ISABEL MEYRELLES – PORTUGAL – (1929)

Logo na adolescência Isabel Meyrelles (1929) conhece em Lisboa os poetas Mário Cesariny (1923-2006) e Cruzeiro Seixas (1920), e presencia a formação de dois momentos cruciais do Surrealismo em Portugal, primeiramente o Grupo Surrealista Português, logo desfeito substituído por outro grupo, os Surrealistas. O ambiente político em Portugal acabou levando Isabel a se mudar para Paris, onde até hoje reside. Continuar a ler “ISABEL MEYRELLES – PORTUGAL – (1929)”

JORGE CAMACHO – CUBA – (1934-2011)

O encontro de Jorge Camacho (1934-2011) com André Breton (1896-1966) foi decisivo em duplo sentido, o de abertura do cubano para o riquíssimo ambiente surrealista e para o francês a descoberta de um artista total – poeta, pintor, gravador, designer, fotógrafo –, marcado por um espírito apaixonado e íntegro. O próprio Camacho confessa que o encontro, que se deu em 1959, graças ao amigo comum e escultor cubano Agustín Cárdenas, representou o início de uma nova vida artística e intelectual. Continuar a ler “JORGE CAMACHO – CUBA – (1934-2011)”

LEILA FERRAZ – BRASIL – (1944)

A imagem que nos aterra a existência, que se torna um testamento usual, um versículo sempre na ponta da língua, cobra hoje uma tarifa existencial que nos limita a própria reflexão sobre o que somos ou deixamos de ser. Somos viciados em uma demanda reiterativa. Algo nos impede de experimentar um mundo outro sob ou sobre a capa de uma realidade averbada pela crença na imutabilidade da vida. Ora, mas a vida é tudo menos imutável. Mesmo no plano sagaz das religiões a vida é o preço, a súplica, a tormenta, o vislumbre, o apogeu, a dádiva, e não é possível pensar em nenhum desses atributos como um álibi inquestionável que não permite à espécie humana mudar sequer de postura na cadeira em que presta depoimento sobre sua existência. A fotografia é uma das mais complexas faturas da criação artística, a começar pela resistência da arte entendê-la como sua cúmplice. A beleza é outro aspecto frequentemente confrontado pela incredulidade em que o gesto humano seja tudo menos apenas uma reação brutal à diferença. A brasileira Leila Ferraz (1944) é poeta, ensaísta, fotógrafa, desenhista. Continuar a ler “LEILA FERRAZ – BRASIL – (1944)”

NICOLAU SAIÃO – PORTUGAL – (1946)

O português Nicolau Saião (1946) é poeta e artista plástico, com atividades ligadas ao Surrealismo desde o princípio, quando participou de várias mostras internacionais de arte postal. Em 1984, juntamente com Mário Cesariny (1923-2006) e Fernando Cabral Martins (1950), organizou a exposição O Fantástico e o Maravilhoso. Estudioso e tradutor da obra de H. P. Lovecraft, em 2002 organizou a primeira edição integral em todo o mundo de Fungi From Yuggoth (1943), tendo também a ilustrado. Continuar a ler “NICOLAU SAIÃO – PORTUGAL – (1946)”

JOHN WELSON – GALES – (1953)

O galês John Welson (1953) é um desses personagens admiráveis por sua incondicional obsessão pela criação. Desde a infância que se dedica à pintura, ao desenho, à cerâmica e logo dando início também à escritura poética. Resultado dessa voracidade criativa é que tem em sua agenda um registro de mais de 300 participações em exposições em vários países. Nas últimas décadas produziu um abstracionismo lírico cuja ótica central é a paisagem de sua terra natal, o País de Gales. Continuar a ler “JOHN WELSON – GALES – (1953)”

ENRIQUE SANTIAGO – CHILE – (1961)

