DE VINHO E DO VINHO – por Manuel Igreja Cardoso

                                                                 Mural de V. N. Gaia/foto by JuliaML

DE VINHO E DO VINHO

Numa primeira impressão, pode parecer quase são a mesma coisa o que se refere no título, mas não. Nem de perto. Duas simples letras alteram em absoluto o que se quer dizer ou identificar. O diabo está nos pormenores como se costuma dizer.   Continuar a ler “DE VINHO E DO VINHO – por Manuel Igreja Cardoso”

O ARTISTA INVISÍVEL – por Cassiano Russo

O artista solitário perambula a cidade pela madrugada com seu violão, em busca de mais um motivo que justifique uma nova música que faça a noite chorar, pelos acordes perdidos de seu instrumento, noctívagos, num gole de cerveja em algum boteco qualquer noite adentro. Continuar a ler “O ARTISTA INVISÍVEL – por Cassiano Russo”

LITERATURA, A FORÇA HUMANA – por Celso Gomes

 

No fim do século passado, houve lançamento de vários livros contendo listas das cem melhores obras de arte do século que terminava.

Na noite de Natal do último ano do século XX, ganhei de um amigo o livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, ed. Objetiva. Imediatamente após recebê-lo, fui para um canto da casa e comecei a leitura. Dei cabo da tarefa em poucos dias. O livro é ótimo, os contos escolhidos convivem bem, apesar das discrepâncias de estilos, épocas, gerações. Com certeza, o livro contém o que de melhor se publicou no Brasil no Século XX, bem como deixou de fora alguns contos que gosto muito, por exemplo, o conto Venha ver o pôr do sol, da Ligia Fagundes Telles. Mas listas são assim mesmo, sempre há reclamações e injustiças. No entanto, de todos os contos reunidos, apenas um não sai da minha memória, apesar dos anos passados: A Força Humana, do livro A Coleira do Cão, de Rubem Fonseca. Continuar a ler “LITERATURA, A FORÇA HUMANA – por Celso Gomes”

O TRIUNFO DA (BOA) VONTADE – por Danyel Guerra

Jacques Demy

“Il m’a marquée plus definitivement qui aucun autre réalisateur.  L’image qu’a imposée de moi ‘Les Parapluies…correspond quelque parte à une verité de moi-même

Catherine Deneuve   

Joyeux anniversaire, Jacquot !                                  

Era notte a Avellino, num dia de novembro de 1982. Mal entro no Cine Eliseo, ouço a Chiara me chamando, um tanto frenética. Daniele, vienni qui… Eu ainda não cheguei junto dela e já está me indagando. Conhece aquele cavalheiro? Um minuto só…conheço, ele é o Jacques… Continuar a ler “O TRIUNFO DA (BOA) VONTADE – por Danyel Guerra”

21 DE JUNHO 1970 – por Francisco Fuchs

 

Pelé e Bobby Moore trocam camisas ao término de Brasil x Inglaterra (1970)

 

Para Giuseppina Traverso

Quando eu nasci, o Brasil era o país do futebol: donde se conclui que já não sou nenhum garoto. Há coisas que não podemos revelar sem denunciar nossa idade; porém, por uma dessas leis de compensação que gostaríamos de imaginar arranjadas por um ser superior, quanto mais se avoluma a soma de nossos anos, menor é a importância que damos à divulgação do resultado. Continuar a ler “21 DE JUNHO 1970 – por Francisco Fuchs”

A FAMÍLIA – por Manuel Igreja Cardoso

A família é ser e estar. Pertencer e ser pertencido. Amar e ser amado. Vir de antes, dar, receber e seguir. Sem condição, entregar todo com todo o coração e mais a mente, pois é com ela que tudo se sente.  É ser um nós cá dentro e nós em cada um que é nosso e nós dele.

