A PALAVRA EM SEU DESERTO – por Tito Leite

Seis poemas do livro

A PALAVRA EM SEU DESERTO

O OUTRO

Eu canto a ovelha
e o lobo,
a serpente que engole
a própria cauda
e o fim sábio
do poeta tolo.

Eu canto o limo
e o mar aberto,
a madrugada
dos poetas e o tiro seco
dos filósofos. Continuar a ler “A PALAVRA EM SEU DESERTO – por Tito Leite”

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A INCRÍVEL HISTÓRIA DE MARÍA JUANA PILLAR DE LA CRUZ – (CAP II, III) – por Wander Lourenço

II

UNA CUENTA POR PAGAR

Naquela mesma noite, o negruzim Deolindo acordou-me com o repuxão de ansiedade, para cobrar-me pela promessa de entrega corpórea, em troca do arranjo da união conjugal com o comerciante Assir Lubbos, o Turco, que me propositara sobrenome árabe e situação familiar. Como palavra empenhada há de ser cumprida à risca, eu permiti que o escravo ladino se esbaldasse da carne fresca daquela ciganita Juana, até desmaiar feito animal feroz capturado em armadilha de mandíbula.

Continuar a ler “A INCRÍVEL HISTÓRIA DE MARÍA JUANA PILLAR DE LA CRUZ – (CAP II, III) – por Wander Lourenço”

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LEIA A EDIÇÃO Nº 24 DE JUNHO DE 2023

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EDITORIAL – A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E (….) – por Ricardo Amorim Pereira

A Inteligência Artificial e suas repercussões no mercado de trabalho

Um horário laboral para o século XXI

 

O ano de 2022 ficará para a História como tendo sido aquele em que, pela primeira vez, um sistema de inteligência artificial entra na vida quotidiana do cidadão comum. Em novembro desse ano, a empresa OpenAI lança o já famoso ChatGPT, facto acompanhado por outros serviços semelhantes, entretanto, lançados. Assim, e num ápice, a Humanidade apercebe-se do seu real estádio de desenvolvimento, provavelmente bem superior ao que se conjeturava. Continuar a ler “EDITORIAL – A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E (….) – por Ricardo Amorim Pereira”

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NO CENTENÁRIO DE NATÁLIA CORREIA – por A. Sarmento Manso

PORQUE APRENDO E ENSINO, PORQUE ENSINO E APRENDO… NO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE NATÁLIA CORREIA

 

Natália Correia (1923-2023) deixou uma obra poético-literária de qualidade acima da média, ramo da criatividade a que juntou outros como seja a procura dos marcos e das marcas que estão na origem deste retângulo que dá por nome Portugal. Para além de ir lendo a sua obra poética e literária, interessei-me pelo seu pensamento em torno dos arquétipos, das raízes da Nação, e estive por uma ou duas vezes na sua presença, pelos anos de 1980, observando o seu peculiar modo de estar e a rebeldia que os seus atos e palavras encarnavam e como incendiavam os auditórios. Continuar a ler “NO CENTENÁRIO DE NATÁLIA CORREIA – por A. Sarmento Manso”

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O ARTISTA INVISÍVEL – por Cassiano Russo

O artista solitário perambula a cidade pela madrugada com seu violão, em busca de mais um motivo que justifique uma nova música que faça a noite chorar, pelos acordes perdidos de seu instrumento, noctívagos, num gole de cerveja em algum boteco qualquer noite adentro. Continuar a ler “O ARTISTA INVISÍVEL – por Cassiano Russo”

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LITERATURA, A FORÇA HUMANA – por Celso Gomes

 

No fim do século passado, houve lançamento de vários livros contendo listas das cem melhores obras de arte do século que terminava.

Na noite de Natal do último ano do século XX, ganhei de um amigo o livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, ed. Objetiva. Imediatamente após recebê-lo, fui para um canto da casa e comecei a leitura. Dei cabo da tarefa em poucos dias. O livro é ótimo, os contos escolhidos convivem bem, apesar das discrepâncias de estilos, épocas, gerações. Com certeza, o livro contém o que de melhor se publicou no Brasil no Século XX, bem como deixou de fora alguns contos que gosto muito, por exemplo, o conto Venha ver o pôr do sol, da Ligia Fagundes Telles. Mas listas são assim mesmo, sempre há reclamações e injustiças. No entanto, de todos os contos reunidos, apenas um não sai da minha memória, apesar dos anos passados: A Força Humana, do livro A Coleira do Cão, de Rubem Fonseca. Continuar a ler “LITERATURA, A FORÇA HUMANA – por Celso Gomes”

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O TRIUNFO DA (BOA) VONTADE – por Danyel Guerra

Jacques Demy

“Il m’a marquée plus definitivement qui aucun autre réalisateur.  L’image qu’a imposée de moi ‘Les Parapluies…correspond quelque parte à une verité de moi-même

Catherine Deneuve   

Joyeux anniversaire, Jacquot !                                  

