DA DRAMATOLOGIA – PARTE I – por Castro Guedes

Comecemos por desfazer o carácter equívoco da palavra dramaturgia, usada em Portugal indistintamente entre o significado próprio (a escrita do texto teatral) e a dramatologia, expressão brasileira bem mais adequada ao estudo da lógica do texto, da análise dramatúrgica, que, muitas vezes, aparece, entre nós, como dramaturgia, à mesma. Perpendicularmente outro equívoco resulta da forma de encarar o texto teatral como literatura dramática, que, como a palavra indica, se contém como um género dentro da literatura. Coisa diferente do que é um texto para cena, a que o carácter literário se acrescenta como uma segunda qualidade, sendo a primeira a da sua funcionalidade para cena. Porque um texto para cena é, por exemplo, um texto de Shakespeare, por mais poético e literariamente valioso que seja; e é. Continuar a ler “DA DRAMATOLOGIA – PARTE I – por Castro Guedes”

RENDIMENTO BÁSICO INCONDICIONAL (RBI) – por Fernando Martinho Guimarães

Apesar dos muitos problemas e falhanços sociais, políticos e económicos que vemos por este mundo fora, é inegável o progresso nas condições de acesso a uma vida melhor de muitos dos nossos semelhantes.

Estes avanços são particularmente visíveis nos domínios da saúde, da educação, na melhoria dos rendimentos e, por via disso, nos ganhos ao nível da igualdade de oportunidades e da capacidade de escolha, da liberdade.

Contudo, esta evidência não nos autoriza a acomodarmo-nos num optimismo ideológico que, por definição, esconde que muitos desses problemas sociais e económicos persistem e, em muitos aspectos, tendem a agravar-se.

Desde logo, a natureza do trabalho que o futuro promete. A inteligência artificial e a robotização trarão, trazem já, mudanças profundas no acesso ao trabalho e, com isso, ao rendimento disponível.

A exclusão social e a pobreza, realidades de hoje e ameaças quase certas de amanhã, obrigam-nos a reflectir sobre instrumentos possíveis para as minimizar ou, desejavelmente, as anular.

Ora, um dos instrumentos que tem vindo a ser cada vez mais debatido é a ideia de um rendimento básico universal e incondicionado.

A ideia é simples: a sociedade, o Estado, transfere directamente para cada indivíduo uma determinada quantia em dinheiro e esta transferência é universal e incondicionada. Empregado ou desempregado, rico ou pobre, todos receberiam mensalmente e sem condições esse rendimento básico.

É preciso dizer que esta ideia tem sido já experimentada em programas-piloto com sucesso desigual.

A Finlândia fez a experiência, só para desempregados, tendo abandonado o programa. A Escócia pondera levar à prática a ideia e a Suíça chegou mesmo a referendar o projecto do RBI que foi rejeitado por não estar especificado de onde vinha o dinheiro e qual o valor a ser distribuído.

Como em quase tudo que tem a ver com as questões sociais e políticas, encontramos argumentos a favor e argumentos contra.

Todos conhecemos a sentença segundo a qual não se deve dar peixe a quem dele precisa, mas sim ensinar a pescar. O que a sentença não diz é que para pescar é preciso cana, fio, anzol e isco. E muitos de nós não temos nada disso!

O rendimento mínimo garantido ou rendimento de inserção social deveriam ser a cana, o fio, o anzol e o isco, mas não são. Os sucessivos e intermináveis programas de combate à pobreza e exclusão social também não parece que o sejam.

A transferência directa e incondicionada dum rendimento mensal permitiria eliminar muitas das entidades intermediárias que levam as prestações sociais às pessoas. Para além de eficaz, afastaria o estigma social que está sempre associado a um sistema providencialista e mesmo assistencialista.

É que a pobreza custa muito dinheiro, nos custos da saúde, no insucesso escolar, nas taxas de criminalidade. O RBI, dizem os seus defensores, permitiria, se não eliminar, pelo menos reduzir drasticamente as consequências negativas associadas à pobreza.

Por outro lado, os críticos apontam objecções de natureza ética e política.

O RBI é imoral porque promove modos de vida baseados no ócio e na preguiça e, ainda, porque não incentiva à procura de trabalho. É possível que assim seja, mas não é certo que seja assim!

