UMA NUANCE NAS NÓDOAS XI (e último) – por Lúcio Valium

©Lucio Valium/Paulo Lucio

Lábios

há uma cadeira vermelha aqui ao lado. Máquinas de teclar e grandes janelas. Três armários metálicos. Um relógio redondo. Quatro caixas com papelada em cima das mesas à minha esquerda. Nas folhas que estão à mostra pode ler-se no título LIV e por baixo Levantamento de Interesses Nacionais. Fico parvo e quase vomito o almoço. Uma canja em malga de alumínio e um rissol de atum. A mulher da cantina veio fazer-me queixa de uma rapariga com voz de trovão. Eu queimei a língua e olhei para o enorme cu horroroso de uma que estava a comer ao balcão. Daquelas que não se cala. Saí dali e fui para a biblioteca. Está um livro de Théophile Gautier exposto numa mesa à entrada. Chama-se Constantinopla. Apeteceu-me atirá-lo pela janela para as chuvas ácidas. Já naquele tempo escreviam livros de viagens. Escritores turistas. Eu até gosto dele porque gostava de um amigo que gostava dele. Já morreram os dois. Eu ainda estou vivo. Tenho livros dos dois. O outro jaz em Mangualde um dos sítios mais indecifráveis do planeta e chamava-se João Ulisses. Era um poeta das heroínas. Um escritor onírico e um homem de uma enorme finura. Bebemos juntos noites inteiras. Agora já não há disso. Faltam dez minutos para uma sessão terapêutica sobre o ser como espelho do outro. Vou buscar uma caneca de café. depois fico sentado no corredor a ouvir águas que escorrem por canos e telhados de latão. É boa música. Uma aula de estética. um levitar para zona inacessível a estes fantasmas demasiado normais. Aí encontrarei os teus beijos.

Fleuma

Ando por ali em ceroulas. Saí do laboratório sem lavar as ventas e os cabelos não viram pente. Tenho o sobretudo apertado até ao pescoço e botas de lenhador. No bolso um livro pachecal. Textos malditos que nunca li. Ando com ele há uma semana e nem a primeira frase acabei. Procuro o momento. Congelam-me as mãos lá fora mas é onde há melhor luz. Vou calçar umas meias nas mãos. Assim também os ácaros que sugam o papel e a tinta neo-abjeccionista não me chegarão à pele. É suficiente que as palavras se entranhem no miolo e que os atos sofram a infeção ótica geradora de golpes insurretos. Posto isto saio dali e vou ao talho aviar a receita. Tudo com osso. No tutano estará a escrita do lunetas dos tintos.

Parede

Avista-se o desvario humano da invasão maquinal. Aqui dentro revelam-se novas escravaturas. Torcem cérebros esgotam corpos. Proliferam materiais descartáveis. As ideias seguem o processo. Esvai-se por entre insidiosos mecanismos a memória de ser. O tempo não se vive. Cumpre-se. Deixa de saber-se como viver. O ritmo absorve os filhos do homem enleados por teias sugadoras. Obedecem indivíduos de carne e cérebro. Sem os usos de outrora. Não diminuirei o meu viver humano. Celebro o facto de ser e ter passado na terra. Saí da cantina quando entraram os capatazes. Bebi dois copos e um cálice. Almoço sonolento com toalha branca. Depois vou para o jardim pastar o esquecimento. Fico ali encostado a ver os ramos abanar. O seu movimento desliga-me. Existo. O som perfuma. Caminho lentamente. Passaram dezassete minutos e estive sozinho.