Era notte a Avellino, num dia de novembro de 1982. Mal entro no Cine Eliseo, ouço a Chiara me chamando, um tanto frenética. Daniele, vienni qui… Eu ainda não cheguei junto dela e já está me indagando. Conhece aquele cavalheiro? Um minuto só…conheço, ele é o Jacques… Continuar a ler “O TRIUNFO DA (BOA) VONTADE – por Danyel Guerra”

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O PROBLEMA DO MAL – por Fernando Martinho Guimarães

Não há dia em que não aconteça algo de mal. Aqui, é um autocarro que, desgovernado, cai por uma ribanceira, provocando mortos e feridos. Ali, um tresloucado dispara indiscriminadamente sobre quem se lhe atravessa no caminho. Continuar a ler “O PROBLEMA DO MAL – por Fernando Martinho Guimarães”

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ORTOGRAFIA DE TU CUERPO – por Francisco Álvarez Koki

Jane Graverol (1905-1984), Le Sacre de Printemps, 1960

ORTOGRAFÍA DE TU CUERPO

Desde aquí pienso…
en los puntos suspensivos y las comas
que sólo conocemos yo y tu cuerpo.
Ahora me invade no sólo la tristeza
sino la geografía del silencio.

YOUR BODY’S PUNCTUATION

From this point I wonder. . .
About the ellipsis and the commas
Only familiar to your body and me.
I’m now filled not only with sadness
but also with the geography of silence. Continuar a ler “ORTOGRAFIA DE TU CUERPO – por Francisco Álvarez Koki”

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21 DE JUNHO 1970 – por Francisco Fuchs

 

Pelé e Bobby Moore trocam camisas ao término de Brasil x Inglaterra (1970)

 

Para Giuseppina Traverso

Quando eu nasci, o Brasil era o país do futebol: donde se conclui que já não sou nenhum garoto. Há coisas que não podemos revelar sem denunciar nossa idade; porém, por uma dessas leis de compensação que gostaríamos de imaginar arranjadas por um ser superior, quanto mais se avoluma a soma de nossos anos, menor é a importância que damos à divulgação do resultado. Continuar a ler “21 DE JUNHO 1970 – por Francisco Fuchs”

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DEZ POEMAS INDIGESTOS – de Henrique Duarte Neto

 

O ÓPIO DO POVO

No passado, o ópio do povo
era a igreja.
Agora, em tempos mais etílicos,
é a cerveja.

No passado, o ópio do povo
era o capital minimamente disseminado.
Agora, em tempos mais lúgubres,
é o capital exclusivo, privado.

No passado, o ópio do povo
era o bom futebol.
Agora, em tempos mais frívolos,
é reality show, besteirol.

No passado, o ópio do povo
era a ideia do paraíso.
Agora, em tempos mais mercadológicos,
é lucrar, desdenhando o último juízo. Continuar a ler “DEZ POEMAS INDIGESTOS – de Henrique Duarte Neto”

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POEMINHOS (61-70) – por Jaime Vaz Brasil

 

Apresentação da revolta de “Guernica” de Pablo Picasso às crianças.

61.

Quadro
é um poema sem palavras.

Poema
é um quadro nas palavras.

62.

Quando há arte
numa obra

nada falta
nada sobra. Continuar a ler “POEMINHOS (61-70) – por Jaime Vaz Brasil”

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RECENSÃO DE “POR LUGARES INCRÍVEIS” DE JENNIFER NIVEN – por Luis Henrique Costa Santana