A objecção de natureza política é mais forte: se não é obrigatório trabalhar, então isso é injusto, uma vez que para que uns possam viver na ociosidade, outros têm de trabalhar.

Talvez haja aqui alguma injustiça, mas um sistema justo é aquele que maximiza a igualdade de oportunidades e a liberdade. E a sociedade que temos hoje é, indiscutivelmente, profundamente injusta!

Ponta Delgada, Fernando Martinho Guimarães

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Fernando Martinho Guimarães (1960) Nascido transmontano (Alijó, Vila Real), foi na cidade do Porto que viveu até aos princípios dos anos 80. De formação filosófi­ca e literária, a sua produção ensaística e poética reflecte essa duplicidade. Com colaboração dispersa, no Letras & Letras (Porto), revista Vértice e Parnasur (Revista literária galaico-portuguesa), no Suplemento Açoriano de Cultura do Correio dos Açores, passando pelo jornal Horizonte (Cidade da Praia, Cabo Verde), tem dedicado a sua actividade ensaística à poesia portuguesa e galega. De entre os portugue­ses é de destacar a poesia de António Ramos Rosa que foi tema da tese de Mestrado em Literatura e Cultura Portuguesa Contemporânea. Da poesia galega, a sua ensaística tem incidi­do sobre a poesia de Luisa Villalta (I Jornadas de Letras Gale­gas de Lisboa, 1998) e a de Manuel António (Colóquio Escritas do Rio Atlântico, Funchal, 2001).

Publicou em 1996 A Invenção da Morte (ensaio), em 2000 56 Poemas, em 2003 Ilhas Suspensas (edição bilingue, cas­telhano/português), em 2005 Apenas um Tédio que a doer não chega e em 2008 Crónicas.

LA POESIA EN EL CANTAR DE LOS CANTARES – por Moisés Cárdenas

 

La poesía es arte milenario, misterio, espíritu sensible, llamarada inmortal. La poesía está en el universo. En los planetas alrededor del sol, en los millares de estrellas, en los símbolos escritos en las cuevas, en los jeroglíficos de las pirámides, en los antiguos pergaminos, en los rollos del Mar Muerto, en la puesta del sol, en un eclipse lunar, en el beso de la amada.

Desde tiempos antiguos los hombres han hablado en poesía. Sabios, profetas, filósofos, pensadores encontraron en la poesía el elemento de reverencia y respeto para la unión con el cosmos. Para muchos la poesía es un arte superior invulnerable, que no teme a los asaltos del tiempo o de las intolerancias. La poesía ha existido desde el Génesis hasta las Revelaciones. Porque ella es un ritual que fecunda la imagen. Basta darle vida al papel y convertir al poeta en creador y al papel el lugar en donde concretar sus pulsiones más secretas, sus sueños más íntimos y sus aspiraciones más comunes para desdoblarse en los rincones de la galaxia. Poetas antiguos como Shakîr Wa’el, de Persia, Teodognis de Alejandría, Omar Khayyam de Persia, y poetas de la talla de  Fray Luis de León, Lope de Vega, Luis de Góngora, Francisco de Quevedo, San Juan de la Cruz y el poeta Nazim Hikmet de Turquía encontraron en la poesía el Urim y Tumim, para discernir la «voluntad divina», oculta en los sueños que se revelan durante las horas de los tigres.

Los poetas, traen luces y perfecciones en sus versos, invitando a todos a sentir la palabra. Como dijo el poeta persa Rumi: «ven a escuchar mis poemas, toma el lugar de mi alma». (Citado en http://barrirezlink.wordpress.com/2008/03/ consultado el 16 de septiembre del 2014.

Los poetas despliegan los pergaminos para plasmar sus sentimientos como andanzas sublimes en los caminos por dónde va la vida misma; recogiendo en su andar el amor como principal elemento de la creación. El amor como expresión de la sonrisa, alegría y fuerza cósmica en el «Ser», este sentimiento quema en los tuétanos de los poetas, escribiéndolo en la arena, en los ladrillos de los templos y en las páginas de antiguos libros.

Uno de estos poetas, fue el rey Salomón o Shelomo, quien escribió en Jerusalén o Yerushalaim, alrededor del año 1020 antes de Cristo el libro del Cantar de los cantares. Este libro poético de las Escrituras Hebreas canta el amor inquebrantable de una muchacha sulamita por un pastor, y el intento vano del rey Salomón de ganarse el amor de esta campesina de Sunem o Sulem. Las palabras de apertura del texto hebreo llaman a este poema, «La canción superlativa, que es de Salomón». (Santas Escrituras, 1987, p. 874).