O Surrealismo encontra no Chile um de seus vasos internacionais mais pulsantes e renovadores, de que são exemplos desde a vitalidade esplêndida de Rosamel del Valle (1901-1965), passando pelo grande marco em torno do grupo Mandrágora, em especial com a grandeza estética e o caráter de Enrique Gómez-Correa (1915-1995), as atividades concentradas ao redor do imenso articulador que é Ludwig Zeller (1927), a formação do grupo Derrame, até a destacada presença de Enrique de Santiago (1961). Poeta, artista plástico, ensaísta e agitador cultural. Autor de livros como Frágiles tránsitos bajo las espirales (2012), Elegía a las magas (2014) e Bitácora de un viaje ontológico (2018). Continuar a ler “ENRIQUE SANTIAGO – CHILE – (1961)”

FRIDA KAHLO: EL DISCURSO DEL CUERPO – por Mariella Nigro

Se ha dicho de varias formas que todo arte es erótico. Reconociendo que el de Frida Kahlo habría de ceder a tal generalización, no podría simplemente adscribirse su obra a un arte erótico. Ella traspone a la pintura una experiencia corporal, la carnalidad, más que la sexualidad, zona instrumental de las sensaciones: el cuerpo como espacio de desarrollo de las emociones.

Continuar a ler “FRIDA KAHLO: EL DISCURSO DEL CUERPO – por Mariella Nigro”

CARLOS ARAÚJO: A ARTE E A SACRALIDADE NA ARTE – por Jacob klintowitz

 

O deserto estava nele e ele estava no deserto.

Houve um momento em que o jovem pintor Carlos Araujo se deparou com o deserto, com a ausência de todas as referências e signos interiores. E este seu deserto era despido de significação e todas as coisas, inclusive a sua movimentação pessoal no circuito artístico, pareciam tolas e vaidosas. Continuar a ler “CARLOS ARAÚJO: A ARTE E A SACRALIDADE NA ARTE – por Jacob klintowitz”

EM BUSCA DA INOCÊNCIA PERDIDA – Rok Pavlovski

Nota do nosso editor de Fotografia:

Embora uma boa imagem seja sempre uma boa imagem, qualquer que seja o processo usado na sua criação, não posso deixar de confessar uma progressiva saturação com o desfilar de fotografias vestidas pelo Deus da moda digital; o Photoshop.

Autor convidado desta edição, o esloveno Rok Pavlovski decidiu cortar com um passado bem recente, recheado de autênticos postais ilustrados, daqueles que arrancam muitos likes no Facebook, construir as suas próprias câmaras,  e partir rumo aos primórdios da fotografia em busca da inocência perdida.

Paulo Burnay

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Rok Pavlovski (also known as the proverbial Tatanka Yotanka), was born on the dawn of the 1970s. Through the perilous journey of his early years, he has acquired many a useless (and some of them artsy!) pieces of degree. Despite his greatest efforts, his painting never met the prolific standard worthy of a guided frame. To materialize some of his artistic heartaches, he finally succumbed and became what were his father and grandfather before him — a jeweler. Nevertheless, he did not give up on the idea of capturing the beauty of his surroundings on paper. The onset of the midlife crisis and a brand new DSLR camera, provided by none other than his supportive mother, brought about all that the Pavlovski was about to become (artistically, of course). After mastering the digital, analog photography became his new obsession. A year ago, interest in large format photography was sparked in Rok, but due to the financial burden that such ambition brings, he decided to build the cameras himself. The collection of his handmade photographic machines now boasts with 5 different analog camera models and the number is soon to grow. Some call it snobbery, some are screaming that he should get a real job, but in the end, it was the burning passion and years of dedication to the mistress we call art, that made his ancient-looking analog creations spring to life in this cold digital world.

ARTE E A ARTE DA PSICANÁLISE – II PARTE – Jorge Antônio da Silva

(leia a I PARTE aqui )

Enquanto Freud aguardava um novo século para inaugurar seu feito, as artes ebuliam com as experimentações impressionistas ao ar livre. O Expressionismo não retratava a realidade objetiva, como os impressionistas, porque não mais admitia a realidade como leitmotiv mas a interioridade humana com suas emoções, incertezas e mistérios. Denunciava a injustiça social, mostrava os vícios humanos em formas retorcidas com a violência de tubos diretamente aplicados sobre as telas, em impastos vigorosos. A infância da Psicanálise ocorreu nesse fértil terreno transitivo, quando a incógnita alimentava uma nova era de velozes transformações que a arte se incumbiu de registrar. Arte a que Adolf Hitler (1889/1945), depois, chamaria de degenerada. Continuar a ler “ARTE E A ARTE DA PSICANÁLISE – II PARTE – Jorge Antônio da Silva”