A família é porto de abrigo depois de se encontrar o rumo certo, quando longe dela, nos arde o desejo de estar perto. É um toque a unir agora e nos dias que estão para vir. É um sentir, um contentamento às vezes descontente, no sublime pensamento que nos distingue e nos faz ser gente. Continuar a ler “A FAMÍLIA – por Manuel Igreja Cardoso”

A IMPORTÂNCIA DE HAVER LIVROS EM CASA – por Olinda Gil

 

Como professora de Português há sempre aquele dia (muitos) em que falo de livros com os alunos. Para um projeto de leitura, por exemplo, tento ajudá-los a escolher os livros: sugiro livros, mostro-os, levo os alunos à biblioteca e desarrumo as estantes… Mas, surpresa das surpresas, os alunos tentam sempre ler livros que tenham em casa (“vou ler um livro da minha mãe”), ou que lhes oferecem (“vou ler o livro que a minha madrinha me ofereceu pelo Natal”), e em alguns casos, selecionam um dos livros mostrados, ou mesmo da biblioteca, mas “querem tê-lo na estante”. Continuar a ler “A IMPORTÂNCIA DE HAVER LIVROS EM CASA – por Olinda Gil”

SPAGHETTI E SOMBRINHAS JAPONESAS – por Danyel Guerra

Lisboa, 1981- Glauber Rocha tendo ao fundo um cartaz de ‘Raging Bull’, de Martin Scorsese.

   

“Ida Lupino, John Cassavetes e Glauber Rocha foram uma influência  fundamental para a minha formação. Seu Cinema continua sendo  uma inspiração para mim, enquanto cinéfilo e cineasta”   

 Martin Scorsese

 

 Feliz aniversário, Glauber!   

 Num incerto dia de um outono dos anos 70, Juan Luis Buñuel passeava por Saint-Germain-des-Prés, quando, de súbito, alguém cutucou seu ombro. Ao se virar,  logo reconheceu o cidadão. Trazia um pacote nas mãos e intimou Juan a acompanhá-lo. “Ele parecia ansioso, aflito mesmo”. Em passo acelerado caminharam até à margem esquerda do Sena. Continuar a ler “SPAGHETTI E SOMBRINHAS JAPONESAS – por Danyel Guerra”

ESCREVER- por Manuel Igreja

Escrever é procurar as palavras que urgem para que se desenhe o que sente. É entrelaçar os fios de que a alma é feita na vida que se tece enquanto esta vai acontecendo em madrugadas surgidas para serem vividas. É pontear as costuras onde por vezes se rasga o viver. É deleitar e sofrer. É clarear, mas também pode ajudar a escurecer. Continuar a ler “ESCREVER- por Manuel Igreja”

JULGADOS – por Carol Demolimer

Estouraram foguetes na rua e me assusto. Essa gente me dá afasia. Por me assustar tanto. Me tirar do meu recanto de escrita onde estava tão tranquila. O quão ruim é sentir sentimentos desagradáveis. Porque não suportamos, e pior, porque ao outro o ofertamos? Direcionamos. Nosso ódio.

Continuar a ler “JULGADOS – por Carol Demolimer”

SINEMA, SEU DESTINO É PECAR – por Danyel Guerra

Serge Daney

“É preciso uma revolução estetyka e cultural no
Cinema. É necessário que o próprio conceito de
autor cinematográfico seja revolucionado”    
                                  Glauber Rocha   

 

‘La Mort de Glauber Rocha’. Assim titulava Serge Daney, o célebre epicédio dado a estampa na edição de 24 de agosto de 1981, do diário francês ‘Libération’. Nesse tributo, o sinecrítico confessava que nele “ainda não se tinha dissipado a estupefação” provocada, em 1979, pelo visionamento da obra testamento do sinemanovista brasileiro. “‘A Idade da Terra’ não se parece a nada de conhecido. É um filme torrencial e alucinado. Um OVNI fílmico, sem mais nem menos”. Continuar a ler “SINEMA, SEU DESTINO É PECAR – por Danyel Guerra”

AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E….- por Fernando M. Guimarães

 As alterações climáticas e o relógio do Apocalipse

As ciências da Terra são um conjunto de ciências que se dedicam ao estudo do planeta. De entre essas ciências, a Geologia preocupa-se com a investigação da estrutura da Terra e, de modo particular, com a sua história, a maneira como os eventos geofísicos determinaram a sua formação e o seu desenvolvimento até ao presente.

