vitória

Situada numa das zonas mais emblemáticas da cidade, bem perto da antiga Cordoaria, Praça de Carlos Alberto e Hospital de Santo António. Continuar a ler “MULHERES NAS RUAS DO PORTO – XV – César Santos Silva”

ATÁVICA – por Claudia Isabel Vila Molina

Foto de Luís Guerra e Paz

Extrañeza

Un día particular choca de frente contra el influjo del aire
es necesario cuadrar esta nomenclatura traducir rostros menores
y anunciar los cultos
será por lo tanto una nueva llamarada entre los vigilantes
¿Será que permanecen ensombrecidos entre sus ramas de invierno? Continuar a ler “ATÁVICA – por Claudia Isabel Vila Molina”

O ININTERRUPTUS de Delalves Costa – PREFÁCIO de Carlos Néjar

A LUZ NOS OLHOS DA POESIA INAUGURAL
DE DELALVES COSTA

O Ininterruptos, choremos ruas dentro dos ossos, novo livro de Delalves Costa, pela editora Bestiário, do lúcido escritor-editor Roberto Schmitt-Prym, não é apenas a surpresa da descoberta de um poeta, que se constata pelos primeiros versos, mas também é o reconhecimento de sua maturidade, com original visão do mundo. Continuar a ler “O ININTERRUPTUS de Delalves Costa – PREFÁCIO de Carlos Néjar”

NO ENTRUDO, VALE T(R)UDO – por Danyel Guerra

A pré-publicação deste conto nas páginas de ATHENA antecipa sua edição no livro ‘Corpo Estranho’, de Danyel Guerra, com saída do prelo prevista para dia 3 de maio, SEGUNDA-FEIRA, no Hard Club, ao Mercado Ferreira Borges, Porto, no set do Fantasporto. Horário: 18 horas.

 

    NO ENTRUDO, VALE TRUDO         

C’est l’enfer, l’éternelle peine!
  Voyez comme le feu se relève!
                                                                          Je brûle comme il faut. Va, démon!” 

     Arthur Rimbaud    

Na memória ainda vivaz e lúcida da Virgem de Vandoma não há lembrança de um dia tão gelidamente irado na cidade sua protegida. Fustigado pela algidez do clima, possuído, porem, pela agilidade da chita, um cavaleiro sobe a íngreme rua de Ceuta, como se estivesse voltando a 1415.  E só para em frente de um edifício de consultórios, onde entra ajustando o elmo das “manhãs de oiro e de cetim”(1), em que um puma estilizado esboça o bote. Continuar a ler “NO ENTRUDO, VALE T(R)UDO – por Danyel Guerra”

TEXTOSTERONA PRENSAMENTOS & DESAFORISMOS – IV- por Danyel Guerra 

Zsa Zsa Gabor

  DONDOCAS E PERUAS

Uma dondoca, ex- amásia promovida a esposa, filosofa com uma congênere:  “Como se sabe, é na melhor mussolini que a nódoa cai”

o-o-o-o-o

Outra dondoca desabafa com uma perua: “Dizem que eu tenho mau feitio. Mas quem tem mau feitio é o vestido daquela sirigaita lá ao fundo.” Continuar a ler “TEXTOSTERONA PRENSAMENTOS & DESAFORISMOS – IV- por Danyel Guerra “

A POETISA E SEU SACERDÓCIO – por Eric Ponty

Thereza Christina Rocque da Motta

Com sua Poesia Reunida, Thereza Christina Rocque da Motta, está completando o seu Sacerdócio previsto por Olga Savary sendo-lhe uma vida dedicada como nessa citação lapidar:

 Poesia: magia prolixa, progresso do sol, não se constrói a partir de certezas, mas sim através das interrogações e esquadrinhamentos que, estes sim, nos fazem crescer. O poema é feito pelo poeta e, se todos os que estão ouvindo seu texto falam a mesma língua e estão na mesma sintonia, poderão estar entendendo em uníssono o poema. Continuar a ler “A POETISA E SEU SACERDÓCIO – por Eric Ponty”

PARA UM ELOGIO DA TRISTEZA – por Fernando Martinho Guimarães

Fotografia de Luís Guerra e Paz

Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe.

Depois da festa, sobram as cinzas, quer dizer, à exuberância carnavalesca sucede-se a míngua expiadora do jejum.