LA TORTUGA ECUESTRE, DEL PERUANO CÉSAR MORO, EN COSTA RICA – por Ricardo Echávarri

Nota sobre la reciente aparición de La tortuga ecuestre, del peruano César Moro, en Costa Rica.

Gracias al cuidado de Omar Castillo, Amirah Gazel y Alfonso Peña acaba de aparecer, bajo el sello de Art Edition, en San José, Costa Rica (2018), la última reedición de la Tortuga Ecuestre, del poeta peruano surrealista César Moro. Esta cuidada edición contiene dos nota distintivas: una introducción de Omar Castillo y los admirables “collages” de Amirah Gazel y Alfonso Peña. Continuar a ler “LA TORTUGA ECUESTRE, DEL PERUANO CÉSAR MORO, EN COSTA RICA – por Ricardo Echávarri”

ENRIQUE ROSENBLATT, LA POESÍA OCULTA – por Enrique Santiago

 

Enrique Rosenblatt Berdichevsky, 17 de febrero de 1922, 6 de septiembre de 2009. Fue un poeta muy cercano al grupo Mandrágora. Uno de los colectivos surrealistas más influyentes de la literatura chilena y latinoamericana. Su primer acercamiento con estos poetas, se da primeramente bajo ciertas circunstancias del azar objetivo, cuando tenía 20 años y había comenzado sus estudios de medicina, le fue diagnosticada una tuberculosis, lo que le obligó a guardar reposo en su hogar durante un tiempo prolongado. En ese entonces uno de sus vecinos era Juan Sánchez Peláez, con quien estaba iniciando una amistad debido a que compartían el gusto por la poesía. Continuar a ler “ENRIQUE ROSENBLATT, LA POESÍA OCULTA – por Enrique Santiago”

CAATINGA DREAMS por Floriano Martins

A experiência é meu único dever  
Ingmar Bergman
◊◊◊
A perda de um pouco de memória costuma ser gentil com a alma.
Walter Bishop

2043- O que passar por aqui será escrito. Este é um acordo secreto feito entre muitas vidas, muitas delas jamais compreenderam o motivo. 31 anos se passaram sem a mínima suspeita de que eu devesse retomar essas anotações.

Continuar a ler “CAATINGA DREAMS por Floriano Martins”

O POEMA E O POETA – por João Rasteiro






Nossa memória sempre foi 
a memória dos monstros 
nosso enigmático testamento

Casimiro de Brito



I

O poema nunca estará morto,
não é sequer poema,
a ilícita quimera desejada, o ouro
imperceptível e consumado,
“o problema não é meter o mundo
no poema”; vislumbrá-lo inteiro,
desinquieto em auroras claras,
em giestas de espera, e só assim
na breve treva a veracidade
que emana do canto dos pássaros
em disperso azul, em alforria,
lhe permitirá agarrar o seu trémulo
verso, a singular oblação da rosa. Continuar a ler “O POEMA E O POETA – por João Rasteiro”

A ARTE E A ARTE DA PSICANÁLISE (PARTE I) – por Jorge Antônio da Silva

PARTE I

Os poetas são aliados muito valiosos, cujo testemunho deve ser levado em conta, pois costumam conhecer toda uma vasta gama de coisas entre o céu e a terra com as quais o nosso saber escolar ainda não nos deixou sonhar. No conhecimento da alma eles se acham muito a frente de nós, homens cotidianos já que se nutrem em fontes que ainda não tornamos acessíveis à ciência .

Sigmund Freud

A thing of beauty is a joy forever.

