Nos últimos dias de Novembro de 2018, o mundo recebeu uma notícia que não estava preparado para ouvir. Um cientista chinês anunciou o nascimento de duas irmãs gémeas editadas geneticamente. Através da manipulação genética teria desactivado um gene e assim tornar as crianças imunes à infecção pelo vírus da Sida. Os embriões eram saudáveis, diga-se desde já, o que faz com que a intervenção não seja terapêutica, isto é, para curar uma doença hereditária, mas sim uma tentativa de melhoria genética da espécie humana. Passaríamos a ter, pela primeira vez na história, dois tipos de pessoas, as naturais e as editadas, as melhoradas geneticamente.
As reacções, sociais e na comunidade científica, não se fizeram esperar – tinha-se passado uma linha vermelha e a caixa de Pandora abrira-se para a eugenia, isto é, para os bem-nascidos, com todas as vantagens que a edição genética pode fornecer e os outros, a esmagadora maioria dos outros, os naturais, os que não teriam acesso a essa melhoria que a bio-tecnologia promete dar. O governo chinês reagiu imediatamente e mandou suspender todas as investigações. O cientista, como parece já habitual em algumas sociedades, desapareceu. Continuar a ler “BIOÉTICA – por Fernando Martinho Guimarães”
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