O carnaval são três dias mas, admitam comigo, ao terceiro dia ansiamos o regresso à normalidade, isto é, o regresso da tristeza. Continuar a ler “PARA UM ELOGIO DA TRISTEZA – por Fernando Martinho Guimarães”

ASTROPSICOGRAFIA – por Januário Esteves

“A estátua do peixe. O homem com a criança” de Salvador Dali

Peixes

Quando os vorazes famintos atacaram a pacifica comunidade,

tirando-lhes o seu lugar de viver e relegaram as pessoas

para os subúrbios onde ninguém se conhece e cumprimenta

veio transcendente uma alucinante ideia de transformar Continuar a ler “ASTROPSICOGRAFIA – por Januário Esteves”

JOANA MALUCA – por Jonuel Gonçalves

foto de Luís Guerra e Paz

Quando o debate estava nos últimos minutos uma senhora daquela idade sempre comparada às protagonistas do Balzac, embora use roupas street como se fosse saltar muros, pediu a palavra, falou  de voz amedrontada e agradeceu terem lhe deixado entrar no debate mesmo sem ser académica, mas desde que terminou o curso concorreu a diversos empregos e só consegue trabalhos muito abaixo da formação obtida e sente cada vez mais que é por ser negra,  devagar devagar isso oscilou entre pequenos monstros lhe crescendo na cabeça até se juntarem num monstro enorme  e desde o ano passado  começou a ter desmaios foi levada às urgências, a princípio diziam ser do calor depois do cansaço até uma médica passar o diagnóstico de ansiedade perigosa causada por sensação de ameaça constante. Continuar a ler “JOANA MALUCA – por Jonuel Gonçalves”

O LONGE AQUI TÃO PERTO – de Luís Guerra e Paz

Luís Guerra e Paz – Chegou a este mundo em 1970. Diletante incorrigível, apaixonou-se por alguns hobbies e enfastiou-se de outros tantos. Contudo, embora de forma autodidacta e pouco disciplinada, manteve sempre uma relação com a fotografia. Não sabe se é pelo prazer de capturar um ambiente, um olhar ou um pormenor, ou se é devido a uma pura necessidade quase física,  que o impele a documentar algo que o impressionou.

OPINAN LOS ESCRITORES ARGENTINOS EN “DOCUMENTALES IV”- por Luís Benítez

Recientemente Ediciones Richeliú, de Buenos Aires, publicó el cuarto tomo de la serie ‘Documentales. Entrevistas a escritores argentinos’, que recopila las opiniones y los pareceres de una selección de autores de dicha nacionalidad. Gracias a la recopilación en sus páginas de las entrevistas realizadas por Rolando Revagliatti (1), antes publicadas en diferentes medios de comunicación, es posible para el lector acceder a este interesante material de consulta. En Documentales IV’, poetas y narradores se explayan acerca de una gran variedad de temas, que van desde las peculiaridades de la obra propia hasta sus criterios en cuanto a la ubicación en el panorama de las letras contemporáneas, sus preferencias y rechazos literarios, los movimientos estéticos a los que han pertenecido o corresponden en la actualidad, así como su paso por el acontecer político y social en que se gestaron sus trabajos. Simultáneamente, los entrevistados proveen precisa información respecto de su modo de plasmar los trabajos y la manera en que cada título dialoga con los demás de su autoría. Continuar a ler “OPINAN LOS ESCRITORES ARGENTINOS EN “DOCUMENTALES IV”- por Luís Benítez”

AQUELE HOMEN SENTADO NA CALÇADA – por Nelson González Leal

“O 68”. Foto: Nelson González Leal. Cidade do México, agosto 2019.

 

O que faz aquele homem sentado sozinho na calçada?

Se for um homem. E por que tem que ser?

Por que meu olhar vê dessa maneira?

Que carta de identidade jogo para conhecê-lo? Continuar a ler “AQUELE HOMEN SENTADO NA CALÇADA – por Nelson González Leal”

CARTA AOS MEUS ALUNOS SOBRE A LEITURA – por Olinda Gil

Meus queridos alunos, deste e de outros anos letivos.

Eu sei perfeitamente que muitos de vocês não gostam de ler. Posso imaginar porque razão isso acontece, mas o que eu vos gostaria mesmo de falar é a razão pela qual eu gosto de ler (e seria interessante também perguntarem aos vossos colegas que gostam de ler o porquê).

Sei que gostam de ver filmes e séries, de estar no telemóvel nas redes sociais e nos jogos – e eu também! – mas, os livros para mim são muito mais prazerosos do que qualquer atividade das que mencionei.

