
Conversão
é no escuro deste dia que vens?
tornei o meu quarto no absoluto
pois sei que é assim que te convém
dispostos à tua medida
paredes, tapetes e cama
e os candeeiros também
como queres que te espere?
sentada? ou preferes encontrar-me deitada?
e os braços? cruzados a simular certezas
ou caídos denunciando fragilidades?
seja como for, farás com que estremeça
com que me perca
com que me engula no tempo
por favor, deixa cair uma das tuas lágrimas sobre a minha pele
ou então, se ainda tiveres sangue dentro do teu peito gelado,
faz com que me entre directamente na boca
haverá grandeza maior do que te sentir pulsando nas minhas entranhas?
deram conta no mármore que morreste
tão ignorantes os simples sem desejos nem pensamentos
nada me importa que sejas sombra
a minha reverência basta para te agarrar
ouço-te, mesmo que me fales muito baixinho
e agradeço a companhia da tua mão parada
sem ti, nada mais do que uma pedra
inútil e deformada
pontapeada e esquecida
anda, anda anda ainda hoje
já te pressinto debaixo da minha cama Continuar a ler “POEMAS (FORA DO TEMPO) – por Carla Pereira”


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