
Quimera para a eternidade
Na tua cidade
ruas se inclinam
pontes se fecham
e o ar não se curva perante mim
Na tua cidade
somente a luz dos candeeiros e
da vontade das tuas mãos
Quem diria? antes tão luminosa
pontos resplandeciam sobre nós
- por aqui, não tenham medo –
Os nossos passos alados
no mesmo destino de Orfeu
Pudesse adornar a tua cidade
abrir-lhe todas as portas
levantar-lhe as pesadas âncoras
despejar-lhe a imensidão do desejo
Como seria bela a tua cidade
Extasiados os jasmins com o nosso amor
as tardes unidas num corpo só
já pensaste? a tua cidade descoberta
e ergueríamos no céu
um país com a forma do mundo
♣♣♣
Quimera para a humanidade
Receber-vos-á a felicidade dos que não singraram
e guiar-vos-ão as minhas pernas de sereia
não é sonho ver-me nadar junto dos tubarões
nem ilusão a carícia que lhes ofereço nos dentes
Acreditais que aqui nunca há sede e
e que há uma abelha pousada em cada flor?
Aqui a escuridão é da noite apenas
aqui todo o sangue corre no seu lugar
tanto são os lagos rios ou oceanos
Colares de pérola ou milho dourado
Não vereis nunca um inimigo
Nem ouvireis ondas a rebentar
Neste lugar há violinos que tocam
que se silenciam para vos ouvir chegar
Podeis vir sem permissão
trazei somente roupa leve
olhos libertos e folhas em branco
dai as mãos à chegada
inspirai o perfume da terra e
unidos gritai o meu nome:
Paz!
♦♦♦
Carla Pereira nasceu em Braga em 1983. Encantou-se cedo pelas possibilidades guardadas nos espaços do mundo, pelo que lhe é impossível existir entregando-se em definitivo. Arrebatam-na as composições de Verdi, os versos de Cesariny, as ideias de Aristóteles e os movimentos aperfeiçoados nos corpos que se esforçam por resistir ao tempo.


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