A primeira das razões porque isto acontece é a imersão, palavra complicada para quem não faz mergulho, mas posso vos dizer eu é o sentimento de estar “embrenhado” na história, no livro neste caso. Algo que não consigo tão profundamente com os filmes e as séries. Distraio-me menos, talvez porque a leitura me obriga à concentração. E nesse momento de imersão eu deixo de pensar noutras coisas, esqueço o mundo, fico só concentrada naquele livro, e é nisso que penso e reflito. Sentimento que se arrasta para depois da leitura. E porque é que isso acontece comigo? Talvez o segredo seja mesmo a fluidez da leitura, que é algo que se adquire com muitos anos de leituras. Outro segredo é, sem dúvida, encontrar o livro correto para mim, para o momento de vida que estou a viver. E acreditem que desisto de muitos livros – afinal é um dos diretos do leitor.

A segunda das razões é o prazer. Não apenas o prazer momentâneo da leitura, mas um prazer que fica em contínuo, de cada vez que penso naquela mesma leitura, seja poucos momentos depois, seja anos, mesmo! Algo que as redes sociais e jogos não nos transmitem. É certo que nos dão um prazer momentâneo, mas a maior parte das vezes até nos trazem frustração. Quantas vezes estamos ali à espera que nos apareça algo de especial e interessante que nunca aparece? Pelo contrário, ao terminar um livro há um sentimento de completude. Mesmo que seja uma narrativa com final aberto.

Ficaram com vontade de ler? Sei que se não tiverem fluidez de leitura suficiente não é a começar pelos “Maias” que vão ter estes sentimentos. Mas há tantos, tantos livros. Vão às bibliotecas, às escolares e às municipais, estão lá pessoas que vos podem ajudar. Perguntem aos vossos professores e aos vossos colegas. E não tenham problemas em desistir e começar outro livro novamente.

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Olinda Pina Gil é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e mestre em Ensino do Português e das Línguas Clássicas. Tem também uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos.
Iniciou a sua prática de escrita no “DnJovem”, suplemento do “Diário de Notícias”. Colaborou em diversas colectâneas e publicações, e foi 3º prémio do concurso literário “Lisboa à Letra” em 2004, na categoria de prosa.
Editou, a título independente, em 2013 “Contos Breves”, e, pela Coolbooks, chancela da Porto Editora, “Sudoeste” (2016, 2014 em ebook) e “Sobreviventes”(2017, 2015 em ebook).
Escreve no blog www.olindapgil.blogspot.com

NOVÍSSIMO DECAMERON – por Paulo Ferreira da Cunha

MULHER DE LOT

Pesados sulcos, fundo na Memória,
A fogo e ferro marcados n’alma leve;
Lembrança doce do Bem que se teve,
Cuidando-o ‘inda futuro e não história. Continuar a ler “NOVÍSSIMO DECAMERON – por Paulo Ferreira da Cunha”

DOIS TEXTOS DE Yessika María Rengifo Castillo

Foto de Luís Guerra e Paz

La sexta calle

El grito de los vendedores ambulantes y las rosas marchitas anunciaron que mi vida era un desastre. Nunca soporte los gritos, que reflejaban el estado decadencia en la que estaba nuestra relación.  Relación que se deterioraba ante la falta de sexo y conversaciones del diario vivir. Verónica luchó porque esto fuera un mal sueño y las orquídeas iluminaran nuestras mesas como años atrás. No quise unirme a su lucha y me alejé de la sexta calle que era el coro de nuestra vida.

 

Recorriendo sus pasos

Recordé que nuestra historia nunca se escribió entre rosas y días de sol. Silvia y yo nos conocimos en el bar que solía frecuentar los viernes cuando salía de mi trabajo. Descubrí que detestaba los días de invierno, las comidas chatarra, y la música rabalera que le recordaba los golpes de su padrastro. No deseaba que tuviéramos una relación estable lo que presenció en su casa era suficiente para creer que nuestra relación se reducía a conversaciones del mundo, relaciones sexuales y aguardientes, momentos que me alegraban pero alejaban la posibilidad de un nosotros. Cuando le confesé que la amaba su frente se ciñó y permaneció largo rato en silencio, prometiendo que hablaríamos después del tema…

Han pasado seis meses y no regreso al bar. Sigo recorriendo sus pasos entre las orquídeas que tanto amaba, y sus fotografías se aniquilan entre mis lágrimas del ayer.

♦♦♦

Yessika María Rengifo Castillo. Poeta, narradora, articulista, e investigadora. Docente, colombiana. Licenciada en Humanidades y Lengua Castellana, especialista en Infancia, Cultura y Desarrollo, y Magister en Infancia y Cultura de la Universidad Distrital Francisco José De Caldas, Bogotá, Colombia. Desde niña ha sido una apasionada por los procesos de lecto-escritura, ha publicado para las revistas Infancias Imágenes, Plumilla Educativa, Interamericana De Investigación, etc.

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