Teor

Endoideço ao acordar. Uma zoeira invade-me o circuito. Tudo trocado neste mundo degolado. Vou ao armário gamar pó de serotonina. Bebo-o com chá de gengibre e vou até ao lago. Olho a cara na água e vejo peixes na barba. Fico ali com limos nos olhos. Sem tempo ou fim. Nada prende um ser ao fundo. Ele deve levantar a sua âncora. Largar a água estagnada e provocar o espalhafato. Caminho à volta do lago para que caiam no chapéu algumas ideias. Não aparecem. Fico amuado e abro o guarda-chuva porque chove e não quero sair dali. Ouço água na água e no pano negro e decido que irei à cidade com outra indumentária procurar certos textos. Também um sabonete e café da loja do preto. Aponto o número da farda esfarrapada de alguns pacientes. Farei com eles um jogo secreto para incendiar neurónios petrificados e saborear poemas inexistentes. Assim andarei no meio dos outros com a gabardina cheia de apontamentos.

Ofícios

Era tarde chuvosa e andava ali a passar o tempo. Pensei em ti. Não pediste nada. Ninguém te colocou fasquias. Fizeste tudo que podias. Ser digna é teu. Desvendar é o teu tempo. Apanhar o fruto da árvore cheira bem nas mãos e dá ânimo à viagem. Mas há invernos longos. Hoje é dia e qualquer hoje é tempo de saborear. Inverter o afunilar. Abrir inventos na normalidade. Criar desejos na história íntima. Gravar no lacre uma irreprimível fúria de ser e de saber o que vem do fundo. Ir pelo ar da casa da rua da cidade com as pétalas. Fazer voos a partir do novelo. Pensando em ti saí das horas e depois fui para baixo dos claustros fugindo às águas. O texto do dia apareceu-me incompleto. Havemos de escrevê-lo ainda disse em voz alta. Arrumando a papelada escrevi a primeira frase quando a tua já me tinha levado para longe.

Sintonia

Estava a ouvir um poeta no rádio. Fiquei inclinado com a carne tensa e a postura incorreta. Pedi inspiração às putas das ninfas surdas como um tamanco. Eu teimava em curar-me pela escrita mas ela patinava. Medito quatro segundos porque é necessário assassinar qualquer coisa. Diz-me o filamento impertinente que é preciso rebaldaria. Afrontar os ares que sufocam a folha vai ser fodido de conseguir. Como largar o seboso e insinuante ar que empesta as frases que se babam no caderno. Vou até ao transito. Ao centro comercial ver os produtos. Ver gente. Andar devagar ao contrário. Rir-me por dentro. Gastar uma notas enrodilhadas que tenho junto à colhoada. Fazer-me de burro e espantar-me com a inteligência geral e seus vocabulários. Farei elogios às figuras e consolado aterrarei na hospedaria como um cidadão exemplar sabendo que está assegurada a continuidade do programa. Depois quando a meio da noite te ouvir falar caio em mim e acordo. Ainda não tinha adormecido e não me importava. Estava quente e macia a tua pele.

 © Lucio Valium/Pauloo Lucio

Prato verde

Não de vidro. O centro de um vinil que toca nos ouvidos enquanto os dedos passeiam em teclas negras. Branco o ecrã nos olhos o som tecnológico em nascente cerebral. Uma cápsula deste pavilhão cheia de habitantes humanos. Tudo conectado e uma preguiça generalizada. O som invade-me e afasto-me deles como se uma nave pessoal me permitisse estar longe e aqui no tempo que levita. Os sons crescem como raízes e a velocidade acelerada. Eletrificam as veias até recônditas zonas pouco ativadas. Há uma invasão. Uma ilusão de totalidade. Os sons alastram e impedem que interferências avivem outros lagos quietos. Uma dormência narcótica na tarde hermética. Lidei com documentos resolvi enigmas e agora vou ver se há cigarros na gaveta. Gata incontactável. Gata esquecida livre de ligações deslizando pelo fim de tarde. Beijos nas tuas pernas.

Devaneios

Ás vezes sinto-me voar. Outras a rastejar e penetrar as entranhas do plano em que se arrastam os vermes falantes. Depois acontece sentir uma vertigem nas garras e salivar como um animal faminto. Com vontade de esventrar o simulacro e zarpar para lá dos odores nauseabundos desta normalidade doentia. Não sou daqui. Contínuo sem saber de mim. Cuspo nos momentos uma virose que ninguém sente. Não se pega a cérebros calafetados com programas imberbes.  Quando fujo para o teu olhar e o teu corpo me queima então as músicas cósmicas libertam nas lascas do meu cérebro e nas fissuras do meu corpo o perfume de viver.

