ANTERO DE QUENTAL EM VILA DO CONDE – por Cecília Barreira

Casa de Antero de Quental, em Vila do Conde, actual Centro de Estudos Anterianos. Foto obtida do site da CMVC.

«Uma classe nunca pode ser um apóstolo: é simplesmente um elemento, uma força, cujo acto é determinado pela energia inicial. O que dará a democracia? Quem poderá di-lo. É o escópulo onde até hoje têm naufragado todas as sociedades.»

         Carta a Fernando Leal, 8 de Fevereiro de 1888.

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ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA NA ARTE PRÉ-HISTÓRICA? – por Diniz Cortes

 Uma hipótese interpretativa…

1 – Introdução e contextualização do “ Estado da Arte” na pré-história portuguesa

A Arte pré-histórica como tradução do pensamento simbólico humano, nasce com o aparecimento do Homo sapiens, no caso particular do contexto Ibérico, há mais de 40.000 anos. Continuar a ler “ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA NA ARTE PRÉ-HISTÓRICA? – por Diniz Cortes”

EDUARDO SANTELLÁN(*)- por Carlos Barbarito

No es la única vez que me sucedió. El hombre –se dice- es el único animal que tropieza dos veces con la misma piedra. En mi caso, más de dos veces. Me pasó con Raúl Gustavo Aguirre, con quien mantuve una abundante correspondencia e intercambio de libros durante tres años y, cuando me había decidido a visitarlo a su casa en Olivos, me llegó la noticia de su muerte. Continuar a ler “EDUARDO SANTELLÁN(*)- por Carlos Barbarito”

MULHERES NAS RUAS DO PORTO (III)- por César Santos Silva

Ana Plácido (Rua de)

Início – Monte de Campanhã (Rua do)
Fim – Cul de Sac
Freguesia de: Campanhã
Designação desde – 2006

Uma pequena artéria, que na nossa opinião, não honra a memória de Ana Plácido, já que se encontra “perdida”, na freguesia de Campanhã, que como se sabe não fazia parte das itinerâncias da talentosa companheira de Camilo Castelo Branco.

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A MIÚDA QUE NÃO RECEAVA JUÍZES – por Francisco Bruto da Costa

Tribunal de Família de Lisboa, anos noventa, discutia-se a vida e o futuro de uma criança.

Uma história triste, como tantas outras que me passaram pelas mãos naquele tribunal, mas esta tem um toque de inocência e um grande ensinamento.

Digamos que a criança em causa se chamava Mariana.

A Mariana nasceu de uma relação superficial que os pais tiveram num Verão, casaram logo a seguir, quando descobriram que a mãe da Mariana estava grávida, mas não estavam preparados para a vida de casados, nem tinham vida profissional compatível.

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NOSSO TIO, TENENTE ALFREDO NUNES, CONTAVA HISTÓRIAS – por Jaime Vaz Brasil

Nosso velho tio Alfredo Nunes era tenente do exército. Depois de reformado, sempre que nos visitava, dizia dos acontecidos no tempo de quartel. Gostávamos de ouvir das manobras e dos exercícios de guerra. Nosso tio Alfredo era uma espécie de herói familiar. Ficávamos ao redor dele. Depois de uma cerveja que outra, desenrolava a língua. Já conhecíamos todas as histórias que o tio Alfredo poderia contar. Fazíamos reparos quando ele tropeçava num exagero que outro. Uma história nosso velho tio Alfredo repetia mais que as outras.