El Cantar de los Cantares, es decir, la canción más hermosa, la canción por excelencia. Este bello libro que ha perdurado por siglos, y forma parte de La Biblia, es un libro poético, el más hermoso de los cantos o el poema más sublime. El lector al abrir el libro encontrará una exquisita poesía. El elevado manejo del lenguaje de su mismo escritor, de Salomón, lo hace conocedor de versos ricos en imágenes y sensaciones.

El libro el Cantar de los cantares no es una colección de canciones, sino una sola canción, es un poema distribuido en estrofas, en las que, alternativamente, dos enamorados expresan sus sentimientos en un lenguaje erótico, apasionado, literario. Todo este libro es un bello poema cargado de energías. El cantar de los cantares, es el poema del amor.

Cuando escudriñamos el libro, notamos que el eros será la fuerza principal de sus páginas, donde el poeta expresa en capitulo 8: 7, «las muchas aguas mismas no pueden extinguir el amor, ni pueden los ríos mismos arrollarlos». (Santas  Escrituras, 1987, p. 878).

La pasión funciona excelentemente en la creación del poeta y permite fluir como gacela sobre el viento. Leyendo el Cantar de los cantares el lector viaja hacia la época en que se hablaba en poesía, donde las parejas se amaban fuertemente y donde los que cortejaban lo hacía poéticamente.

En estos tiempos de insensibilidad al amor, en especial de violencia entre la humanidad, donde los hombres y mujeres quiebran la vida mediante la muerte despiadada de unos sobre otros, donde se carece de amor puro porque el amor va más allá de lo sexual, el amor de atracción, el amor también es amor al otro, amor al prójimo como dijo Jesucristo: «ama a tu prójimo como a ti mismo”, ese amor que es la mayor fuerza cósmica que tiñe la galaxia»

El cantar de los cantares, es el habla de los enamorados que se cubre con la lírica y expresa la angustia por la ausencia del ser amado, la felicidad del encuentro, el anhelo de la entrega. Como parte del vívido lenguaje figurado del libro, aparecen repetidas veces los nombres de plantas, animales, piedras preciosas y metales. Se evoca la esencia del Creador, la tierra de los israelitas. La llanura costera, las llanuras bajas, las cordilleras del Líbano, el Hermón, el Antilíbano y el Carmelo, las viñas de En-guedí, y los estanques de Hesbón, junto a la puerta de Bat-rabim. En el recorrido del poema, el amor expresado en versos ensalza en  palabras a la mujer como criatura sublime. Salomón al referirse a la amada lo dice en el capítulo 7:9: «y tu paladar como el mejor vino que va bajando con suavidad para mi amada, que fluye dulcemente sobre los labios de los durmientes». (Santas Escrituras, 1987, p. 878).

Para él, puede haber sesenta reinas, y ochenta concubinas, y doncellas sin número. Pero una sola hay, su paloma, la amada. Incluso llega a preguntarse:

«¿Quién es esta mujer que está mirando hacia abajo como el alba, hermosa como la luna llena, pura como el sol relumbrante, imponente como compañías reunidas en torno de pendones? ». (Santas Escrituras, 1987, p. 877).

Las expresiones de cariño del Cantar de los cantares pueden parecerle muy extrañas al lector occidental, pero debería recordarse que el contexto de este cántico es el Oriente de hace unos tres mil años. El tiempo, en que el amor fluía en las venas de los antiguos poetas como un manantial en sus labios. Por eso Salomón cuando compone el poema, refleja el deseo expresado en las letras, eleva a la mujer, esencia de cariño y hermosura, mujer llena de composición erótica. Salomón lo dice en el cantar 4: 1-3:

« […] tu caballera es como hato de cabras que han bajado saltando de la región montañosa de Galaad, […] tus labios son justamente como hilo escarlata,[…] tus dos pechos son como dos crías, gemelos de gacela, que están apacentándose entre los lirios». (Santas Escrituras, 1987, p. 875).