Valiumdança

Andava em andanças quando um artefacto ilustre me convidou para enlouquecer no seu âmago. Percebi que os seus argumentos estão dentro de mim e deixei-me levar. Mas apesar de muito velho permanece sem idade e contudo a sua morte avizinha-se também. Haverá outros artefactos para entrar na dança e ele e eu seremos substituídos por outros pobres híbridos com tempo igualmente contado. Fica então o registo de uma época que juntou dois humanoides felizes em sua aparição breve como anexos de um escrito.

Real

Li horas. Estiquei os lençóis da jangada noturna. Fui à oficina buscar a carroça que vem agora com outros óleos e circuitos desenferrujados. Depois de meses caindo lentamente como neve invisível limpei o pó dos livros. Ataquei um fungo e depois fui engraxar as botas. Também as tuas estão a pedir. Vou passar-lhes a cera milagrosa um destes dias. Misturei num alguidar os inventos para o nosso jantar. Lembrei-me que podemos ir buscar massa de pão para fazer um tabuleiro mexicano a tinto encorpado. Tenho de ir tratar do forno e acender a lareira. O sol deixa na sua ida um frio gélido. A hospedaria está mais bonita do nunca. As tuas mãos inventam encantos na entrada com o móvel velho e um candeeiro de teatro abandonado. Louças vindas em baús dos piratas. As fotos irrequietas de um doente intratável. Tudo tão bem abraçado pelas linhas elegantes e o laranja quente das tintas que lançaste à pele do real. É como se fosse sugado por uma droga infalível e entrasse num filme levitante. Também na parede ao lado do fogo está uma música. Imagem indomável com as tuas linhas e as do sol em luta pelo olhar do desamparado dos pés descalços que coloca pinhas debaixo de ramos para que a quentura atinja a magia saída dos teus bailados.

24

O do 24 é imprevisível mas oportuno. Sabe-a toda. um pensador em vendaval com gestos quase invisíveis. Não se engana quando resolve procurar-te…

Musgomar

As agrestes falésias que não conheço esperam-nos. Rochas batidas pela fúria do mar aguardam há séculos a nossa vinda. Antiga pedra quente a doer na pele e os grilos voam em cortinados até caírem nos sonhos confusos pela noite estrangeira. Qualquer noite é delinquente e nenhuma fronteira lhe corta os sintomas. Seria delito não esventrar a pobre dialética. Entraremos pelas fissuras com todo o despojamento. inventar golpes é a arte dos vivos. Assim diz o homem livro enquanto rasga bocados de mapa e anseia por outras línguas cheiros e sons. A ternura de ir sem saber. Estar perdido. tremer só de ir.

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Temporal

Fui com o ladrão de isqueiros até aos montes. Duas malas pequenas e um carro estragado. A maciez do alcatrão afagando as mandíbulas dos forasteiros. Simples falantes em busca de brilho no silêncio. Zarpamos da cidade-pandemónio em direção a um lugar-manicómio no interior. O jantar em mesa ampla. Pão e uma enorme gamela de feijões e vinho em cascata. Ao balcão um bando de humanos no mais absurdo dos festins. Música oficinal de bocas sôfregas. Uma gramática sem rédeas põe em cena a mais improvável e contraditória verdade. Aquilo existe. Dez megafones embriagados voam num espaço exíguo inventando o diálogo louco da peça não escrita. Ela elabora-se a um ritmo delicado com suas nuances. Clínicas performativas aritméticas. O poder da poesia pré-poética. A autenticidade do ser quando se esquece do real e se afunda no sentido mais pleno do incompreensível que é entre-cortado por riso e copos. Desertoras as almas-atrizes destes seres carnais engendram uma harmonia psicadélica. Fazem o caminho do nirvana. Vão despindo a roupa às palavras e cada frase eleva a fasquia do intraduzível. Sei isso há muito. Era o que buscávamos. Depois fomos em direção a outro santuário. Havia prescrição a seguir. Terapêutica de fim da noite. Um libreto mais refinado e sinapses corroídas pela bioquímica. O isolamento como fulcro de uma ética do instinto. Dramaturgia animal repetitiva. assim se geram filamentos de passado que vêm aquecer máscaras e ossos. Há uma cama ainda por fazer.