Na geo-cronologia que os cientistas propõem, nunca o homem aparece como factor que esteja na origem, permanência e fim dos períodos geológicos. Até aos nossos dias! Continuar a ler “AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E….- por Fernando M. Guimarães”

RESSIGNIFICAR A POBREZA – por Teresa Escoval

Falar sobre a pobreza e combatê-la leva-nos primeiramente a entender o que ela é efectivamente. Continuar a ler “RESSIGNIFICAR A POBREZA – por Teresa Escoval”

TEM PATRICIO NOS SETS BRASILEIROS – por Danyel Guerra

FERNANDO DE BARROS (Foto: Leo Feltran)

“Silvino Santos não foi mais um nome para os empoeirados arquivos de cineastas primitivos. Soube sempre colocar sua consciência profissional acima de quaisquer especulações esteticistas”           

                                 Alex Viany

Em Portugal, está ainda por inventariar e historiar, de modo sistemático, abrangente e rigoroso, a muito estimável contribuição dos imigrantes lusos para o fomento, incremento e desenvolvimento do cinema brasileiro. Continuar a ler “TEM PATRICIO NOS SETS BRASILEIROS – por Danyel Guerra”

UM GATO É UM GATO É UM GATO – por Fernando Martinho Guimarães

 

by kirsten bühne

Do gato se pode dizer o mesmo que se diz da tradição: já não é o que era. Mas como o gato não faz a mínima ideia do que isso quer dizer, continua sendo o que sempre foi, o único ser que nos olha sempre de cima para baixo. Na impossibilidade de o domesticarmos, tudo indica que o gato tomou, algures no tempo, talvez há nove mil anos, a iniciativa de nos domesticar. A medida mais recente é a invenção da internet e das redes socias, cuja serventia mais prolífica consiste no facto de podermos partilhar pequenos filmes de e com gatos. Neste processo, não é de desprezar o filme Aristogatos que nos faz crer que toda a gente quer ser gato. E, porque esta metamorfose está destinada ao fracasso, ficamo-nos pelo arremedo de ter um gato…em casa. Trata-se, como é fácil de ver, de mais uma estratégia de gato. Continuar a ler “UM GATO É UM GATO É UM GATO – por Fernando Martinho Guimarães”

OS SONHOS – por Manuel Igreja Cardoso

by nguyễn hoàng việt

Sonhar. Ambos sabemos o que é. Quer eu que teclo para que as palavras alinhadas sejam desenhadas, quer vossa senhoria que depois as está a ler, entre o deitar e o erguer da cama e quando o deus Morfeu nos contempla com o seu beneplácito, sonhamos. Continuar a ler “OS SONHOS – por Manuel Igreja Cardoso”

CONVERSA DE ESTÁTUAS – por Wander Lourenço

 

Conversa de estátuas

Drummond, Caymmi, Pessoa e Clarice

 

Dorival Caymmi

Eram meados de maio do ano da graça de 2022 e a imperiosa Copacabana transpirava uma brisa à Jonny Alf, quando a estátua do compositor Dorival Caymmi, que saudara a “princesinha do mar” em antológica canção praieira, se aproximara da escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade, para dois dedos de prosa sobre as amenidades da vida e a arte da sobrevivência nesta São Sebastião do Rio de Janeiro.

Continuar a ler “CONVERSA DE ESTÁTUAS – por Wander Lourenço”

O ABORRECIMENTO – por Fernando Martinho Guimarães

Nunca, como nos dias de hoje, se foi tão solicitado a estarmos sempre ocupados.

Em lugar de procurarmos compreender e aprender, pedem-nos que dediquemos os nossos dias a empreender – o empreendorismo tornou-se um modo de vida. E a vida torna-se um zapping constante – uma azáfama, um frenesim. Continuar a ler “O ABORRECIMENTO – por Fernando Martinho Guimarães”

TOMANDO UM KAFKAFÉ COM ELE – por Danyel Guerra

Lygia Fagundes Telles © Acervo Arquivo Nacional

 

“(…)’As glórias que vêm tarde, já vêm frias’,

  escreveu o Dirceu de Marília. Me leia enquanto estou quente”                                

 Lygia F. T. 

    TOMANDO UM KAFKAFÉ COM ELE

 

Exuberância tecida de curiosidade, Lygia entra no jardim dos caminhos que se bifurcam, dirigindo-se, sem hesitações, ao canteiro nº 40. Embevecida, captura, ávida, a fragrância da rosa imarcescível, o primoroso exemplar do borgeano jardineiro. “(…) ninguém pensou que o livro e o labirinto eram um único objeto”. Continuar a ler “TOMANDO UM KAFKAFÉ COM ELE – por Danyel Guerra”

REFLECTIONS OF A STRANDED NOMAD – por Alexandra M.