John Keats

A Psicanálise é fruto do entrecruzamento entre a literatura e a medicina, embaladas pela mitopoética grega em seu processo criativo multidisciplinar, a serviço da plural elucidação da interioridade humana. Esse singular saber que redimensionou a visão do sujeito em sua essência plurifacetada, também se valeu das escoras invetigativas de outros cientistas, cujas buscas metódicas e conscientes caminharam na mesma direção de Sigmund Freud (1856/1939). Instrumentalizada na arte da palavra, a Psicanálise percorreu seu resoluto caminho sob a crítica de detratores ao seu inventor que, dela subtraiu os próprios equívocos em constante processo de revisão nos anos em que viveu. Releitores e comentaristas formam um continuum de recriações teóricas mas as estruturas de sua edificação na história do pensamento remanescerá como verdade, enquanto existir o homem, tal a justeza em sua constituição argumentativa. A arte lhe vem como ossatura estruturante, como esteios colaterais. O segmento seminal da Psicanálise se estatui por uma tríade de personagens do tragediógrafo Sófocles (?/406 a. C). Continuar a ler “A ARTE E A ARTE DA PSICANÁLISE (PARTE I) – por Jorge Antônio da Silva”

COLAGENS DE RODIA IBAVEDA

RODIA IBAVEDA

(Chile, 1985).

Poeta e colagista. Fundador do grupo surrealista chileno Agartha. Atualmente trabalha na publicação de um livro de poesia automática intitulado: “Funda-Mental: Aprenda Rádio em 15 dias”, escrito em parceria com o poeta Braulio Leiva (1979-2014). Além disto trabalha conjuntamente com o poeta mexicano Alejandro Rejón em um livro de escritura experimental, “Suma-Espejismo”. Publicou poesia nl blog do grupo surrealista Derrame e nas revistas “Marcapiel” (da qual é colaborador permanente), “Aquarellen” e “Matérika”, dentre outras. Foi incluído na Antologia Absoluta da Poesia Chilena, organizada pelo poeta Rodrigo Verdugo Pizarro. Juntamente com o poeta Mauricio Chase dirige o blog literário “Manos desde el Estigia”.

Rodia Ibaveda:

(Santiago, Chile, 1985). Poeta y collagista. Fundador del grupo surrealista Agartha de Chile. Actualmente trabaja en la publicación de un libro de poesía automática “FUNDA-MENTAL: Aprenda radio en 15 días”, que escribió en coautoría con el poeta Braulio Leiva: (Viña del Mar, 1979-2014) y trabaja junto con el poeta mexicano Alejandro Rejón en el libro de escritura experimental “SUMA-ESPEJISMO”. Ha publicado poesía en el blog del grupo surrealista “Derrame” y en las revistas Marcapiel (en la cual es colaborador permanente) Aquarellen y Matérika, entre otras. Fue incluido en la Antología Absoluta de la Poesía Chilena por el poeta Rodrigo Verdugo Pizarro. Dirige junto al poeta Mauricio Shade el blog literario “Manos Desde el Estigia”.

ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA NA ARTE PRÉ-HISTÓRICA? – por Diniz Cortes

 Uma hipótese interpretativa…

1 – Introdução e contextualização do “ Estado da Arte” na pré-história portuguesa

A Arte pré-histórica como tradução do pensamento simbólico humano, nasce com o aparecimento do Homo sapiens, no caso particular do contexto Ibérico, há mais de 40.000 anos. Continuar a ler “ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA NA ARTE PRÉ-HISTÓRICA? – por Diniz Cortes”

SONIA DELAUNAY: CÍRCULOS ENIGMÁTICOS por José António Barreiros

No panorama da pintura europeia, o casal Delaunay é um nome de referência. A sua biografia tem a ver com Portugal. Aqui viveram momentos fundamentais da sua vida artística. Foi no nosso país e por via da luminosidade invulgar do mesmo, que o cromatismo típico da sua linguagem pictórica ganhou individualidade e intensidade. Mas foi aqui que se viram envolvidos numa história de espionagem, precisamente por causa da sua invulgar pintura. Um dia talvez a história dê livro. Assim eu tenha tempo.

Continuar a ler “SONIA DELAUNAY: CÍRCULOS ENIGMÁTICOS por José António Barreiros”