El rol del niño dentro del cine – por Claudia Vila Molina

El rol del niño dentro del cine: un producto de las condiciones sociales y políticas del contexto.

Charlie Chaplin e Jacquie Coogan no filme “The Boy”,

Las películas seleccionadas tienen como eje fundamental la figura del niño y  se desea demostrar cómo este arquetipo se desarrolla de diferentes maneras en los films The Kid de Charles Chaplin, El acorazado del Potemkin de Serguei M. Eisenstein y Alemania año cero de Roberto Rossellini. Continuar a ler “El rol del niño dentro del cine – por Claudia Vila Molina”

MODA INTEMPORAL – sobre o erótico – por Eric Ponty

Jardim das Delícias Terrenas by Hieronymus Bosch

Este artigo se dá por meio duma reflexão, como a forma erótica se perfez ao longo dos séculos, por uma forma velada que beira a pornografia quando ouvimos, por exemplo esse versos que refiz por serem tão chulos não merecem reprodução que ouvi por acaso na minha morada, não sei quem são seus autores de péssimo gosto baixo nível cuja decadência ressoa nos rádios do Brasil demostrando quanto pertinente se faz a reflexão Adorniana, quando esse reflete, aqui o parafraseamos em que “quando mais totalitária for sociedade em que vivemos tanto mais reificado será também o nosso espírito, e tanto mais paradoxal será nosso intento de escaparmos dessa reificação. Mesmo a mais extremada consciência do perigo corre o risco de degenerar em reflexão vazia; contudo vamos aos dois versos chulos que ressoam na rádio do Brasil. Continuar a ler “MODA INTEMPORAL – sobre o erótico – por Eric Ponty”

A CULTURA COMO PRODUÇÃO DE SI E DO OUTRO (conclusão)- por Francisco Traverso Fuchs

Keith Jarrett – The Köln Concert (foto: Wolfgang Frankenstein)

(Clique AQUI para ler a 1ª Parte)

  1. Cultura como resolução de problemas

Embora possua aspectos sombrios, a cultura é muito mais do que uma fonte permanente de conflitos. Uma cultura pode ser descrita como uma maneira peculiar de propor e solucionar problemas. Desse ponto de vista, a riqueza da chamada diversidade cultural nada mais seria do que a expressão da variedade de soluções propostas pelas diversas culturas. Por exemplo, diferentes estratégias de caça e de coleta e, posteriormente, diferentes técnicas de plantio e de pastoreio fornecem soluções distintas ao problema da alimentação; técnicas de combate propõem soluções para o problema da guerra, e técnicas de cura propõem soluções para os problemas de saúde.

A diversidade de problemas a resolver conduz a uma crescente especialização. Sejam quais forem as técnicas de cura, elas serão praticadas, a depender da cultura, por um xamã, um sacerdote, um médico e assim por diante; mas será pouco provável que um guerreiro se ocupe dessas mesmas técnicas. Em muitas culturas primitivas, diferentes problemas são resolvidos exclusivamente por homens ou por mulheres: por exemplo, a caça e a coleta, a fabricação de armas e de utensílios domésticos.[1] A mitologia dos povos indo-europeus descreve a divisão dos membros dessas sociedades em três funções bem demarcadas: soberania, força e fecundidade.[2] Quanto mais complexo for um campo social, maior será a diversidade de problemas e a especialização de seus membros.

  1. Os problemas recorrentes

Um problema que jamais recebe uma solução definitiva é um problema recorrente. Todo ser vivo, sendo um sistema relativamente fechado, precisa repor periodicamente os nutrientes que possibilitam a manutenção de seu metabolismo; assim, a nutrição é, para o vivo, o problema recorrente por excelência. Outro problema recorrente comum a muitas espécies animais é a preparação dos filhotes para a vida adulta. Esse problema reveste-se de especial importância na espécie humana, cujos filhotes requerem um longuíssimo tempo de maturação e aprendizado.[3] Esse problema acabou dando origem a uma nova função especializada, a de professor. O problema do aprendizado é recorrente porque se repete a cada geração, mas também porque, tal como o problema da nutrição, sua resolução depende da continuidade de uma série de esforços intermitentes, geralmente diários, que podem se estender por vários anos e mesmo durante toda a vida.

O conceito de problema recorrente implica, portanto, um paradoxo. É incomum que alguém almoce duas vezes, ou estude novamente uma lição já aprendida. Cada solução particular dada a um problema recorrente faz parte do passado e nem sempre poderá ser revertida; ao mesmo tempo, nenhuma solução particular irá jamais abolir o problema. Sempre será possível mudar os hábitos alimentares, solucionando o problema da nutrição de maneira diversa. Uma lição já aprendida poderá ser examinada novamente a partir do surgimento de novos dados ou novas perspectivas. Assim, ainda que cada cultura descreva a si mesma como a cultura por excelência, ou seja, como aquela que forneceu as melhores soluções possíveis a todos os problemas do universo, estes estarão sempre abertos a novas estruturações e a novas soluções.

  1. Cultura e aprendizado

A competência cultural – a compreensão da língua e dos valores que caracterizam uma cultura – é adquirida durante a infância e a adolescência. Pode-se dizer, de maneira simplificada porém rigorosa, que é dando ouvidos aos outros que a criança aprende a falar e a comportar-se como um membro de sua cultura.

Ao aprender uma língua, entretanto, a criança faz muito mais do que assimilar os valores de uma determinada cultura: ela passa a pertencer à espécie humana.[4] A aquisição de uma linguagem produz as conexões cerebrais que permitirão o desenvolvimento cognitivo e a interação social.

Os limites do aprendizado e da interação social não estão predeterminados. A aquisição de linguagem e a socialização geralmente dão-se no seio de uma cultura particular, mas nada impede, ao menos em teoria, que os horizontes da  criança se ampliem com o passar do tempo. Além de escutar seus pais, irmãos, parentes, amigos, vizinhos, professores e assim por diante, ela poderá aprender a ler e a dar ouvidos a homens de outras épocas e de outras culturas. Ela poderá inclusive aprender outras línguas e aprofundar, tanto quanto possível, sua compreensão de outros modos de sentir e de pensar. Uma cultura não é, ou não é necessariamente, uma clausura.

  1. Cultura e aprendizado escolar

Nem os melhores professores do planeta conseguirão ensinar a um aluno aquilo que ele se recusa a aprender. Para aprender seja lá o que for, é preciso, em primeiro lugar, que o aluno dê ouvidos a seu professor. Se os alunos ficam a conversar durante a aula, levarão para casa, como “conteúdo”, apenas o que foi dito entre eles durante a conversa; e tudo permanecerá na mesma se, uma vez em casa, eles não derem ouvidos aos livros escolares.

