POEMAS de Júlia Moura

Foto de Paulo Burnay

CORPO DO AMOR

falar de amor é a tentativa de decifrar
o escuro divino com a intuição do âmago
esbarrar no vazio tropeçar no tudo e
inventar meio mundo dando voltas
nas estrelas caídas
mais fácil é falar do teu corpo
do teu copo
do teu sopro de natureza cálida

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Sleeping Beauties – por Paulo Burnay

 

 

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PAULO BURNAY

Nasceu em 1957, no mesmo ano do Bin Laden, do Rui Veloso e da RTP.

Aos nove anos começou a roubar pedaços de luz para dentro de uma Diana, a célebre máquina da Farinha Amparo. Assinou então o seu primeiro filme com generosas dedadas, durante a luta de uma hora, às escuras, para o enfiar dentro do tanque de revelação, e ficou para sempre viciado no cheiro a fixador que lhe impregnou as mãos.

Ainda anda por aí a roubar pedaços de luz.

ARQUÉTIPOS por Marilene Cahon

 

O termo “arquétipo” origina-se na Grécia antiga. As palavras raiz são archein que significa “original ou velho” e typos que significa “padrão, modelo ou tipo”. O significado combinado é “padrão original” do qual todas as outras pessoas, objetos ou conceitos são derivados, copiados, modelados, ou emulados.

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RECENSÃO CRÍTICA AO ROMANCE ESPADA DE SANTA MARIA, DE CÉSAR ALEXANDRE AFONSO por Marisa Luciana Alves

Afonso, César Alexandre (2014). Espada de Santa Maria, Lisboa, Chiado Editora

Espada de Santa Maria, da autoria de César Alexandre Afonso (Psicólogo na Polícia Judiciária), é um romance publicado pela Chiado Editora, que, a meu ver, deixa um legado indelével na literatura portuguesa, no que respeita aos romances históricos. Continuar a ler “RECENSÃO CRÍTICA AO ROMANCE ESPADA DE SANTA MARIA, DE CÉSAR ALEXANDRE AFONSO por Marisa Luciana Alves”

PEDRA, CAL E SOL por “Mau Feitio”

Nasci…

Adoptou-me uma mãe com cabelos loiros de seara

e corpo tapete de carne verde

Tive beijos de resina

e raízes de sobreiro

Parti…

Tive infernos de betão

Banquetes de ilusões

Catedrais sem Deus

E clareiras de solidão

Voltei…

Sou daqui.

ATHENA – Mito & Cultura – por Paulo Ferreira da Cunha

Desenho de Athena@ Paulo Ferreira da Cunha

O Mito é o nada que é tudo

Fernando Pessoa, Mensagem

1.Um Projeto Cultural

Não haverá certamente melhor nome para uma revista de cultura que o de Athena. Para mais uma revista eletrónica, em que o pensamento e a arte se associam naturalmente, indissoluvelmente, à ciência e à técnica. Assim como Athena simboliza a aliança perfeita das mãos e do espírito[i]. Continuar a ler “ATHENA – Mito & Cultura – por Paulo Ferreira da Cunha”

AS “APARIÇÕES” DE FÁTIMA, 1917 – por Joaquim Fernandes

ENTRE O REAL E O IMAGINÁRIO

Breve esquisso histórico das “mariofanias” 

 

A “Senhora vestida de branco” tem uma milenar cronologia e, antes de Fátima e de 1917, estão registados alguns milhares de alegadas “aparições” marianas. A tradição ocidental reivindica uma primeira manifestação da Virgem Maria de Nazaré, ainda em vida desta, no dia 12 de Outubro do ano 40 da era cristã, em Saragoça, norte de Espanha, ao apóstolo Tiago, irmão de João Evangelista. Neste caso tratar-se-ia de um fenómeno de bilocação (estar em dois lugares em simultâneo), em que “a Virgem aparece acompanhada de anjos, sentada num trono de luz, circundada por nuvens diáfanas no momento em que Tiago orava”. Continuar a ler “AS “APARIÇÕES” DE FÁTIMA, 1917 – por Joaquim Fernandes”

LA RAGAZZA DAS CASTANHAS ASSADAS – por Danyel Guerra

“Cá fora é o vento e são as ruas varridas de pânico,

é o jornal sujo embrulhando fatos, homens e comida guardada”

