A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – por Fernando Martinho Guimarães

 

A Inteligência Artificial é a ciência ou engenharia de produzir máquinas inteligentes.

O critério que nos permite aferir da inteligência da máquina é, pois claro, o confronto com a inteligência humana. Uma máquina inteligente é aquela que executa funções que, caso fosse um ser humano a executar, seriam consideradas inteligentes. Por isso, a Inteligência Artificial aparece sempre associada quer à Cibernética, quer à Robótica.

A ideia é: delegar em alguma coisa, animais, escravos ou máquinas a execução de tarefas que não queremos fazer ou que, fazendo-as em nosso lugar, as fazem melhor que nós. Por isso, quando alguém trabalha bem e rápido, dizemos que parece uma máquina. E é um elogio. Se vemos uma máquina que executa na perfeição a sua tarefa dizemos, tal e qual um ser humano! É um elogio, também, mas já não dirigido à máquina, é claro, mas antes um auto-elogio.

Este fascínio por autómatos é coisa antiga. Um dos relatos mais antigos é de Homero que, na Ilíada, descreve um conjunto de autómatos ou robôs que têm a responsabilidade de fabricar a armadura de Aquiles. Desenhos de Leonardo da Vinci revelam o projecto de construção de um cavaleiro mecânico que era capaz de se sentar, mexer os braços e a cabeça. Aparte estas descrições antigas e ficcionadas de máquinas autónomas é sabido que a generalização do uso das máquinas é coisa da Revolução Industrial e, por via disso, está ligada ao mundo do trabalho e dos transportes.

Nos dias de hoje, a Inteligência Artificial e a Robótica fazem já parte do nosso dia-a-dia e não há um limite claro para as tarefas que as máquinas inteligentes poderão fazer no futuro.

Colocando provisoriamente de lado as questões éticas que a Inteligência Artificial e a Robótica trazem, é inegável que existem aspectos positivos associados ao uso de Inteligência Artificial e da Robótica.

Tarefas perigosas para os seres humanos, como a realização de pesquisas em lugares onde a presença humana se torna difícil ou mesmo impossível como, por exemplo, o fundo dos oceanos ou a vastidão do espaço, são casos claros da utilidade dos robôs. Ou, para referir mais um exemplo, o funcionamento do metro de Madrid em que o sistema responsável pela temperatura dentro das estações é um sistema de inteligência artificial pura, que faz previsões sobre o número de pessoas, a temperatura no interior e no exterior, que depende de quantas carruagens estão a chegar à estação. Este sistema também avalia o preço do mercado de electricidade. Com todos estes modelos, faz a gestão do ar condicionado em tempo real e escolhe automaticamente a temperatura para tentar minimizar os custos de energia. Na Medicina são cada vez mais frequentes – e bem! – as aplicações da Inteligência Artificial e da Robótica.

No entanto, há também aspectos negativos a considerar. Estudos sobre o futuro do trabalho mostram que os profissionais em maior risco de desaparecer são os operadores de telemarketing, os operadores de caixa, os cozinheiros, sim, os cozinheiros, os funcionários dos correios, os empregados de mesa e os contabilistas.

Um bom exemplo, neste caso mais mau que bom, é o caso dos supermercados. A tecnologia permite que sejamos nós a registar os produtos, um pacote de arroz, por exemplo. Se a pessoa que fazia esse trabalho já não o faz, então eu estou fazendo a mais, e o proprietário da máquina ganha mais dinheiro.

Acumular riqueza, ganhar mais dinheiro, não tem em si nada de mal. O problema está na acumulação desenfreada da riqueza e na polarização cada vez maior entre os poucos muito ricos e os muitos remediadamente pobres ou pobres mesmo. Assim, não é difícil adivinhar as tensões sociais que inevitavelmente o futuro trará.

Soluções não são fáceis de encontrar mas uma delas começa a ser politicamente equacionada. Estabelecer impostos para as empresas que obtiverem ganhos em produtividade conseguidos às custas da automatização de funções antes realizadas por trabalhadores humanos – taxar máquinas e robôs para, com os ganhos conseguidos, criar empregos nas funções sociais do Estado como a saúde e a educação, por exemplo.

As propostas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estão em linha com estas recomendações – para reduzir as altas taxas de desemprego  esta organização das Nações Unidas propõe que se aumente a criação de empregos nas funções sociais do Estado bem como a redução das jornadas de trabalho para 30 horas semanais.

A ver vamos.

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Fernando Martinho Guimarães (1960) Nascido transmontano (Alijó, Vila Real), foi na cidade do Porto que viveu até aos princípios dos anos 80. De formação filosófica e literária, a sua produção ensaística e poética reflecte essa duplicidade. Publicou em 1996 A Invenção da Morte (ensaio), em 2000 56 Poemas, em 2003 Ilhas Suspensas (edição bilingue, castelhano/português), em 2005 Apenas um Tédio que a doer não chega e em 2008 Crónicas.

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