Mas o aprendizado escolar não se confunde com uma simples transferência de “conteúdos”. Bons professores não apenas ensinam os “conteúdos” de suas respectivas disciplinas, mas ensinam, sobretudo, a estabelecer e resolver problemas. E o bom aluno não é aquele que apenas reproduz a resposta correta, tal qual está registrada no caderno do professor ou no livro escolar, mas aquele que consegue desenvolver, por sua própria conta, o raciocínio que conduz a ela. “É evidente no caso de uma operação matemática. Podemos acompanhar um cálculo sem refazê-lo por nossa conta? Compreendemos a solução de um problema a não ser resolvendo-o nós mesmos?”[5]

Dar ouvidos, portanto, é muito mais do que escutar o mestre e memorizar o que ele diz. Esse modelo pode funcionar com crianças pequenas que estão a decorar a tabuada ou as conjugações verbais. Mas é somente em níveis superiores de complexidade que o dar ouvidos revela todo o seu potencial: por exemplo, quando arqueólogos e paleontólogos atentam aos vestígios que a terra oculta, quando o bioquímico investiga as vias metabólicas, quando o historiador interroga suas fontes e assim por diante. Nesse sentido, toda ciência é um dar ouvidos e uma variante dessa atenção à vida de que falava Bergson.

  1. Cultura e esforço

A palavra latina cultura remete ao cultivo: em primeiro lugar, ao cultivo da terra, à agricultura; ao cultivo do espírito (cultura animi philosophia est), mas também do corpo; e, por fim, ao culto (veneração). Culto é o homem que cultiva, inclusive a si mesmo, mas também o homem que cultua (que cultiva uma religião) e o solo cultivado. Não há cultivo sem esforço. Plantas crescem muito bem por sua própria conta, e já sabiam fazê-lo muito antes que surgisse algo semelhante a um homem; mas cultivo não é coleta, e antes de trabalhar na colheita o agricultor terá de preparar e adubar a terra, plantar as sementes, irrigar a plantação e impedir que pragas a devorem. Do mesmo modo, o pensador que cultiva problemas, bem como o atleta que cultiva músculos, só realizam seus objetivos por meio de esforços sempre renovados.

Um aluno não pode estudar no lugar de outro, e um atleta não pode exercitar-se no lugar de outro. Nesse sentido, todo esforço é individual. Ao mesmo tempo, a cultura é uma continuidade de esforços individuais encadeados ou coordenados entre si. Há coordenação quando esforços individuais se coadunam e se prolongam em esforço coletivo; numa cirurgia, numa linha de produção fabril ou num time de futebol profissional, há esforço coordenado e trabalho de equipe. Mas mesmo onde não existe, a rigor, um esforço coordenado ou um trabalho em equipe, há um encadeamento de esforços. Só existem atletas e estudantes capazes de esforçar-se individualmente porque a geração anterior dedicou-se a educá-los, e a geração anterior só pôde educá-los porque também foi cuidada e educada, por sua vez, pela geração precedente.

  1. Cultura como produção de si e do outro

Raras são as circunstâncias nas quais é possível dizer que um homem produz diretamente o outro. Por exemplo, pode-se dizer que o cirurgião que realiza um transplante de coração produz, efetivamente, seu paciente. É verdade que, mesmo nesse caso, a cirurgia não será bem sucedida se o corpo do operado não reagir ativamente ao procedimento; mas o paciente jamais poderia operar a si mesmo, e é impossível atribuir-lhe mérito pelo sucesso do transplante. O coração doente, contudo, jamais teria sido substituído por um saudável se o médico que realizou a operação não houvesse, em primeiro lugar, produzido a si mesmo como cirurgião. Muitos anos de estudo e de treinamento foram necessários para que ele se tornasse capaz de entrar numa sala de operações e realizar uma cirurgia. Sem esse esforço de autoprodução, não existiria cirurgião, transplante ou cura. Se chegou a haver produção do outro, é porque houve, antes de mais nada, produção de si.

É essencial notar, entretanto, que a produção de si ocorrerá mesmo na ausência de esforço, ou seja, mesmo na ausência de uma atividade finalista, consciente e deliberada. Assim como o atleta se produz como atleta por meio de exercícios, o sedentário se produz como sedentário sem realizar nenhuma atividade em especial. O conceito de cultura como produção de si não exclui a atividade consciente e finalista, mas também não faz dela uma condição imprescindível ao processo de autoprodução. Querendo ou não, tentando ou não dirigir o processo de autoprodução, o homem não faz outra coisa senão produzir a si mesmo.

A produção do outro é igualmente inelutável. Minha autoprodução afeta a produção do outro. Se eu me formo em medicina, estarei produzindo para o outro um mundo no qual ele terá, ao menos em teoria, uma chance a mais de receber cuidados médicos. Se eu me produzo como explorador e derrubo uma floresta, estarei produzindo, para o outro, um mundo mais pobre em poesia e em recursos biológicos. Por outro lado, ao me produzir como alguém que produz um bem ou mercadoria, não estou produzindo uma simples “coisa”, um “objeto”; estou, na verdade, produzindo uma ação virtual sobre outro homem. Ao produzir a mim mesmo, e também ao produzir mercadorias ou serviços, estarei produzindo o mundo no qual o outro produz a si mesmo.

  1. O que é cultura?

Em seu livro sobre Nietzsche, Deleuze diz que a cultura é a “atividade genérica” do homem, ou seja, uma “atividade do homem sobre o homem”.[6] Deleuze refere-se a um tema que Nietzsche abordou em sua Genealogia da Moral: a atividade genérica da cultura como adestramento, e seu objetivo mais geral, a produção do homem capaz de prometer. A visão nietzscheana da cultura mescla antropologia (os rituais de iniciação como rituais de crueldade, isto é, adestramento violento das forças reativas) e um propósito elitista (a finalidade mais alta da cultura é a produção do artista e do filósofo).[7]

A fórmula ou definição que estou propondo é, sem dúvida, bastante semelhante a essa: cultura é a ação do homem sobre o homem para produzir o homem. As diferenças, no entanto, são bem grandes. Em primeiro lugar, a “ação do homem sobre o homem”, nessa concepção, é também (e principalmente) ação de si sobre si mesmo. Em segundo lugar, ela também inclui a ação virtual do homem sobre o homem. Em terceiro lugar, ela não constitui, a despeito das aparências, uma antropologia. A rigor, a cultura humana não passa de um caso particular dessa produção de si e do outro que define a cultura.

  1. O vivo como lance de dados

“Cada indivíduo histórico”, afirmou Gabriel Tarde, “foi um projeto de uma nova humanidade”.[8] Não se poderia igualmente dizer que cada ser vivo foi um projeto de uma nova espécie? Ao produzir a si mesmo, cada ser vivo (e não apenas cada ser humano) atualiza, à sua maneira, o problema recorrente da vida. É como se cada um dos seres vivos retomasse e relançasse, a partir de seu ponto de vista único, singularíssimo, toda a história da vida.

Do mesmo modo, a criação de um conceito filosófico sempre acaba retomando e relançando os dados da própria filosofia. É o que ocorre com o conceito filosófico de cultura, que acaba reencontrando e reeditando um dos mais antigos problemas filosóficos. Afinal, qual seria o sentido da vida senão a produção de si mesmo?

A potência e o caráter inelutável desse pensamento chamam a atenção. Aqueles que pensam a si mesmos como membros de uma determinada cultura não poderão ignorar que sua cultura só irá perpetuar-se caso seus membros se produzam como membros daquela cultura. Aqueles que acreditam num Deus como sentido último da existência não poderão ignorar que o homem religioso e obediente aos mandamentos divinos não nasce pronto, mas precisa, bem ao contrário, produzir-se como tal. E mesmo aqueles que não crêem que a vida possa ter um sentido qualquer continuarão, a despeito disso, produzindo a si mesmos até o fim de suas vidas. O conceito de cultura como produção de si e do outro é verdadeiramente universal e exprime um aspecto irredutível da própria realidade: “esta criação de si mesmo que parece ser o próprio objeto da vida humana”.[9] E não só da vida humana; até marcianos, caso existam, produzem a si mesmos.