A POESIA NA OBRA “ POR LUGARES INCRÍVEIS”, DE JENNIFER NIVEN

RECENSÂO DE LUIZ HENRIQUE COTA DE SANTANA*

Em algumas circunstâncias não é o leitor que escolhe a obra, mas sim o inverso. Ultimamente alguns textos estão surgindo para mim, me sinto na responsabilidade de expor sobre eles, acredito que seja um ultraje não fazê-lo.  Já tinha ouvido falar a cerca na obra “Por lugares incríveis” da escritora americana Jennifer Niven, mas eu não liguei muito, parecia ser apenas mais um romance jovem-adulto (young adult – YA). Até um amigo da faculdade pegou emprestado de uma colega dele, nem falou sobre o livro, mas quando uma obra te escolhe não tem jeito. Continuar a ler “RECENSÃO DE “POR LUGARES INCRÍVEIS” DE JENNIFER NIVEN – por Luis Henrique Costa Santana”

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UM ROMANCE NAS NÓDOAS DA MISÉRIA (6) – por Lúcio Valium

MERCADO

Copio para o caderno: petúnia significa “flor vermelha” na língua dos Índios Tupi.

Foi no Grande Mercado das flores e especiarias que disse esta palavra pela primeira vez. Levámos pimenta negra feijão e alhos.

Escrevo ainda: pertencente à família Solanaceae, a mesma de pimentão, tomate e beringela, a petúnia, apesar de ser perene, deve ser replantada a cada Primavera para manter-se sempre florida.

Quando os mercados eram de ferro e ficavam no centro da cidade tu usavas saia como as petúnias e caminhavas como uma flor por entre peixes e frutas.

Petúnia é um som da cor dos teus lábios.

♣♣♣

“May room has two doors” de Kay Sage

Continuar a ler “UM ROMANCE NAS NÓDOAS DA MISÉRIA (6) – por Lúcio Valium”

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A FAMÍLIA – por Manuel Igreja Cardoso

A família é ser e estar. Pertencer e ser pertencido. Amar e ser amado. Vir de antes, dar, receber e seguir. Sem condição, entregar todo com todo o coração e mais a mente, pois é com ela que tudo se sente.  É ser um nós cá dentro e nós em cada um que é nosso e nós dele.

A família é porto de abrigo depois de se encontrar o rumo certo, quando longe dela, nos arde o desejo de estar perto. É um toque a unir agora e nos dias que estão para vir. É um sentir, um contentamento às vezes descontente, no sublime pensamento que nos distingue e nos faz ser gente. Continuar a ler “A FAMÍLIA – por Manuel Igreja Cardoso”

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A IMPORTÂNCIA DE HAVER LIVROS EM CASA – por Olinda Gil

 

Como professora de Português há sempre aquele dia (muitos) em que falo de livros com os alunos. Para um projeto de leitura, por exemplo, tento ajudá-los a escolher os livros: sugiro livros, mostro-os, levo os alunos à biblioteca e desarrumo as estantes… Mas, surpresa das surpresas, os alunos tentam sempre ler livros que tenham em casa (“vou ler um livro da minha mãe”), ou que lhes oferecem (“vou ler o livro que a minha madrinha me ofereceu pelo Natal”), e em alguns casos, selecionam um dos livros mostrados, ou mesmo da biblioteca, mas “querem tê-lo na estante”. Continuar a ler “A IMPORTÂNCIA DE HAVER LIVROS EM CASA – por Olinda Gil”

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“LA DANZA DE LAS ESFERAS” DE SANDRIUSKA THEREMIN – Reseña de Pablo Fante

Sobre el poemario La danza de las esferas de Sandriuska Theremin (Marciano Ediciones, 2022).

Descargas electromagnéticas

Al abrir La danza de las esferas de Sandriuska Theremin, descubrimos de inmediato un fragmento del poema «La palabra» de Gabriela Mistral (Lagar, 1954): «Yo tengo una palabra en la garganta / y no la suelto y no me libro de ella / aunque me empuja su empellón de sangre». Esta cita aislada invoca el poder del lenguaje que hierve en nosotros y se nos atraganta. Es una palabra violenta y peligrosa, porque si la soltamos «quema el pasto vivo, / sangra al cordero, hacer caer al pájaro». Justamente, este poemario de Sandriuska Theremin utiliza el poder de la palabra para hacer girar en armonía diversos elementos de la realidad y la naturaleza que, al mismo tiempo, existen en un mundo de violencia latente: así como el átomo engendra la bomba atómica (p. 15), la celebración de las ondas electromagnéticas tampoco pasa por alto su capacidad destructiva: «ondas delirantes / que se incendian / a 300.000 kilómetros por segundo / en el vacío» (p. 16). Esta doble dimensión del mundo aparece plasmada también en un collage (el primero de diez), que representa un planeta rodeado por naturaleza, esferas y átomos (p. 13), y que dialoga con el poema que le da título al libro, «La danza de las esferas»: «Esferas rojas y anaranjadas / Bailan en el cielo / abrasan el jardín / rompen ventanas / invaden la habitación / des / me / nu / zan / mi / cuer / po». Las esferas celestes son como las partículas que componen nuestro propio cuerpo. Ejecutan en armonía el baile que nos permite existir materialmente en la realidad y, al mismo tiempo, albergan la posibilidad latente de la disgregación y el caos a través de una explosión de la materia. Continuar a ler ““LA DANZA DE LAS ESFERAS” DE SANDRIUSKA THEREMIN – Reseña de Pablo Fante”