Carlos Drummond de Andrade

A vez primeira que provei castanhas assadas aconteceu na convicta cidade do Porto, numa tarde outonal, céu forrado de tons plúmbleos, um sábado pejado de humor ranzinza, carrancudo, receando chuva iminente e copiosa. Eu descia a Rua de Passos Manuel, saído de “uma matinê no Cinema Olympia, no Cinema Olympia” onde vira um western spaghetti rodado em…Espanha. Mas não era C’era una volta il West, do Sergio Leone. Chegando à Rua de Santa Catarina, em frente do Café Majestic, quase esbarrei num carrinho, parecido com aqueles de algodão doce e de pipocas. Continuar a ler “LA RAGAZZA DAS CASTANHAS ASSADAS – por Danyel Guerra”

O MAAT visto por José Boldt

 

 

 

José Boldt

Nasceu no Porto, mas foi Lisboa que o viu crescer Balança de signo. É simpático, um bom amigo, inteligente, trabalhador, talentoso, muito modesto…e mentiroso. A sua paixão a Fotografia, e outras paixões que não vêm a propósito. Gosta de sol, do Alentejo e de preguiça em partes iguais. Odeia certezas, discursos políticos e biografias por encomenda.

Entre outras, realizou três exposições na Union Assurances de Paris, na Galeria Quadrante, obteve um 2.º prémio no concurso fotográfico da Escola de Artes António Arroio. Escreve aqui:

http://wwwescrevercomluz.blogspot.pt/
http://escrevercomcor.blogspot.pt/

DE FREUD A JUNG, ERA UMA VEZ DANTE ALIGHIERI – por Marilene Cahon

No Monte Olimpo, Zeus, observando a curva geodésica, decidira alterar a lei das três unidades, retirando do Conhecimento as noções de ação, tempo e lugar. Desaparecidas essas realidades, o movimento passou a ser atemporal, permitindo a interação das relações humanas em todos os espaços possíveis.

Divertia-se com as confusões que eram geradas. Seu riso ecoava pelo universo. Quem estava apreensivo e nem um pouco feliz era Khronos. Ao contrário, Kairôs sentia-se cada vez melhor. Aion, por sua vez, chocou-se e emudeceu. Continuar a ler “DE FREUD A JUNG, ERA UMA VEZ DANTE ALIGHIERI – por Marilene Cahon”

A PERVERSIDADE DO MARKETING DE CAUSAS – por Paula Costa

Entre tantos dias com efeméride e semanas temáticas, globalmente já se instituiu que Outubro é o mês do cancro da mama.

Sem querer desmerecer a causa – à qual por razões pessoais sou até bastante sensível -, como marketeer não posso deixar de reconhecer que a campanha Breast Cancer Awareness (BCA) é um excelente exemplo de bom marketing. Continuar a ler “A PERVERSIDADE DO MARKETING DE CAUSAS – por Paula Costa”

ARTE RUPESTRE – EXPRESSÃO DA CELEBRAÇÃO, DO SIMBÓLICO E DO RITUAL – por Diniz Cortes

NUMA CURTA VIAGEM PELA BIO ARQUEOLOGIA HUMANA IBÉRICA E PELOS ABRIGOS PINTADOS DO NEO-CALCOLÍTICO PORTUGUÊS.

  • Arte Rupestre
    Arte Rupestre
    Arte Rupestre

A expressão artística humana na Península Ibérica tem início, fundamentalmente, nos primórdios da colonização pela nossa espécie, o Homo sapiens, embora haja indícios de manifestações artísticas levadas a cabo por outro ramo evolutivo de hominídeos, que, na Europa, foi contemporâneo do nosso, o Homo neanderthalensis. A arte pré-histórica, lógica e conceptualmente de origem e expressão humana, tem uma base comunicacional criativa expressa e/ou simbólica mas, acima de tudo, marca um tempo, um território, um conceito ou um espaço. Continuar a ler “ARTE RUPESTRE – EXPRESSÃO DA CELEBRAÇÃO, DO SIMBÓLICO E DO RITUAL – por Diniz Cortes”

BREVES NOTAS SOBRE O FILME “MAFIOSO QUANTO BASTE”* – César Alexandre Afonso

* Filme “Find me Guilty”, de Sidney Lumet

Video de Ben Stiller

Todos os caminhos se devem iniciar pelo questionamento das razões pelas quais pretendemos percorrê-los (O grande Poeta José Régio no seu magistral poema Cântico Negro referia-se à revolta da escolha – Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam os meus próprios passos… Se ao que busco saber, nenhum de vós responde, Por que me repetis: «vem por aqui»?). Continuar a ler “BREVES NOTAS SOBRE O FILME “MAFIOSO QUANTO BASTE”* – César Alexandre Afonso”