  1. Cultura e ética

Pensar a cultura como produção de si e do outro equivale a penetrar, de chofre, na dimensão ética. Quando compreendo que sou responsável pela produção de mim mesmo; que a produção de mim mesmo afeta não apenas a mim, mas a todos os outros; que existe solidariedade entre as gerações atuais e passadas; que a autoprodução põe em pé de igualdade todos os homens e todos os seres vivos, ou seja, todas as diferenças, todas as vozes, todas as tonalidades da alma, não há mais como recuar da vida ética. Ao que tudo indica, o pensamento da cultura como produção de si e do outro constitui um caminho indireto, porém efetivo, para solucionar o difícil problema ético.

O conceito de bárbaro é correlato às concepções antropológica e elitista de cultura; e sua pertinência é, nos dias de hoje, amplamente contestada. Qualificar como “bárbaro” o culturalmente “outro” e o “ignorante” fere a sensibilidade moderna. Por outro lado, o conceito de cultura como produção de si e do outro traz consigo uma possibilidade de ultrapassar os conflitos entre culturas, ao indicar a existência de uma tarefa comum a todos os seres humanos de todas as culturas. Assim, não seria natural esperar que, nessa perspectiva, o conceito de barbárie se torne caduco e simplesmente desapareça?

Na verdade, é exatamente o contrário. Porque os dois conceitos são correlatos, uma renovação do conceito de cultura implica uma renovação do conceito de barbárie. Na concepção filosófica de cultura, no entanto, o bárbaro apenas deixa de ser o barbarófono, aquele que mal fala ou não fala a língua culta, o outro, o estrangeiro, o ignorante, e torna-se aquele que não ouve, aquele que não dá ouvidos.

NOTAS

[1] CLASTRES, Pierre. L’Arc et le Panier, IN La société contre l’État, op. cit., pp. 88-111.
[2] DUMÉZIL, Georges. Heur et malheur du guerrier. Paris, PUF, 1969, p. 12. Os códigos de cores das vestimentas, vigentes durante milênios e que, de um modo ou de outro, ainda perduram (le rouge et le noir, blue collars/white collars…), devem-se inteiramente a essas divisões sociais. “Segundo as tradições indo-iranianas, a sociedade organiza-se em três classes de atividade: sacerdotes, guerreiros, agricultores. Na Índia védica essas classes chamavam-se “cores”, varna. No Irã, elas têm o nome pistra, “ocupação”, cujo sentido etimológico também é “cor”. É preciso tomar a palavra em sua acepção literal: são, efetivamente, cores. É pela cor de suas roupas que, no Irã, as três classes se distinguiam — o branco para os sacerdotes, o vermelho para os guerreiros, o azul para os agricultores, em virtude de um simbolismo proveniente de antigas classificações conhecidas em muitas cosmologias, associando o exercício de uma atividade fundamental com uma determinada cor, que está ligada, por sua vez, a um ponto cardeal.” BENVENISTE, Émile. Op. cit., Vol. 1, p. 279.
[3] MORIN, Edgar. Le paradigme perdu: la nature humaine. Paris, Éditions du Seuil, 1973, p. 95.
[4] “Privé de culture, sapiens serait un débile mental, incapable de survivre sinon comme un primate de plus bas rang; il ne pourrait même pas reconstituer une société de complexité égale à celle des babouins e des chimpanzés.” MORIN, Edgar. Op. cit., p. 100.
[5] BERGSON, Henri. L’Energie Spirituelle, IN Oeuvres, Paris, PUF, 1984, p. 943/169. Joseph L. Mankiewicz, diretor e roteirista do filme All about Eve, ilustra brilhantemente esse ponto num diálogo entre Lloyd Richards, autor teatral, e Margo Channing, a atriz que trabalha em sua peça:
LLOYD: I shall never understand the weird process by which a body with a voice suddenly fancies itself as a mind! Just when exactly does an actress decide they’re her words she’s saying and her thoughts she’s expressing?
MARGO: Usually at the point when she’s got to rewrite and re-think them to keep the audience from leaving the theater!
[6] DELEUZE, Gilles. Nietzsche et la Philosophie. Paris, PUF, 1983, p. 154.
[7] DELEUZE, Gilles. Op. Cit., p. 125.
[8] TARDE, Gabriel. Les Lois Sociales. Paris, Félix Alcan, 1898, p. 148.
[9] BERGSON, Henri. Op. Cit., p. 837/31.

♦♦♦

Francisco Traverso Fuchs descobriu que o tabaco não torna em fumaça as mágoas, e trocou-o pelo chimarrão. No entanto, devido aos muitos anos de tabagismo, sofre de lapsos de memória relativos à mais recente reforma ortográfica. É mestre em filosofia pela UFRJ.

Leia a 1ª parte AQUI

Waldemar Bastos – guitarra, voz, canção! – por Hilton Fortuna Daniel

Não me lembrando exactamente do dia – mas do facto – podendo ter sido numa terça, quarta, sexta-feira – talvez num sábado – à hora do almoço, estava eu a trabalhar. Cerca de uma vintena de restaurantes dos dois lados da mítica Rua Augusta adornavam o percurso dos turistas americanos, britânicos, italianos, franceses, nórdicos, belgas, japoneses, chineses e espanhóis, numa aglomeração à indiana à procura da inigualável sardinha à portuguesa e do melhor daquela culinária. Boa aura.

Trabalhava quase sempre das 11h da manhã às 2 horas da madrugada como maître. A nossa missão era persuadir os turistas – ou não precisamente – a ingressar no restaurante correspondente a cada um de nós. Se o cliente aderisse ao menu, seria um golo marcado de livre, direito a gorjeta. Se o perdêssemos: autogolo. Éramos estimulados até a «vender a banha da cobra» a uns quantos fregueses pitiáticos, aqueles que se deixavam persuadir por qualquer conversa fiada. «Mas a sardinha é fresca, é de hoje?». Digam de vossa justiça, caros leitores, se a vossa resposta seria: «Não, não, não, nem de ontem é. É da semana passada»! Dizer a verdade podia custar-me o emprego, então, era encontrar um meio-termo para que saíssem satisfeitos.

O ‘meu restaurante’ ficava ao lado de outro cujo maître (de uma aparência que denunciava um típico lisboeta de Alfama, do Bairro Alto ou da Mouraria) falava inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, holandês e, se eu duvidasse, desenhava-me tudo em português: era um CR7 com a boca. Antes de os clientes chegarem ao «meu», vindos do sentido «Restauradores», passavam pelo grande Cristiano Ronaldo. Por vezes, atónito, perdia-me a observá-lo a trocar de língua quando descobrisse que o interlocutor, afinal, não falava aquela, mas outra língua.