— Já contei do soldado Demétrio? Continuar a ler “NOSSO TIO, TENENTE ALFREDO NUNES, CONTAVA HISTÓRIAS – por Jaime Vaz Brasil”

CONGRESSO DE FÁTIMA: UM CENTENÁRIO EM (RE)VISÃO – por Joaquim Fernandes

Um centenário em (re)visão:  Crenças e práticas religiosas no contexto das “aparições” de Fátima

Consensualmente aceite a particular devoção do culto mariano na sociedade portuguesa, resultante da longa sedimentação de elementos civilizacionais remotos, de natureza matriarcal, foi-se arreigando a convicção de que os fenómenos e experiências para-religiosas, enxertados nessa tradição cultural popular, seriam totalmente alheios de qualquer tipo de interpelação científica, por parte das ciências humanas e sociais e muito menos de disciplinas mais físicas, como as Neurociências emergentes. Continuar a ler “CONGRESSO DE FÁTIMA: UM CENTENÁRIO EM (RE)VISÃO – por Joaquim Fernandes”

ESPELHOS de Fellipe Lee

“A Reprodução Proibida” ou “O Retrato de Edward James” – 1937, de René Magritte
Ao piano




ela pôs o vestido vermelho, enquanto
ele finge não ver.

vê o jornal, as notícias, as mesmas.

ela tenta sentir a nota musical, 
que teme tocar
pela janela alguém os vê ausentes, 
iriam sair para uma longa janta, 
mas estão ali, 
sem se olhar.

a luz acesa ainda, 
não desligaram.

para deixar a casa, 
a noite gelada lá fora os espera, 
mas eles ficam imóveis, na casa.

ela senta ao piano, 
mas a nota não ecoa.

nada pode atrapalhar 
o silêncio que reina 
entre dois ausentes.

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“CARTA ABERTA” A UMA DEUSA-RAINHA – por Joaquim Fernandes

Fui Teu pajem, aos 10 anos, ajaezado a rigor na ingénua atmosfera barroca e amorável de uma modesta capela desta “cidade da Virgem”. Lembro a Tua figura em carne viva num cortejo joanino evocativo da coroação, em 1646, como Rainha deste país. Quis o destino (e a madre-superiora da escola) que uma outra Conceição de louras tranças Te revivesse em corpo grácil: só a mais bonita da escola, namorada primeira, haveria de incorporar a mais radiosa divindade do Panteão celeste… Continuar a ler ““CARTA ABERTA” A UMA DEUSA-RAINHA – por Joaquim Fernandes”

LIBERDADE, UNIVERSIDADE E PENSAMENTO – por Joaquim Silva

Gravura de Universidade da Idade Média: Liber ethicorum des Henricus de Alemannia”, by Laurentius de Voltolina

As Universidades Medievais como motores da Liberdade de Pensamento

A construção da liberdade no mundo Ocidental, primeiro como elemento da estrutura de valor, segundo como elemento da acção política, jurídica e social, tem início na profunda relação com o saber – a construção das primeiras universidades – e o conceito “universal” do mesmo, que traduziram num primeiro reduto que a Teocracia Medieval deixou livre e garantido por forma e privilégios específicos: o Pensamento, se olhado como a dedicação ao estudo das diversas áreas da ciência que o estudo medieval concebeu. Continuar a ler “LIBERDADE, UNIVERSIDADE E PENSAMENTO – por Joaquim Silva”

Luto – por Marilene Cahon

A palavra luto vem do latim “dor, mágoa, lástima”, de luctum, “chorar (pela perda de alguém ou de algo)”. Regra geral, é «sentimento de tristeza profunda por motivo da morte de alguém ou de qualquer outra perda significativa». Pode-se tomar como conceito adequado o de que “o luto é um processo de aperceber-se, de tornar real o fato da perda”. Continuar a ler “Luto – por Marilene Cahon”

MESSIAS DE PLÁSTICO – por suzamna portto marrinwey

© Manuel Figueiredo

Oh, messias da nova província, para onde hás de partir quando sobre nós se abater o flagelo da intempérie? Caminharás sobre as águas revoltas? Avançarás por entre as chamas com o crente às costas? Ou encobrir-te-ás no casoto fendido sob o sedimento dos seus gritos? Oh, pastor eleito para poupar o seu rebanho, quando te olhas ao espelho vês o embuste ou o laureado p(at)enteado no ecrã impassível? Continuar a ler “MESSIAS DE PLÁSTICO – por suzamna portto marrinwey”