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POEMAS – de Tito Leite

FRESTA

Moro num deserto situado
na palavra.

São tantos nomes no remanso
de uma tarde
e eu vi uma borboleta
na sombra de uma granada.

Grafei que o significante
de uma nuvem
é o seu presságio
e depois da chuva um poema
fecunda a sangria dos sábios.

Bati nos ombros de uma montanha
e acenei: no sangue do poeta
tudo é talhante,
nada é suave. Continuar a ler “POEMAS – de Tito Leite”

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LA FÍSICA DE LAS OPINIONES – por Yasmin Navarrete e Sergio Davis

 

Usando modelos de física estadística, científicos chilenos estudian la influencia —entre pares— de las opiniones y otros temas asociados al comportamiento social. En el año 2014 The European Physical Journal B., publica esta investigación que estudia cómo las opiniones individuales, a través de un modelo obtenido de la física estadística, determinan la distribución espacial y la conectividad entre individuos. El estudio busca entender cómo se relacionan las opiniones en los procesos de socialización, así como también permite observar la consecuencia de estos sujetos respecto de sus opiniones. El resultado señala que existe un valor crítico de consecuencia ante el cual la opinión personal no tendría relevancia. Continuar a ler “LA FÍSICA DE LAS OPINIONES – por Yasmin Navarrete e Sergio Davis”

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A INCRÍVEL HISTÓRIA DE MARÍA JUANA PILLAR DE LA CRUZ – (I) por Wander Lourenço

Embarque da Família Real portuguesa

 

Rio de Janeiro
2023

 

PRÓLOGO

Confesso eu que houve certa hesitação de minha parte, María Juana Pillar de La Cruz, quando me propus ao desígnio da escritura das inúmeras transformações geográficas, políticas e morais desta Corte de São Sebastião do Rio de Janeiro, a partir da chegada da Família Real, na corrente data de 08 de março de 1808. Isto porque me questionava se, de fato, seriam válidas e importantes as impressões de uma alcoviteira de prostíbulo centenária, com a memória falhosa e mui decadente, que se decidira por discorrer a respeito da biografia (e intimidades) dos habitantes que, por estas paragens tropicais, já assistiam; e também dos ilustríssimos cortesãos europeus que, por acá, aportaram após a chegada da tripulação das naus-caravelas provindas do Reino Unido de Portugal e Algarve. Em verdade, eu me proponho aos registros do que são meras reminiscências de uma marafona tagarela e já meio decrépita que, sem qualquer intento literário, se debruçou sobre o longínquo passado para discorrer sobre ações dos assíduos frequentadores dos cafés, tabernas e joalherias da Rua do Ouvidor e do Theatro São Pedro de Alcântara, no período das reinações d’El-Rey d. João VI. Em razão da longevidade desta Madame Pillar, eu reportar-me-ei à época posterior ao período de governância do esposo de Dona Carlota Joaquina, denominado Primeiro Império, liderado pelo magnânimo d. Pedro I do Brasil; e ao tempo longevo do Segundo Império, sob a égide do seu sucessor d. Pedro II de Orleans e Bragança. Continuar a ler “A INCRÍVEL HISTÓRIA DE MARÍA JUANA PILLAR DE LA CRUZ – (I) por Wander Lourenço”

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EDIÇÃO Nº 23, DE MARÇO DE 2023

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EDITORIAL – A ARTE DA RESISTÊNCIA – por Jonuel Gonçalves

 

Fotografia de Paulo Burnay

 

Hipótese de trabalho sobre a guerra na Ucrânia *

O conflito armado na Ucrânia é um daqueles que tem várias datas de começo e não se sabe quando será a data de encerramento. Para o mundo, começou há um ano com a invasão russa, mas para os ucranianos vem pelo menos de 2014 com mudanças de poder em Kiev que desagradaram ao vizinho e às forças internas defensoras de relações especiais com ele. Continuar a ler “EDITORIAL – A ARTE DA RESISTÊNCIA – por Jonuel Gonçalves”

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ATENA – por Filomena Barata


Escrever é como fazer uma tapeçaria. Escolher um nome como Atena para uma revista é assumir também o valor a cada letra e com ela construir com palavras, com pontos e nós, uma narrativa.