Nessa terça, quarta, sexta-feira – talvez num sábado – à hora do almoço, estando eu a trabalhar, vi, a vinte metros de mim, um cavalheiro alto como se tivesse vestido de “Preta Luz”. Seria turista? Aproximou-se e zás! Surpreendi-me! Propus-me a um destemido aceno, mas saiu-me uma timidez que me é própria. Temia ser ignorado, confesso. Mas, num ápice, lembrei-me de ter sido bem acolhido pelo grande músico Jorge Aragão, e a minha coragem gravitou neste trunfo. Entre arriscar e arrepender-me, apostei no primeiro verbo. Os meus colegas, portugueses e brasileiros, ignoravam a imponência do nome que me ouviram vozear por duas vezes.

– Waldemar Bastos!? Waldemar Bastos!?

Ainda que, inicialmente, desconfiado, olhou – por milésimos – para a inocência dos meus olhos através dos quais acedeu às minhas mais imaculadas intenções. E como se me tivesse reconhecido de algum lado, como se tivesse voltado aos seus tempos de ingénua travessura na sua cidade natal, Mabanza-Congo, simpaticíssimo, ripostou:

– Oh! Ooolllááá! Está tudo beeeeem? O que fazes aqui?

Foi mesmo assim que se dirigiu a mim. Confirmava: era aquele o autor dos versos «para quê tanta dor, para quê tanto ódio?, se somos irmãos, e temos, e temos e temos que dar as mãos».

– Trabalho neste restaurante, sou anfitrião, tal como todos os de camisa branca e calças pretas nesta rua.

– Mas… E fazes mais o quê?!

– Sou estudante. Vim cá para estudar. As dificuldades fizeram-me sentir a atravessar o inferno descalço, por isso, trabalho aqui e acolá para me manter vivo. Mas queria também lhe dizer que sou seu admirador confesso, ouço as suas músicas sempre, acompanho a sua carreira.

Julgo eu que Waldemar Bastos, até aí, vira que se tratava de um comum admirador. Era-o e sou-o ainda. Quando ia despedir-se de mim, ouviu o que – vos posso fazer crer – não esperava de um rapaz cujo aspecto sugeria um inocente, imberbe, bairrista e nada apreciador de world music ou folk:

– Waldemar Bastos, parabéns, eu sei que Thomas Moon (um reconhecido músico saxofonista, escritor e crítico de música norte-americano) o elegeu para figurar no seu livro “1000 Recordings to Hear Before You Die (mil gravações para ouvir antes de morrer)”, ao lado de lendas como Leonard Cohen, os Beatles e seus membros, Aerosmith, Beethoven, Chopin, Mozart, Bach (o meu músico preferido, entre os clássicos), Ray Charles, Manu Dibango, S. Wonder, Djavan, Bob Dylan, Bob Marley, Missy Elliott, Eminem, Cesária Évora, Fela Kuti, Salif Keita, Nina Simone, Aretha Franklin, Marvin Gaye, M. Jackson, Pavarotti, Queen, Amália, 2 Pac, João Gilberto, Guns N’ Roses, Caetano Veloso, Juan Luis Guerra, centenas de referências do hip-hop, da pop music, do folk e sobretudo do rock e world music, sendo a sua canção “Sofrimento” do álbum Preta Luz eleita um marco. Sei que as suas músicas, tal como a “Balumukeno” de Bonga, constam da banda sonora do filme Sweepers, de 1998.

Orgulhoso, talvez surpreendido, sorrindo, pendeu a cabeça em minha direcção e sentenciou:

– Não vamos fazer uma fotografia para recordação?!

Fizemo-la… E umas três. Despedimo-nos e foi-se embora, foi desaparecendo aos poucos por entre a multidão que se amiudava como um sol poente a pretender descansar por trás das praias da Linha de Cascais.

– Quem é Ele, Hilton? Os teus olhos brilhavam, mal conseguias falar! Quem é?!

A resposta era óbvia, a que vocês, caros leitores, possam imaginar: comedida, mas endeusada. Parece paradoxal? A vida é feita de paradoxos. O mesmo paradoxo que o impediu de resplandecer no seu berço, mas permitiu-lhe luzir como lua a ressignificar dias tristes como breu pelo mundo fora. Como estrela, cintilou nos EUA, no Canadá, Reino Unido, na Alemanha, em Portugal, França, em qualquer lugar, menos onde mais o desejou, qui-lo porque não se consideraria realizado se os seus não o (ou)vissem.

Volvidas mais ou menos duas horas, lembro-me como se fosse ontem, Waldemar Bastos reapareceu como sol das seis dentre a multidão que vinha do sentido Praça do Comércio, com uma caneta e um disco às mãos. Autografou-mo aí mesmo ao lado dos colegas, falamos um pouco, trocamos contactos e convidou-me a assistir a um concerto seu daí a poucos dias, num dos auditórios da Calouste Gulbenkian, instituição que viria a dar-me uma bolsa de estudo no ano seguinte.

Convidei duas amigas, doutorandas, à época: uma italiana e outra portuguesa. Não declinaram, fomos, às 21 horas. Pelas nacionalidades, parecia uma abertura dos Jogos Olímpicos da Avenida de Berna.

Leitores, silêncio, silêncio…! Iniciava-se o concerto numa sala a rebentar pelas costuras.

GUITARRA, VOZ, CANÇÃO!

Lembro-me de que, embora tivesse começado a dedilhar pela segunda corda da guitarra, de cima para baixo, inaugurava a sua apresentação em “Dó Menor”.

Aquela voz potente, que trespassava as barreiras de um palco a céu aberto, a sua voz e guitarra que embalavam as copas das árvores e inibiam os apartes dos que tagarelavam, aquela voz que ressoava num alcance que evocava Freddie Mercury ou Sinatra, aquela voz era dEle. Quem não dançou, quem não se surpreendeu, quem não, quem não?!

Reza a lenda que WB abusava das “High Notes” que se evadiam de qualquer sala, daquela extensão vocal cujo timbre era invulgar, daquela musicalidade absolutamente sinestésica, daquelas letras à dimensão de Angola, de África e daqueles agudos, apenas para que – tal como reflecte a imagem – um dia pudéssemos olhá-lo de baixo para cima como uma estrela que atingiu a imortalidade. Olhamo-lo como os terráqueos desbravam os anjos entre as estrelas de um céu agora cheio de incertezas.

Todavia, as circunstâncias da vida fazem-nos crer que nos revestimos, quase sempre, de um espírito de «necrofilia», não no sentido insano e morto da palavra, mas por tendermos a adorar, venerar e idolatrar como última gota no oásis os feitos dos nossos a título póstumo. De Angola, não faltaram palavras repletas de boas intenções para o glorificar agora, até verbos ainda não inventados serviram para falsear um sentimento que lembra o «nada». Não se sabe se é por isso que «necrofilia», com o sentido atribuído aqui, rima com «hipocrisia». Não se sabe, vai-se lá saber!

O seu legado vai ser estudado nas universidades, retratado em livros, artigos académicos, será tema de palestras e conferências por várias gerações que, um dia, perceberão que só um anacronismo estonteante explicaria o facto de uma lenda como WB viver num período incompreendido como este. Fomos pequenos para a sua dimensão artística e cultural.