Fire and Ice (South India, January 2020)

A dramatic title for the description of two mundane things. Winter in the tropics. Winter in Portugal. And yet so accurate. The temperature around me dictates my mood much more than I would like to allow. Give me sun and heat and I will be happy and pleasant. Give me cold and grey and I am too uncomfortable to be nice. Luckily I was born in one of the sunniest countries in the world so there the combination of both, cold and grey, is rare. Which doesn’t stop me from fleeing to warmer latitudes as much as possible. Continuar a ler “REFLECTIONS OF A STRANDED NOMAD – por Alexandra M.”

O SILÊNCIO – por Manuel Igreja Cardoso

Foto by Eugene Liashchevskyi

O silêncio é um dom e é um tom. Um dom, porque na ordem das coisas da mãe natureza que tantas vezes mais parece não haver ordem, nos é disponibilizado com todo o esplendor para nele ouvirmos os sons mais profundos das veredas da alma. Um tom, porque como sabemos, uma pausa também é música quando esta ostenta o timbre dos anjos.    Continuar a ler “O SILÊNCIO – por Manuel Igreja Cardoso”

NAS NÚVENS – por Fernando Martinho Guimarães

“O Infinito Reconhecimento”, by Rene Magritte

Além da infância, em que olhar as nuvens e brincar descobrindo formas nelas é uma tarefa a que nos dedicamos com todo o empenho, são poucas as vezes em que as olhamos com olhos de ver.

Esta injustiça para com as nuvens é sinal evidente de que ser criança é coisa já passada há muito tempo e que, à inconsciência disso, acrescentamos a ignorância das coisas que fazem da infância a fase mais feliz da vida. Continuar a ler “NAS NÚVENS – por Fernando Martinho Guimarães”

A TOLERÂNCIA – por Manuel Igreja Cardoso

Não vão muito de feição para os campos da tolerância os ventos que sopram na espuma dos dias nesta nossa modernidade. Ao contrário do medo, ela não nasce connosco. Germina, desponta, mas facilmente mirra quando não é cultivada e quando as pragas urdidas pelos temeres a infetam. Continuar a ler “A TOLERÂNCIA – por Manuel Igreja Cardoso”

POR QUÊ, A REALIDADE NÃO SE CANSA?… – por Rodrigo Costa

“Luz e Coerência” by Rodrigo Costa

… Numa das minhas voltas pela actualidade, fiquei a par do que, em resumo, é o livro, de memórias, de Francisco Pinto Balsemão… De algumas memórias, porque, de acordo com o próprio, nem todas convém serem lembradas. De relevante, no alinhamento, a confirmação, colateral, de que o País tem estado sob a tutela de jovens companheiros da vida airada; gente que nasceu e cresceu em clima de inocentes aventuras —razão porque, no topo da pirâmide, haja o que houver, não há culpados. E não há, por ser incoerente culpar quem, medrando em parcerias de irresponsabilidade, tem tido permissão para ser governo. Continuar a ler “POR QUÊ, A REALIDADE NÃO SE CANSA?… – por Rodrigo Costa”

…DA INSÓNIA – Fernando Martinho Guimarães

 

O que se pode dizer sobre a insónia? Que é uma moléstia, um distúrbio do sono, uma disfunção, uma falha, um desarranjo. Como anomalia, a insónia pode ir do simples desassossego em ter dificuldade de adormecer ao desespero da privação do sono.

Dormir é importante. Lembram-no constantemente o nosso médico de família, como também os muitos programas televisivos que se preocupam com a nossa saúde – o sono é regenerador, dormir sete horas por dia é essencial, deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.

Pelo sono, todo o acordar é um começar de novo, um recomeço. Despertar de um sono restaurador de energias é instalar a esperança no dia que se inicia. Dormir tem isto de reconfortante e de enganador: permite-nos esquecer as preocupações da vida, ausentarmo-nos do mundo. Porém, com o andar do dia, os problemas e as preocupações acabam sempre por nos encontrar.