El rey sabe de la belleza de la sulamita y el amor que ella siente por su pastor, por su amado, pero, preso de los encantos de la mujer, hace de ella un poema universal dejándolo para nosotros con más de tres mil años de creación. Podemos leer lo que el rey le dijo a la sulamita en el cantar 1:11, «adornos circulares de oro haremos para ti, junto con tachones de plata».  (Santas Escrituras, 1987, p. 874).

Salomón levanta su copa de oro y expresa versos a la dama que llega a él como nardo en su fragancia. Insiste en seducirla por medio de sus versos, pero la sulamita expresa su anhelo al pastor, quien es su amor, es la primavera, es «deslumbrante y colorado, el más conspicuo de diez mil». (Santas Escrituras, 1987, p. 875).

La sulamita ve en su amado, pura dulzura deseable como se describe en el cantar 5:14, porque «su abdomen es una lámina de marfil cubierta de zafiros». (Santas Escrituras, 1987, p. 877).

Cabe mencionar los recursos de comparación que sobresalen en el Cantar de los cantares, en sus 117 versículos donde se descubren expresiones poéticas de gran valor literario. Por ejemplo las expresiones de cariño del pastor se comparan con el vino, y su nombre, con el aceite. ¿Qué significado tiene esto? Tal como el vino alegra el corazón del hombre y el aceite derramado sobre la cabeza tiene un efecto tranquilizador, recordar el amor y el nombre del pastor fortalecía y consolaba a la sulamita.

También hallamos que la joven campesina de tez morena se compara a las tiendas de Quedar. ¿Por qué se compara de esta manera? Porque el pelaje de las cabras, una vez tejido, tenía muchos usos por ejemplo, en el libro de Éxodo se dice que la tienda que iba sobre el tabernáculo estaba hecha a base de telas de pelo de cabra. Y al igual que las tiendas de los beduinos actuales, es posible que las tiendas de Quedar estuvieran hechas de pelo negro de cabra.

Una imagen comparativa de pleno vuelo poético en este libro es cuando el pastor expresa las siguientes palabras en el cantar 1:15, «tus ojos son de palomas». (Santas Escrituras, 1987, p. 874). Esto quiere decir que los ojos de su compañera se ven dulces y tiernos como los de las palomas. Hallamos en todo el libro expresiones elegantes y de altura. Unas de esas expresiones es cuando se hace jurar a las damas de la corte, en cantar 2:5, «por las gacelas o por las ciervas del campo». (Santas Escrituras, 1987, p. 874).

Esto representa que las gacelas y las ciervas se caracterizan por su gracia y belleza. Así pues, la joven sulamita les está pidiendo a las damas de la corte que le juren por todo lo que es bello y grácil que no intentarán despertar el amor en ella hacia el rey.

El Cantar de los cantares, como un poema erótico, no cae en lo obsceno y profano, está escrito de la forma más hermosa de los poemas antiguos. Salomón puede ubicarse entre los grandes poetas antiguos, pues crea en este libro de hace miles de años, las metáforas más universales de la historia. Metáforas como «tus labios siguen goteando miel del panal». (Can 4:11) y «tus dos pechos son como dos crías, gemelos de gacela, que están apacentándose entre los lirios». (Can 4:5) se une con «tus ojos son de palomas detrás de tu velo». (Can 4:1). “ Tus labios son justamente como un hilo escarlata». (Can 4:3).

«Hasta que respire el día y hayan huido las sombras».  ( Can 4:6). Son una muestra de la sensibilidad de Salomón, que hacen de este libro poético el camino de la proclamación del amor que canta el poeta magníficamente, ilustrando el amor entre un hombre y una mujer, como la fuerza más inquebrantable, tan fuerte como la muerte.

La poesía milenaria del Cantar de los cantares, ilustra la belleza del amor que persevera y es constante. El amor puro, el deleite y anhelo del uno para el otro. El amor ágape y fileo, amor apasionado, y el eros. En estos versos, se elevan a los crepúsculos los distintos niveles del amor, que inician desde el deseo, como lo expresa Sócrates en su definición del amor: «el Eros es un deseo».  (Platón, 2008, p. 21).