Uma das suas canções icónicas tem como título «Lubango», em homenagem à venerável e rica cidade do interior de Angola, onde vivi, cujo refrão é «lalipo, lalipo; lalipo, Lubango», a qual, em umbundo, significa «durmam bem, fiquem bem, Lubango», também gravada com a participação especial de um vencedor do Prémio Camões de Literatura, o grande Chico Buarque, autor da imortal canção «Apesar de você», concebida em contexto da ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985.

Se fosse realizado um filme em seu tributo, os temas orbitariam na sua genialidade e espiritualidade artística, na paixão pela guitarra, na voz desamordaçada, na saudade, na angolanidade, na resistência, na fraternidade, na verticalidade, na obstinação, mas convergiriam num único título “Waldemar Bastos, o intemporal”.

Enfim, os seus versos terão que se acostumar à orfandade a que estão sujeitos e viver sem a companhia dos acústicos com que sempre nos presenteou. As estrelas não morrem, deixam de brilhar na nossa constelação para habitar noutra talvez melhor. Waldemar Bastos fechava os seus concertos com «GUITARRA, VOZ, CANÇÃO», em «dó menor», e encerrou o seu maior concerto, que é a vida, deixando-nos em “DÓ MAIOR”.

Afinal, «lalipo», não sendo apenas eterno adeus, pode ser um até-já!

♦♦♦

Hilton Fortuna Daniel É docente de Português, linguista e escritor angolano muito desconhecido.

O CASTELO DE SAN GIGLIO – por Rosa Sampaio Torres

As origens da dinastia franco-borgonhesa “wido” (guido) nas proximidades de Colônia

O Castelo de San Giglio a Quinze milhas de Colônia

    Rosa Maria Gusmão de Sampaio Torres

 Marcelo Bezerra Cavalcanti

Depois de vários trabalhos realizados que confirmam as informações registradas por historiador e cronista da família, Giovanni di Nicolo Cavalcanti do sec.XV, mais uma vez  citamos suas palavras tendo em vista ainda confirmá-lo. Afirma Giovanni di Nicolo: Continuar a ler “O CASTELO DE SAN GIGLIO – por Rosa Sampaio Torres”

O LIVRO E A LEITURA – por Fernando Martinho Guimarães

Certas actividades são muito arriscadas. Dizer isto lembra imediatamente os desportos radicais: skate, parapente, participar ou simplesmente assistir a um programa da casa dos segredos, salto em queda livre, ver os tempos de antena dos partidos políticos em campanha eleitoral, etc. Continuar a ler “O LIVRO E A LEITURA – por Fernando Martinho Guimarães”

A CULTURA COMO PRODUÇÃO DE SI E DO OUTRO (1ª PARTE) – por Francisco Traverso Fuchs

                                                     Cueva de las Manos (Argentina)
  1. O bárbaro como barbarófono

Com um didatismo pouco comum em obras do gênero, o dicionário Le Grand Robert de la langue française (2001) adverte seus leitores de que um dos sentidos da palavra “bárbaro” (homem “incapaz de apreciar as belezas da arte”, grosseiro, bruto, ignorante) “envelheceu por causa da evolução dos juízos referentes a sociedades e culturas diferentes”. Mas se atentarmos às rubricas utilizadas nas diversas acepções do verbete barbare (“envelhecido”, “histórico”, “arcaísmo”), veremos que as marcas de caducidade estão presentes em praticamente todos os sentidos do vocábulo. Continuar a ler “A CULTURA COMO PRODUÇÃO DE SI E DO OUTRO (1ª PARTE) – por Francisco Traverso Fuchs”

DEMOCRACIAS AFRICANAS – Germano Rangel Chio Correia

Bases das democracias africanas em análise: o caso angolano em perspectiva comparada

  1. Introdução

Ao longo dos tempos, o termo “democracia” tem acarretado diversos pendores, conceitos e interpretações conforme a geografia e o contexto, no entanto, falaremos sobre as bases de uma democracia típica africana diferente da ocidental, entendida, esta última, como sendo uma democracia plena, republicana, nacional e que observa o primado pelas autarquias e referendos. Contudo, por serem diferentes entre os países africanos, registam avanços e recuos na comparação com o modelo europeu e tradicional africano, respectivamente. Continuar a ler “DEMOCRACIAS AFRICANAS – Germano Rangel Chio Correia”

O CICLO MÍTICO DE ÉDIPO – por Jaime Vaz Brasil

  “Aceitar a idéia do Complexo de Édipo sem compreender o mito e a peça de onde  Freud tirou seu nome é uma forma de aceitar a psicanálise sem tentar alcançar o seu mais profundo significado[1][1]”.      

Bruno Bettelheim

I. De Tântalo até Laio

A história do ciclo mítico de Édipo marca seu início com Tântalo[2][2], filho de Júpiter e da ninfa Plota, e considerado um amigo dos deuses. Conta a mitologia que, para testar-lhes a ubiqüidade, matou o próprio filho (Pélope[3][3]) e serviu-o em um banquete, com  grandes requintes, onde os deuses foram os convidados especiais[4][4]. A intenção, desta forma, seria ver se realmente os deuses possuíam clarividência plena, sabiam de tudo e estavam em todos os lugares ao mesmo tempo. O preço deste “teste” é bastante alto: o assassinato do próprio filho e a possibilidade de ser descoberto e punido. Continuar a ler “O CICLO MÍTICO DE ÉDIPO – por Jaime Vaz Brasil”

UM ISOLAMENTO SOCIAL FILOSÓFICO – por Luiz Henrique Santana

O que é filosofia?

Eu, minha consciência, meu eu lírico, meu alter ego, meu ser, corresponde a um tempo, a atualidade da minha existência. Nesse momento, o mundo  se encontra em um estado antifilosófico, anti-pensamento, anti-intelectualismo. O pensamento de caráter (indagativo) e questionador-reflexivo referente às estruturas nas quais a sociedade se sustenta é quase nulo, em pouco as pessoas são instigadas em construir um pensamento crítico, consistente e relevante sobre o sistema político-social-econômico-histórico-cultural e étnico vigente. Nunca a filosofia foi tão importante quanto hoje, em um tempo no qual as pessoas estão habituadas com o pensamento pronto e com os discursos rasos. Continuar a ler “UM ISOLAMENTO SOCIAL FILOSÓFICO – por Luiz Henrique Santana”

SÉANCES: DISCURSO SOBRE O INVISÍVEL – Ana Tomás

NO VALE DO SWAT,

NOROESTE DO PAQUISTÃO (i)

Paisagem Noturna I, vale do Swat, Paquistão, 2013.

Hora do silêncio, do luar e dos fantasmas, da profunda e absoluta Identidade…

Através do meu ser, mais vago do que o éter, gravitam as estrelas e os sonhos, palpitam brancas asas de Anjos, negras asas de Demónios, nublosas formas transparentes, que são árvores, flores, criaturas na sua ancestral quimera! Continuar a ler “SÉANCES: DISCURSO SOBRE O INVISÍVEL – Ana Tomás”

REFLEXÕES EM TORNO DAS PANDEMIAS – por Cecília Barreira

La fin du monde | Gao Xingjian, 2006

Há muitos anos, séculos e séculos, que se referem as pandemias, os fins do mundo, o apocalipse.