É assim natural que, do lado do sono, só encontremos benefícios. Alheios de nós e do mundo, abandonamo-nos à inconsciência que é cair nos braços da sonolência e do adormecimento. O paraíso apenas o é porque nele se pode dormir. No inferno, não!

Na insónia, na privação do sono, tudo concorre para nos atormentar, por um excesso de lucidez. Despertos contra a vontade, sofremos, pela insónia, com a desmesura de pensamentos que recomeçam sempre. Quem conhece a experiência da insónia, sabe o tormento que é querer dormir e não conseguir. E, no entanto, a impossibilidade de dormir é saudada como uma oportunidade de fazermos coisas. De acrescentar tempo ao tempo.

No livro Cem Anos de Solidão, que deu a imortalidade a Gabriel Garcia Marques – e o prémio Nobel da Literatura -, narra-se, a certa altura, o alastrar da epidemia da insónia. Os habitantes de Macondo, a aldeia onde se passa o romance, são acometidos da «peste da insónia». Acordados contra a vontade, aproveitam para tirar vantagem da nova condição – tudo o que havia para fazer é feito, e a produtividade torna-se uma vertigem que toma conta de todos. Rapidamente se dão conta que a exaustão e o tédio são consequências de não dormir. Sem sono, sem dormir, as coordenadas do tempo esfumam-se e as lembranças também – paradoxalmente, ou se calhar não, o esquecimento é a consequência de estar permanentemente acordado. Sem mais nada para fazer, sem conseguirem fazer mais nada, são muitos os que desejam voltar a dormir, nem que seja por simples saudade dos sonhos.

Fernando Pessoa, quer dizer, um dos seus heterónimos, Álvaro de Campos, diz-nos isso num poema, precisamente chamado Insónia: «Não durmo; não posso ler quando acordo de noite, / Não posso escrever quando acordo de noite, / Não posso pensar quando acordo de noite -/ Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!»

Quer dizer, o que é preocupante na insónia é, afinal de contas, a impossibilidade de sonharmos.

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Fernando Martinho Guimarães (1960) Nascido transmontano (Alijó, Vila Real), foi na cidade do Porto que viveu até aos princípios dos anos 80. De formação filosófica e literária, a sua produção ensaística e poética reflecte essa duplicidade. Publicou em 1996 A Invenção da Morte (ensaio), em 2000 56 Poemas, em 2003 Ilhas Suspensas (edição bilingue, castelhano/português), em 2005 Apenas um Tédio que a doer não chega e em 2008 Crónicas.

O MEDO – por Manuel Igreja

 

O medo tolhe-nos. Rouba-nos o discernimento, aumenta-nos a desumanidade, cobre-nos de egoísmo primário. O medo sem que se perceba, pode fazer com que uma comunidade cordata e amiga do seu amigo e companheira do seu vizinho se transforme num ninho de vespas onde campeia a crueldade impelida por uma quase absoluta insanidade mental. Continuar a ler “O MEDO – por Manuel Igreja”

O SONHO DO SARGENTO PIMENTA – por Danyel Guerra

  

John Lennon e Yoko Ono (Foto: AP)

 

“I dreamed about  you last night and I fell out the bed twice”

                                           Morrisey, citando Shelagh Delaney           

A noite passada, o Sargento Pimenta sonhou  com  Nara e caiu da cama duas vezes. A sério, podem crer. Alerto porém que esta Nara não é, esclareça-se, a cidade dourada que no século VIII foi içada a primeira capital do Japão. Embora ela, a cidade, se tenha, antes de tudo, singularizado pela zen serenidade de seus templos budistas e pelos parques povoados  de cervos prenhes de meiguice. Continuar a ler “O SONHO DO SARGENTO PIMENTA – por Danyel Guerra”

OS AÇORES E AS FESTAS DO ESPIRITO SANTO – por Fernando Martinho Guimarães

Tradição significa «passar adiante», «entregar». Neste sentido, a tradição, costumes, símbolos, memórias, hábitos, cerimónias, festas, é aquilo que passa de geração em geração.

O conjunto dos bens culturais que constituem a tradição de um grupo, de um povo, assegura a sua permanência, a continuidade de uma identidade social e cultural. Continuar a ler “OS AÇORES E AS FESTAS DO ESPIRITO SANTO – por Fernando Martinho Guimarães”