Mas lá iremos, pois há que lhe contar um pouco a história da divindade.

Na Mitologia, são conhecidas as várias esposas e amantes de Zeus/Júpiter.

Entre elas, lembramos a primeira, Métis, cujo atributo era a prudência.  E recordaremos o nascimento insólito da primogénita Atena. Continuar a ler “ATENA – por Filomena Barata”

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ANTÓNIO – Cassiano Russo

Às vezes acontecia de Antônio Moura ter bloqueios criativos. Olhava para o papel e não conseguia escrever uma única palavra. Ele se sentava em frente à máquina de escrever, pensava em vários acontecimentos, porém nenhum deles lhe parecia digno de ser registrado. Nessas horas, era como se Antônio não soubesse mais transpor para o texto a vida que ele tanto admirava, o que lhe deixava à deriva de seus pensamentos a vagar pelo mundo. Era outro nessas situações de crise. Não, ele não encontrava inspiração nos momentos em que mais precisava escrever. Tinha crônicas a entregar para três jornais, sabia do que pretendia tratar, mas quando era chegada a hora do trabalho da escrita, então ele não era mais do que uma criança que ainda não conhecia as primeiras letras. Ficava horas se contorcendo em cima de uma frase, que ele reescrevia e apagava, por não encontrar a fórmula perfeita, pois não sabia que não há perfeição nesta vida, muito menos na escrita, algo tão pessoal e único, com todas as imperfeições de cada autor em sua labuta com as letras. Não, Antônio almejava a perfeição, queria ser um deus na arte de escrever. Jamais aceitaria um texto feito de uma tacada só. Como escritor, ele buscava filigranas. Por isso passava um dia inteiro para terminar um parágrafo, que para ele estava sempre incompleto e que ia para a redação assim mesmo, porque precisava do emprego. Continuar a ler “ANTÓNIO – Cassiano Russo”

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SPAGHETTI E SOMBRINHAS JAPONESAS – por Danyel Guerra

Lisboa, 1981- Glauber Rocha tendo ao fundo um cartaz de ‘Raging Bull’, de Martin Scorsese.

   

“Ida Lupino, John Cassavetes e Glauber Rocha foram uma influência  fundamental para a minha formação. Seu Cinema continua sendo  uma inspiração para mim, enquanto cinéfilo e cineasta”   

 Martin Scorsese

 

 Feliz aniversário, Glauber!   

 Num incerto dia de um outono dos anos 70, Juan Luis Buñuel passeava por Saint-Germain-des-Prés, quando, de súbito, alguém cutucou seu ombro. Ao se virar,  logo reconheceu o cidadão. Trazia um pacote nas mãos e intimou Juan a acompanhá-lo. “Ele parecia ansioso, aflito mesmo”. Em passo acelerado caminharam até à margem esquerda do Sena. Continuar a ler “SPAGHETTI E SOMBRINHAS JAPONESAS – por Danyel Guerra”

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TEXTOSTERONAS POLITICAMENTE IN CORRETOS – por Danyel Guerra

Desabafo da mãe de Marx- Em vez de estudar o capital, meu filho deveria ganhar o capital,

De um modo geral, a política se pode comparar aqueles filmes que contêm cenas eventualmente chocantes. Só que, no caso da política, são obscenas garantidamente chocantes. Continuar a ler “TEXTOSTERONAS POLITICAMENTE IN CORRETOS – por Danyel Guerra”

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PETRARCA: AMANTE INFELIZ – por Eric Ponty

Laura e Francesco Petrarca

O idioma vernacular que ele usou ecoa em nossa linguagem própria, tanto literária como musical; e de sua personificação do amante infeliz como anti-herói se tornou um de nossos principais modelos. Petrarca foi um grande poeta lírico, mas também um psicólogo talentoso, cujas pesquisas sobre literatura das épocas e em sua própria psique o atraiu profundamente para as regiões onde a verdadeira culpabilidade e inocência são encontradas. Continuar a ler “PETRARCA: AMANTE INFELIZ – por Eric Ponty”

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