Por exemplo na obra de Peter Brannen Os Fins do Mundo de 2017 (Bizâncio, 2019) referenciam-se quase todos os apocalipses da História. A derradeira extinção daqui a supostamente 800 milhões de anos terá de ver com a impossibilidade da fotossíntese e temperaturas muito altas. A hipótese de algum cometa colidir com a Terra. Continuar a ler “REFLEXÕES EM TORNO DAS PANDEMIAS – por Cecília Barreira”

VINTE ANOS DA NONA GERAÇÃO NO BRASIL- Prólogo e Tradução de Floriano Martins

Prólogo e Tradução de Floriano Martins

NOTAS DE ACCESO

(uma galeria marginal de tipos)

Quantos personagens pontuam nossa existência com a lucidez fantasiosa de suas influências? Quantas vezes nos sentimos como protagonistas da mais absurda ficção?  Creio que mais nos identificamos com a irrealidade suposta do ficcional do que propriamente nos reconhecemos em um ou outro personagem, esta última me parecendo quase sempre uma leitura meramente intelectualizada do assunto. De fato, consideramos mais irreal nossa existência do que real a ficção. A medida da realidade estaria então no grau do relacionamento do homem consigo mesmo. Indagar “como se faz um conto”? equivale a buscar um padrão de realidade. Continuar a ler “VINTE ANOS DA NONA GERAÇÃO NO BRASIL- Prólogo e Tradução de Floriano Martins”

PODEM ADIAR O FIM DO MUNDO? – por Luiz Henrique Santana

Eu conto: os estudos literários podem adiar o fim do mundo?

A curiosidade inquieta, incomoda e, por conta disso, nos motiva na construção do conhecimento, seja ele formal ou informal. Dito isso, não faz muito tempo, uma questão foi levantada após a apresentação de alguns trabalhos de literatura. Essa questão tem me inquietado bastante. Há cerca de um ano faço parte de um grupo de pesquisa que busca, dentre os vários movimentos da literatura, como: escolas literárias e as fases da teoria literária, entender a essência constituinte da arte literária, isto é, a metaliteratura. A pluralidade de pensamentos, a inquietude e os questionamentos são as molas propulsoras do grupo. Continuar a ler “PODEM ADIAR O FIM DO MUNDO? – por Luiz Henrique Santana”

O Castelo du Grand Perron – Rosa Sampaio Torres

O Castelo du Grand Perron

O presente artigo pretende chamar a atenção do leitor para a precursora atuação republicana do intelectual e conspirador florentino Bartolomeo di Mainardo Cavalcanti – empenho republicano que obteve até mesmo o reconhecimento, paradoxalmente, de uma rainha. O artigo apresenta como pano de fundo o Chateau du Grand Perron – castelo comprado por Bartolomeo na França, que descobrimos ainda se mantém em relativo estado de conservação.

Sobre as relações de amizade entre rainha da França, Catarina de Médici, e a família Cavalcanti de Bartolomeo muito há a ser recordado.

O reconhecimento de Catarina de Médici aos membros da família Cavalcanti – especialmente Mainardo, pai, e seu filho Bartolomeo por terem salvado sua vida quando ainda uma criança é assunto de relevância histórica, merecedor de estudos aprofundados. A pequena Catarina esteve refém nas mãos de revolucionários radicais republicanos quando dos episódios da Republica Florentina de 1530-37, tema já abordado em nossos artigos “Médici x Cavalcanti”, “Bartolomeo Cavalcanti” e “Conspiração Pucci & Cavalcanti” – artigos publicados em nosso blog com todas as fontes.

Em “Bartolomeu Cavalcanti” mencionamos que revoltosos mais radicais ameaçaram a pequena Catarina de ser baixada numa canastra nas muralhas da cidade, frente à tropa, ou mesmo de ser enviada para um bordel militar. Por fim, a muito jovem Catarina foi obrigada a desfilar no meio de turba enfurecida. Por intervenção de Mainardo e Bartolomeu Cavalcanti, lideres revolucionários, mas não radicais, a revolução fora por fim abreviada.

Catarina ao crescer tornara-se Rainha da França. Para seu casamento convidou Bartolomeu, que nesta ocasião foi até mesmo homenageado publicamente. Levara ele no cortejo do casamento de Catarina para a França sua pequena filha Lucrecia e um pequeno filho do seu parente Giovanni di Lorenzo Cavalcanti, do ramo Cavalleschi – parente que já estava também a perigo político em Florença frente aos prepotentes Médici, de ramo mais tarde migrado para o Brasil. Continuar a ler “O Castelo du Grand Perron – Rosa Sampaio Torres”

“Com Navalhas e Navios” (recensão) de Fernando Martinho Guimarães

Com Navalhas e Navios é uma colectânea, uma antologia, uma «poesia reunida», que compreende parte da produção poética de Urbano Bettencourt, desde o volume inaugural de 1972, Raiz de Mágoa, até ao livro África e Verso, de 2012. Encontramos, ainda, no seu fecho, uma série de 5 poemas dispersos. E em nota final, diz-nos o autor que deixou de fora um conjunto de poemas, principalmente dos seus dois primeiros livros, o já referido Raiz de Mágoa e o Marinheiro com Residência Fixa, de 1980. Mais nos diz que, na recolha de poemas que constitui este Com Navalhas e Navios não está a maior parte dos seus textos poéticos em prosa e algumas narrativas breves. Promete-se, nesta nota, que em devido tempo virão a lume, reunidos e reorganizados. O prometido é devido e ficamos nós, seus leitores, a aguardar. Continuar a ler ““Com Navalhas e Navios” (recensão) de Fernando Martinho Guimarães”

REVISITAR MACHADO, EÇA E KAFKA – Hilton Fortuna Daniel

REVISITAR OS SÉCULOS XIX E XX PELAS NARRATIVAS DE MACHADO, EÇA E KAFKA

  1. Introdução

Este estudo inscreve-se num quadro de análise teórico-pragmática, assumindo aqui uma visão de literatura comparada, a qual tem por objetivo revisitar o imaginário da criação artística ocidental dos séculos XIX/XX, compreender a sua influência, contribuição e transversalidade para aquilo que se afigura como momento de recessão a nível do poder de criação artística situada na literatura do século XXI. Com efeito, a literatura tem vindo a assumir uma amplitude e extensão que muito pouco de relevante transparecem para a realidade e utilidade humana nos dias atuais. Ou os séculos XIX e XX produziram o bastante, ou o século XXI não faz por merecer. Continuar a ler “REVISITAR MACHADO, EÇA E KAFKA – Hilton Fortuna Daniel”

QUE CRISTIANISMO É ESSE?- por Luiz Henrique Santana

Recentemente alguns pensamentos têm tomado conta da minha mente, tais como: de que maneira eu posso parar de me cobrar tanto, de que forma a sociedade chegou a esse ponto e que evangelho institucionalizado é esse? Confesso que este último tem me preocupado bastante! A institucionalização do cristianismo é um fato histórico que se inicia em Roma com a oficialização da doutrina cristã como a religião do Império romano pelo imperador Constantino. Penso que foi nesse ponto que os ideais do rabi Jesus Cristo começaram a se engessar, enrijecer e burocratizar. Continuar a ler “QUE CRISTIANISMO É ESSE?- por Luiz Henrique Santana”