El poeta Salomón, recorre el amor con el resplandor del entendimiento. No obstante desde una mirada teológica hay quienes consideran a este poema como un símbolo espiritual que representa el amor que existe entre Dios y su pueblo,  el amor entre Cristo y su iglesia, entre Cristo Jesús y su novia, que en las escrituras la «novia de  Cristo», es la congregación, asamblea o iglesia, pues esta última palabra no es un edificio o una construcción física, sino el pueblo que ama a Cristo.  Ya que las personas que aman a Cristo, demuestra el amor a «la llama de Jah», demostrar amor a Dios, es depositar en él la energía en toda su magnificencia. Porque Jehová o Yahvé o Yhawh o Jhvh en el tetragrámaton hebreo antiguo יהוה quien es nuestro Señor, Adonay o Dios, tiene para nosotros un amor que es como una llama que nunca se apaga.

En el poema Cantar de los cantares, Salomón va concluyendo diciendo en el poema que el amar es demostrar fuego, como lo expresa en el cantar 8:6 «las llamaradas de un fuego, la llama de Jah». (Santas Escrituras, 1987, p. 878). El poeta utiliza «Jah» como diminutivo de Jehová o Yahvé, y sin duda expresa su amor hacía él. Este poema que está lleno del más poderoso misticismo, debe llevarnos a creer más en el amor, y saber qué es el amor, la fuerza que necesita nuestras almas porque él cubre el todo. Ese amor que señaló Miguel de Unamuno: «Dios es, pues, la personalización del Todo, es la Conciencia eterna e infinita del Universo». (Unamuno, 2008, p. 127).

Que el amor, sea la poesía energética para atraer nuestros sueños como aliados en la creación de una nueva humanidad.

Referencias bibliográficas:

 

Platón. (2008) Fedro. Madrid. Editorial Gredos.

Traducción del Nuevo Mundo de las Santas Escrituras. (1987). Brooklyn. Watch Tower Bible And Tract Society.

Unamuno, Miguel. (2008). Del sentimiento trágico de la vida. Buenos Aires. Editorial losada.

(Por razones de la diáspora  venezolana, actualmente radicado en Córdoba, Argentina)

Moisés Cárdenas, nació en San Cristóbal, Estado Táchira, Venezuela, el 27 de julio de 1981. Poeta, escritor, profesor y licenciado en Educación Mención Castellano y Literatura.  Egresado de la ULA-Táchira. Ha publicado en antologías de Venezuela, Argentina, España, Italia y Estados Unidos. 

Ganador con el poema “Cosas Extrañas” en el Premio internazionale di poesía, sesta edizione. “Dialoghi con l’ombra”. Venecia, Italia, 2019.  Primer Premio del 1°Certamen Internacional de poesía a las Mascotas con el poema “El balcón Ladró”, Quequen, Buenos Aires, Argentina, septiembre del 2019. Finalista de la décima edición del Concurso Internacional de Poesía el Mundo Lleva Alas, Editorial Voces de Hoy, Miami, Florida, Estados Unidos de América, 2018. Finalista en el IV concurso de narrativa para autores noveles Manuel Díaz Vargas 2016-2017 de Ediciones Alfar, España. Primer premio, en el 15  Certamen Internacional de Cuento, Ediciones Mis Escritos,  con la obra “Puede ocurrir”, Buenos Aires, Argentina, 2016. 

“ANUNCIAÇÃO CAVALCANTI”, DE DONATELLO – por Rosa Sampaio Torres

Introdução

Recentemente tive oportunidade de ultimar artigo referente às capelas da antiga família Cavalcanti em Florença.

Nesta ocasião inventariei  importantes peças artísticas encomendadas por esta importante familia florentina. Entre essas peças de arte sobressaíram na ocasião três delas, magníficas – obras que considero historicamente significativas, merecedoras de trabalho detalhado para um publico ampliado – até mesmo visitação especial quando em viagem à Florença. Nesse presente artigo apresento uma delas.

A “Anunciação Cavalcanti” de  Donatello  e o tríptico que a acompanhou*

Para a rica Capela dos Cavalcanti na Igreja Santa Maria Novella em Florença no ano de 1435 foi encomendada por Nicolò Giovanni Cavalcanti um belíssimo auto-relevo em pedra ao então já conhecido escultor  Donatello (1386-1466).

O tema da obra, “A Anunciação”, observamos era já muito caro aos florentinos, e no passado possivelmente também aos francos – pois Santa Clotilde esposa do rei franco  Clovis teria tido no ano de 496 um sonho ou visão premonitória durante uma batalha travada por seu marido, e na ocasião teria recebido lírios de anjos, segundo relata  sua  halografia –  episódio muito semelhante à própria Anunciação de Maria (1).

