MAIS TRÊS POEMAS INÉDITOS de Manoel Tavares Rodrigues-Leal

 

Três poemas inéditos de Manoel Tavares Rodrigues-Leal

I

Veio o vulto despir ou desfolhar a sôfrega rosa, ela (quem?) precária e indefesa.

E, calidamente, a efémera rosa débil tombou da haste de beleza.

Lx. 16-1-77 – caderno Os Passos do Amor – segunda versão – geralmente as primeiras versões são mais sucintas.

II

Noite núbil e nua em que não avistei teu vulto

vítreo. Noite talvez revólver

de, em mim, jovem mulher jazer e, em a hera, me revolver,

desmanchada a cama a chama…) e do suor brando o surto,

mulher tão reclamada e amada e nem sequer as tuas rugas ou rosas de amor a moverem-se.

Lx. 28-1-77 – caderno Os Passos do Amor – dedicatória: “(à Graça)”

III

mar de sexo ondas de ternura

são brancura em teu corpo acariciado…

se fosse corpo aceso, fecundado,

só cantaria rosas de saudade…

Lx. 24/1/81 – caderno Rumor de Inverno

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Manoel Tavares Rodrigues-Leal (Lisboa, 1941–2016) Estudou nas Faculdades de Direito de Lisboa e de Coimbra, não tendo concluído o curso. Em jovem conviveu com Herberto Helder no café Monte Carlo frequentando “as festas meio clandestinas, as parties de Lisboa dos anos 60 e princípios de 70”. Conviveu com Gastão Cruz, Maria Velho da Costa, José Sebag, entre outros. Trabalhou na Biblioteca Nacional como “Auxiliar de Armazém de Biblioteconomia”. Publicou cinco livros de poesia de edição de autor. As suas últimas semanas de vida foram terrivelmente trágicas. Caído no quarto, morrendo absolutamente só no Natal e passagem do Ano 2015–2016.