DA DRAMATOLOGIA- PARTE I – por Castro Guedes

Comecemos por desfazer o carácter equívoco da palavra dramaturgia, usada em Portugal indistintamente entre o significado próprio (a escrita do texto teatral) e a dramatologia, expressão brasileira bem mais adequada ao estudo da lógica do texto, da análise dramatúrgica, que, muitas vezes, aparece, entre nós, como dramaturgia, à mesma. Perpendicularmente outro equívoco resulta da forma de encarar o texto teatral como literatura dramática, que, como a palavra indica, se contém como um género dentro da literatura. Coisa diferente do que é um texto para cena, a que o carácter literário se acrescenta como uma segunda qualidade, sendo a primeira a da sua funcionalidade para cena. Porque um texto para cena é, por exemplo, um texto de Shakespeare, por mais poético e literariamente valioso que seja; e é. Continuar a ler “DA DRAMATOLOGIA- PARTE I – por Castro Guedes”

RENDIMENTO BÁSICO INCONDICIONAL (RBI) – por Fernando Martinho Guimarães

Óleo sobre Tela. “Mendigos junto ao mar” de Pablo Picasso, 1903.

Apesar dos muitos problemas e falhanços sociais, políticos e económicos que vemos por este mundo fora, é inegável o progresso nas condições de acesso a uma vida melhor de muitos dos nossos semelhantes.

Estes avanços são particularmente visíveis nos domínios da saúde, da educação, na melhoria dos rendimentos e, por via disso, nos ganhos ao nível da igualdade de oportunidades e da capacidade de escolha, da liberdade.

Contudo, esta evidência não nos autoriza a acomodarmo-nos num optimismo ideológico que, por definição, esconde que muitos desses problemas sociais e económicos persistem e, em muitos aspectos, tendem a agravar-se.

Desde logo, a natureza do trabalho que o futuro promete. A inteligência artificial e a robotização trarão, trazem já, mudanças profundas no acesso ao trabalho e, com isso, ao rendimento disponível.

A exclusão social e a pobreza, realidades de hoje e ameaças quase certas de amanhã, obrigam-nos a reflectir sobre instrumentos possíveis para as minimizar ou, desejavelmente, as anular.

Ora, um dos instrumentos que tem vindo a ser cada vez mais debatido é a ideia de um rendimento básico universal e incondicionado.

A ideia é simples: a sociedade, o Estado, transfere directamente para cada indivíduo uma determinada quantia em dinheiro e esta transferência é universal e incondicionada. Empregado ou desempregado, rico ou pobre, todos receberiam mensalmente e sem condições esse rendimento básico.

É preciso dizer que esta ideia tem sido já experimentada em programas-piloto com sucesso desigual.

A Finlândia fez a experiência, só para desempregados, tendo abandonado o programa. A Escócia pondera levar à prática a ideia e a Suíça chegou mesmo a referendar o projecto do RBI que foi rejeitado por não estar especificado de onde vinha o dinheiro e qual o valor a ser distribuído.

Como em quase tudo que tem a ver com as questões sociais e políticas, encontramos argumentos a favor e argumentos contra.

Todos conhecemos a sentença segundo a qual não se deve dar peixe a quem dele precisa, mas sim ensinar a pescar. O que a sentença não diz é que para pescar é preciso cana, fio, anzol e isco. E muitos de nós não temos nada disso!

O rendimento mínimo garantido ou rendimento de inserção social deveriam ser a cana, o fio, o anzol e o isco, mas não são. Os sucessivos e intermináveis programas de combate à pobreza e exclusão social também não parece que o sejam.

A transferência directa e incondicionada dum rendimento mensal permitiria eliminar muitas das entidades intermediárias que levam as prestações sociais às pessoas. Para além de eficaz, afastaria o estigma social que está sempre associado a um sistema providencialista e mesmo assistencialista.

É que a pobreza custa muito dinheiro, nos custos da saúde, no insucesso escolar, nas taxas de criminalidade. O RBI, dizem os seus defensores, permitiria, se não eliminar, pelo menos reduzir drasticamente as consequências negativas associadas à pobreza.

Por outro lado, os críticos apontam objecções de natureza ética e política.

O RBI é imoral porque promove modos de vida baseados no ócio e na preguiça e, ainda, porque não incentiva à procura de trabalho. É possível que assim seja, mas não é certo que seja assim!

A objecção de natureza política é mais forte: se não é obrigatório trabalhar, então isso é injusto, uma vez que para que uns possam viver na ociosidade, outros têm de trabalhar.

Talvez haja aqui alguma injustiça, mas um sistema justo é aquele que maximiza a igualdade de oportunidades e a liberdade. E a sociedade que temos hoje é, indiscutivelmente, profundamente injusta!

Ponta Delgada, Fernando Martinho Guimarães

♦♦♦

Fernando Martinho Guimarães (1960) Nascido transmontano (Alijó, Vila Real), foi na cidade do Porto que viveu até aos princípios dos anos 80. De formação filosófi­ca e literária, a sua produção ensaística e poética reflecte essa duplicidade. Com colaboração dispersa, no Letras & Letras (Porto), revista Vértice e Parnasur (Revista literária galaico-portuguesa), no Suplemento Açoriano de Cultura do Correio dos Açores, passando pelo jornal Horizonte (Cidade da Praia, Cabo Verde), tem dedicado a sua actividade ensaística à poesia portuguesa e galega. De entre os portugue­ses é de destacar a poesia de António Ramos Rosa que foi tema da tese de Mestrado em Literatura e Cultura Portuguesa Contemporânea. Da poesia galega, a sua ensaística tem incidi­do sobre a poesia de Luisa Villalta (I Jornadas de Letras Gale­gas de Lisboa, 1998) e a de Manuel António (Colóquio Escritas do Rio Atlântico, Funchal, 2001).

Publicou em 1996 A Invenção da Morte (ensaio), em 2000 56 Poemas, em 2003 Ilhas Suspensas (edição bilingue, cas­telhano/português), em 2005 Apenas um Tédio que a doer não chega e em 2008 Crónicas.

LA POESIA EN EL CANTAR DE LOS CANTARES – por Moisés Cárdenas

La poesía es arte milenario, misterio, espíritu sensible, llamarada inmortal. La poesía está en el universo. En los planetas alrededor del sol, en los millares de estrellas, en los símbolos escritos en las cuevas, en los jeroglíficos de las pirámides, en los antiguos pergaminos, en los rollos del Mar Muerto, en la puesta del sol, en un eclipse lunar, en el beso de la amada. Continuar a ler “LA POESIA EN EL CANTAR DE LOS CANTARES – por Moisés Cárdenas”

“ANUNCIAÇÃO CAVALCANTI”, DE DONATELLO – por Rosa Sampaio Torres

Introdução

Recentemente tive oportunidade de ultimar artigo referente às capelas da antiga família Cavalcanti em Florença.