Nicolò Giovanni Cavalcanti o autor desta encomenda da “Anunciação” a Donatello para a capela Cavalcanti fora   casado com Contanza Peruggi –  moça proveniente de família muito antiga e requintada, de origem etrusca.

O pai de Nicolò, Giovanni di Amerigo Cavalcanti – mais tarde famoso escritor, historiador e genealogista da família (1381-c. 1451) – na época passara, entretanto, por grandes dificuldades econômicas, tendo sido preso por dívidas (2).

Nicolo teve uma irmã, Genevra Cavalcanti, jovem que pelas dificuldades da família fora  muito oportunamente casada em 1416 com o poderoso Lorenzo de Médici, o Velho (3); e um  irmão, Amerigo Cavalcanti, que sabemos já  escolhido dos “Signori” em Florença no ano de  1451 (4).

Esta antiga capela Cavalcanti na Igreja Santa Maria Novella em Florença, para onde a Anunciação de Donatello fora encomendada, no século seguinte será entretanto destruída por ocasião de reforma da Igreja proposta pelos banqueiros Médici –  família prepotente que já nesta ocasião acabava com ao sistema Republicano da cidade. A destruição da capela possivelmente uma vingança dos Médici pela descoberta da Conspiração em 1559 liderada por um republicano convicto da familia neste século,  Bartolomeu di Mainardo Cavalcanti (c.1503 – 1563),conspiração que fora  acompanhada por famílias florentinas e mesmo vários ramos da família  Cavalcanti (5).

Mesmo com a reforma da igreja e a destruição da capela Cavalcanti pelos Médici, a celebre obra da ”Anunciação Cavalcanti” de Donatello  foi mantida em seu local original nesta igreja  –  fato significativo da sua relevância artística.

O crítico de artes da época Giorgio Vasari (6) que muito apreciava esta obra afirmou sobre a “Anunciação Cavalcanti”, e o próprio talento de Donatello:

“Mas acima de tudo, grande gênio e arte demonstra [Donatello] na figura da Virgem, a qual amedrontada pela súbita aparição do Anjo, move timidamente sua pessoa  numa honestíssima reverência, com muita graça dirigindo-se àquele que a cumprimenta, de maneira que se vê no seu  rosto  a humildade e gratidão que ao inesperado senhor é devido, e tanto o senhor é  o mais alto”. Do original: “Ma sopratuto grande ingegno et art mostro nella figura della Virgen, la quale impaurita dall´ improviso apparire dell´Angelo, muove timidamente con dolcezza la persona a uma onestissima reverenza, com bellissima grazia rivolgendosi a  chi la saluta , di maniera che se le scorge nel viso quella umilità e gratitudine che del non aspettato dono si deve a chi lo fa, e tanto il donno é maggiore”.

Ressaltamos que o  retábulo da Anunciação estava acompanhado em sua parte inferior por um tríptico, obra também notável – enquadrado em belíssima moldura entalhada, peça que não se encontra mais nesta igreja, atualmente alocada no Museu Buonarroti.

Trítico belissimamente emoldurado que esteve colocado sob a “Anunciação Cavalcanti”,   hoje no Museu Buonarroti

Em 1457 Nicolo di Giovanni Cavalcanti encomendara este  tríptico  ao artista Giovanni di Francesco  (Arezzo, 1412 ou 1428 – Florença, 1458)  – uma “tavola” com três estórias da vida de São  Nicola di Bari –um deles tendo como tema o  milagre feito pelo santo relativo a um dote em benefício de  três  jovens moças pobres. Este pintor italiano Giovanni di Francesco em Florença nos meados do século XV teria freqüentado  o estúdio do muito famoso artista  Filippo Lippi (   –    ).

Comentado sobre a “predella” (base, estrado) com as histórias de São Nicolau de Bari  – “São Nicolau dá o dote a três meninas pobres; São Nicolau levanta três jovens colocados em salmoura por um estalajadeiro; San Nicola salva da execução três condenados a morte’ –  Esta obra hoje mantida no Museu da Casa Buonarroti em Florença é  considerada a obra-prima do artista.

Não sabemos se o tema escolhido seria pertinente à história da família Cavalcanti que o encomendou, mas observamos pelo menos sua semelhança com a situação  difícil e o casamento de Ginevra, irmã de Nicolo.

As pinturas muito minuciosas comentadas, entre outros críticos de arte por Giorgi  Vasari e Roberto Longhi.

Este último chegou  a afirmar relativamente a ”predella”  “ser um dos melhores trabalhos  do autor, também o de figuras mais numerosas do Quattrocento florentino”(7).

Aqui vemos os três jovens apresados salvos da pena de morte por S. Nicola de Bari
O Santo visita uma família com bandeira à porta, notados três jovens em situação precária.

Dito que São Nicolau levanta três jovens colocados em salmoura como punição por um estalajadeiro.

Por fim S. Nicola chega para  anunciar às moças  desoladas a doação de  um  dote   
O Trítico completo  hoje no Museu Buonarroti.

A “Anunciatta Cavalcanti” na igreja de Santa Maria Novella e o belo tríptico transferido para o museu Buonarroti são simbólicos do antigo prestígio, cultura e requinte que a poderosa família Cavalcanti, de comprovada origem franca, havia conseguido manter em Florença ainda no sec. XV. Prestígio mais tarde ensombrecido pelos também poderosos Medici anti-republicanos.

♣♣♣

*Este artigo faz parte de trabalho mais longo, em que três outras importantes peças de arte dos antigos Cavalcanti são também inventariadas e historiadas, citadas todas as fontes. Trabalho editado em nosso blog.

http://rosasampaiotorres,blogspot.com

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Rosa Maria Sampaio Torres – pesquisadora em História (PUC-Rio), é também graduada em Estudos Sociais e pós-graduada em Ciências Políticas. Aluna do filósofo brasileiro Carlos Henrique Escobar acabou por desenvolver, também, seus dotes artísticos – especialmente como poeta, autora do livro “Bendita Palavra”. Já reconhecida como ensaísta, é autora de inúmeros artigos históricos sobre a família Cavalcanti, da qual descende, e agora sobre o poeta Guido Cavalcanti.

JUNG E OS SERTÕES – I PARTE – por Marilene Caon

Chapada Diamantina – BA  – Fotografia de André Dib

ESTUDO INTERPRETATIVO DE “OS SERTÓES” DE EUCLIDES DA CUNHA SEGUNDO O REFERENCIAL TEÓRICO DO PSICANALISTA CARL GUSTAV JUNG

1ª PARTE

Dividido em três partes, a Terra, o Homem e a luta, o livro encerra uma estrutura dialética em que o “martírio secular da Terra” sobre aquele que é “antes de tudo um forte” pode ser lido assim: a Pátria martiriza o povo até o ponto emj que explode a luta.

Essa divisão interna é influência do historiador francês Taine, o qual formulou no seu livro de 1863, “Histoire de La Littérature Anglaise”, a concepção naturalista da história, teoria na qual são três os fatores determinantes: meio, raça e momento. É também desse mesmo historiador a citação que expõe a ideia de que o “narrador sincero” deveria ser capaz de se sentir como um bárbaro entre os bárbaros, um antigo entre os antigos, para ter tido a capacidade de escrever com tal realismo e emoção. Ou seja, ter tido a capacidade de vivenciar a experiência para poder reter em seu intelecto a forma. Continuar a ler “JUNG E OS SERTÕES – I PARTE – por Marilene Caon”

O QUE SIGNIFICA (MAL) LER E ESCREVER? – por Francisco Fuchs

A ambigüidade no título deste pequeno artigo é deliberada. Sua construção confunde, ou melhor, complica três possibilidades: ele pode referir-se a gente que lê e escreve mal; a gente que mal lê e escreve; e, por omissão do parêntese, aos atos de ler e escrever em geral. Também há nele uma pontinha de provocação: afinal, é bastante provável que, nos dias de hoje, semelhante título saiba ao leitor não apenas ambíguo, mas francamente antipático. Sim, há gente que pouco se interessa pela leitura e pela escrita, e gente que, embora pratique rotineiramente as duas atividades, interpreta mal o que lê e não consegue dar ao seu pensamento uma forma, senão elegante, ao menos fluente e precisa; mas apontar a essas pessoas um dedo acusador não resultaria numa espécie de elitismo excludente que nenhum bem pode fazer a elas e à sociedade? Continuar a ler “O QUE SIGNIFICA (MAL) LER E ESCREVER? – por Francisco Fuchs”

“OSCURIDAD Y LÍRICA EN LOS POEMAS SUICIDAS DE JULIO INVERSO” por Federico Rivero Scarani

«Se llega a un momento en que la luz del rostro basta para

todas las tinieblas», (Julio Inverso, Diario de un agonizante,

(Poema XI, “Diario de un agonizante”, 1995).