Nesta ocasião inventariei  importantes peças artísticas encomendadas por esta importante familia florentina. Entre essas peças de arte sobressaíram na ocasião três delas, magníficas – obras que considero historicamente significativas, merecedoras de trabalho detalhado para um publico ampliado – até mesmo visitação especial quando em viagem à Florença. Nesse presente artigo apresento uma delas. Continuar a ler ““ANUNCIAÇÃO CAVALCANTI”, DE DONATELLO – por Rosa Sampaio Torres”

JUNG E OS SERTÕES – I PARTE – por Marilene Caon

Chapada Diamantina – BA  – Fotografia de André Dib

ESTUDO INTERPRETATIVO DE “OS SERTÓES” DE EUCLIDES DA CUNHA SEGUNDO O REFERENCIAL TEÓRICO DO PSICANALISTA CARL GUSTAV JUNG

1ª PARTE

Dividido em três partes, a Terra, o Homem e a luta, o livro encerra uma estrutura dialética em que o “martírio secular da Terra” sobre aquele que é “antes de tudo um forte” pode ser lido assim: a Pátria martiriza o povo até o ponto emj que explode a luta.

Essa divisão interna é influência do historiador francês Taine, o qual formulou no seu livro de 1863, “Histoire de La Littérature Anglaise”, a concepção naturalista da história, teoria na qual são três os fatores determinantes: meio, raça e momento. É também desse mesmo historiador a citação que expõe a ideia de que o “narrador sincero” deveria ser capaz de se sentir como um bárbaro entre os bárbaros, um antigo entre os antigos, para ter tido a capacidade de escrever com tal realismo e emoção. Ou seja, ter tido a capacidade de vivenciar a experiência para poder reter em seu intelecto a forma. Continuar a ler “JUNG E OS SERTÕES – I PARTE – por Marilene Caon”

O QUE SIGNIFICA (MAL) LER E ESCREVER? – por Francisco Fuchs

A ambigüidade no título deste pequeno artigo é deliberada. Sua construção confunde, ou melhor, complica três possibilidades: ele pode referir-se a gente que lê e escreve mal; a gente que mal lê e escreve; e, por omissão do parêntese, aos atos de ler e escrever em geral. Também há nele uma pontinha de provocação: afinal, é bastante provável que, nos dias de hoje, semelhante título saiba ao leitor não apenas ambíguo, mas francamente antipático. Sim, há gente que pouco se interessa pela leitura e pela escrita, e gente que, embora pratique rotineiramente as duas atividades, interpreta mal o que lê e não consegue dar ao seu pensamento uma forma, senão elegante, ao menos fluente e precisa; mas apontar a essas pessoas um dedo acusador não resultaria numa espécie de elitismo excludente que nenhum bem pode fazer a elas e à sociedade? Continuar a ler “O QUE SIGNIFICA (MAL) LER E ESCREVER? – por Francisco Fuchs”

“OSCURIDAD Y LÍRICA EN LOS POEMAS SUICIDAS DE JULIO INVERSO” por Federico Rivero Scarani

«Se llega a un momento en que la luz del rostro basta para

todas las tinieblas», (Julio Inverso, Diario de un agonizante,

(Poema XI, “Diario de un agonizante”, 1995).

Ha pasado más de una década y media de su desaparición física y aun no existe una «matriz» de lectura crítica que aborde los libros editados. La poética de Inverso se puede encontrar en Cielo Genital (2000), sin embargo dicho libro que salió a luz después de la muerte del poeta está incompleto, no importa detallar aquí cuáles fueron los motivos para recortarlo. Si bien Cielo Genital se constituye como la poética, elaborar esa matriz crítica debería partir de una lectura horizontal de los libros precedentes, buscando y hallando los temas y tópicos manejados. Continuar a ler ““OSCURIDAD Y LÍRICA EN LOS POEMAS SUICIDAS DE JULIO INVERSO” por Federico Rivero Scarani”

El ALARIDO ESPECULAR DE LOS FRAGMENTOS – Enrique Santiago

 

Tifón despedaza a traición a Osiris y dispersa sus miembros aquí y allá,

pero la ínclita Isis los ha reunido.

Atalanta Fugiens

La vida –intensa y consecuente– de Alfonso Peña, se ve reflejada en su obra plástico-poética, donde se aprecia una mirada profunda de la realidad que se ve confrontada reiteradamente con una propuesta o contrapunto, que se sostiene en el discurso surrealista, el que se manifiesta con la suma de diversos elementos visuales, que van desde el recorte azaroso –reconocido como collage– ensamblaje, hasta la intervención pictórica que se soporta en gran parte en la mancha que surge desde el automatismo psíquico.  Alfonso Peña es un recolector asiduo de impresiones, su ojo deambula por la trama vital en busca de aquellos “objetos encontrados” que el azar dispone en su camino para ser capturados, digeridos y usados para componer su trabajo bidimensional, el cual, requiere en gran porcentaje de una propuesta que reúna variados elementos que en su sumatoria sean capaces de totalizar e integrar de forma lo más completa posible su rica mirada interior, generando de esta manera, dos universos que se manifiestan en el soporte, una realidad exterior dura y cruda  que se conjuga con otra interior que desea transformar lo conocido y que al yuxtaponerse inquietan y hacen reflexionar al espectador, ya que se observa la ferocidad de la realidad impuesta por años de abuso social, su mediocre banalidad, y su racional y violenta sinrazón, la cual es abrazada, intervenida o acosada por la manifestación amorosa del yo interno, donde este último propone una mirada distinta, una alternativa a la condición actual del ser humano, que nos violenta y reprime- desplegando de forma transversal –y centrífuga según la nominación que le dieron al libro que crearon en conjunto con Amirah Gazel– toda suerte de imágenes, manchas y escrituras en pos de expresar un mensaje poético-visual que aúlle desde el ser interior abriéndose paso por un paisaje que le es hostil y ajeno, porque cada obra elaborada se constituye en una denuncia de aquella realidad que nos molesta, pero que también es un despliegue de consideraciones de lo “maravilloso”, el cual está circunscrito fuera de nuestros márgenes conocidos, y que vale la pena tener en cuenta como alternativa para ensanchar la realidad, abriendo así la frontera que mantiene oculta a la otredad, para ser incluida como parte nuestras vidas. Continuar a ler “El ALARIDO ESPECULAR DE LOS FRAGMENTOS – Enrique Santiago”

ESENCIA Y EXCEDENCIA DE LA POESÍA CONTEMPORÁNEA – por Ulises Varsóvia

Este corto ensayo se propone dilucidar los factores que han conllevado  al desarrollo y/o transformación de la poesía del pasado siglo y de éste. Está referido a la poesía en general, pero especialmente a la hispanoamericana, y muy en especial a la de Chile, país del cual procedo y en el cual se ponen de manifiesto con mayor claridad las tesis que pretende sustentar este escrito. Continuar a ler “ESENCIA Y EXCEDENCIA DE LA POESÍA CONTEMPORÁNEA – por Ulises Varsóvia”

EDUCAÇÃO, DESÍGNIO NACIONAL? – por João Carvalho Fernandes

maquette no. 3’, 2014, by ji zhou in designboom.com

 

Mais de quarenta anos passados sobre a Revolução de Abril, o que se pode dizer sobre o nível educativo do povo português? Melhorou, piorou? E relativamente aos outros países, qual a evolução? E o que se poderá fazer para melhorar?

Continuar a ler “EDUCAÇÃO, DESÍGNIO NACIONAL? – por João Carvalho Fernandes”