Ha pasado más de una década y media de su desaparición física y aun no existe una «matriz» de lectura crítica que aborde los libros editados. La poética de Inverso se puede encontrar en Cielo Genital (2000), sin embargo dicho libro que salió a luz después de la muerte del poeta está incompleto, no importa detallar aquí cuáles fueron los motivos para recortarlo. Si bien Cielo Genital se constituye como la poética, elaborar esa matriz crítica debería partir de una lectura horizontal de los libros precedentes, buscando y hallando los temas y tópicos manejados. Continuar a ler ““OSCURIDAD Y LÍRICA EN LOS POEMAS SUICIDAS DE JULIO INVERSO” por Federico Rivero Scarani”

El ALARIDO ESPECULAR DE LOS FRAGMENTOS – Enrique Santiago

 

Tifón despedaza a traición a Osiris y dispersa sus miembros aquí y allá,

pero la ínclita Isis los ha reunido.

Atalanta Fugiens

La vida –intensa y consecuente– de Alfonso Peña, se ve reflejada en su obra plástico-poética, donde se aprecia una mirada profunda de la realidad que se ve confrontada reiteradamente con una propuesta o contrapunto, que se sostiene en el discurso surrealista, el que se manifiesta con la suma de diversos elementos visuales, que van desde el recorte azaroso –reconocido como collage– ensamblaje, hasta la intervención pictórica que se soporta en gran parte en la mancha que surge desde el automatismo psíquico.  Alfonso Peña es un recolector asiduo de impresiones, su ojo deambula por la trama vital en busca de aquellos “objetos encontrados” que el azar dispone en su camino para ser capturados, digeridos y usados para componer su trabajo bidimensional, el cual, requiere en gran porcentaje de una propuesta que reúna variados elementos que en su sumatoria sean capaces de totalizar e integrar de forma lo más completa posible su rica mirada interior, generando de esta manera, dos universos que se manifiestan en el soporte, una realidad exterior dura y cruda  que se conjuga con otra interior que desea transformar lo conocido y que al yuxtaponerse inquietan y hacen reflexionar al espectador, ya que se observa la ferocidad de la realidad impuesta por años de abuso social, su mediocre banalidad, y su racional y violenta sinrazón, la cual es abrazada, intervenida o acosada por la manifestación amorosa del yo interno, donde este último propone una mirada distinta, una alternativa a la condición actual del ser humano, que nos violenta y reprime- desplegando de forma transversal –y centrífuga según la nominación que le dieron al libro que crearon en conjunto con Amirah Gazel– toda suerte de imágenes, manchas y escrituras en pos de expresar un mensaje poético-visual que aúlle desde el ser interior abriéndose paso por un paisaje que le es hostil y ajeno, porque cada obra elaborada se constituye en una denuncia de aquella realidad que nos molesta, pero que también es un despliegue de consideraciones de lo “maravilloso”, el cual está circunscrito fuera de nuestros márgenes conocidos, y que vale la pena tener en cuenta como alternativa para ensanchar la realidad, abriendo así la frontera que mantiene oculta a la otredad, para ser incluida como parte nuestras vidas. Continuar a ler “El ALARIDO ESPECULAR DE LOS FRAGMENTOS – Enrique Santiago”

ESENCIA Y EXCEDENCIA DE LA POESÍA CONTEMPORÁNEA – por Ulises Varsóvia

Este corto ensayo se propone dilucidar los factores que han conllevado  al desarrollo y/o transformación de la poesía del pasado siglo y de éste. Está referido a la poesía en general, pero especialmente a la hispanoamericana, y muy en especial a la de Chile, país del cual procedo y en el cual se ponen de manifiesto con mayor claridad las tesis que pretende sustentar este escrito. Continuar a ler “ESENCIA Y EXCEDENCIA DE LA POESÍA CONTEMPORÁNEA – por Ulises Varsóvia”