Friuras

Chega o sossego. Nem um som tirando a música dos segundos. A sala luminosa como um aquário e lá fora gelo. É num tempo morto que entra. Voltaram os derrames nos olhos. Pequenas liquidoses vermelhas. Pode ser alergia ao pólen cibernético ou a lâminas minúsculas nos licores. De qualquer modo vejo. Era a conversa com o do 24 há tempos. Tenha cuidado com o que vê. Devemos deixar de olhar para muita coisa. Diz isto e mostra-me um livro. Espelho de bolso para heróis. Pego-lhe e abro-o. Leio um pouco. Soube um dia que o homem que escreveu o planeta doente gostava do autor daquele livro. Talvez o do 24 e o bebedor da IS tenham alguns gostos em comum. Penso mas não falo. Sei que num botequim desconhecido não se deve olhar para tudo. O melhor é entrar como se já se fosse cliente há longo tempo. Bebi em muitos lugares sozinho sem tirar os olhos do copo no balcão ou das garrafas nas prateleiras em frente. O do 24 continua. Sabe que não é necessário olhar para ver. Não é que se ganhe muito em não ver. Quanto menos atravancarmos a mente melhor e os olhos descansam. O ideal é levá-los a ver o nunca visto ou ler e deixar entrar o que não existe. Ler é tempo. Leia com os olhos fechados. Pegou no livro e levantou a mão silenciosamente. Não levantei os olhos quando ele saiu. Já pensava na tua luz de fim de tarde na hospedaria se já terias chegado. Se já terias acendido os candeeiros com vermute branco sem casaco e ombros macios. Depois caminhei lentamente até ao barbeiro. Esperei sem pressa e adormeci. Quando acordei trovejava e não precisei de te ver. Sabia que eras uma gata em transe.

©Lucio Valium/Paulo Lucio

Galiza

Foi um sonho real andar pelas estradas e montes pinhais e caminhos. Seguir as linhas da terra beijadas pelo mar. Ver a areia macia aparecer no fim da estrada invadida pela imensidão azul. Ficar ali deitado sem ninguém. Flores. Cores. Dormir com a espuma ondulada nos ouvidos. Sorver os vinhos perfumados e as ruas com suas casas inverosímeis. Gestos desconhecidos outros seres. As janelas como barcos na varanda com lençol branco. A maciez da pele e a lonjura do olhar tão aconchegante na vida contigo.

Riso

Abro os dentes à manhã. Ela passa com a sua ferrugenta caixa de música. Encolho os ombros em conserva. Depois estico os tendões agarrado a um poste. Passeia o delegado emblemas suando. Viro as costas para me pentear. Suspiro café e gengivas em formol. Passa uma ratazana parente duma amiga de Utrillo. ingénuo o porteiro força a alavanca para decifrar um pouco de loucura retrospetiva. Fármacos alheios puxavam os lábios para os lados. Debaixo das bochechas havia poros. Durante muito tempo um festim esperava também Soutine. Prefiro o vermelho carnal à branca geometria das ruas vociferou um dia o do 24. Estávamos a lavar as mãos. Ele começou a arrancar alguns pelos das orelhas. Uma úlcera é uma frase tão agradável dizia a si mesmo por vezes. Quando o telefone tocou deus não atendeu. Por isso é que não foi possível falar com ele. Assim perde a piada. A escrita Valium é doente de longa data. Ri quem no réquiem acorda o morto com elegância. Ele continuava a rapar os sovacos porque disse que nunca o tinha feito. Eu tive que ir ao escritório porque já fui penalizado. mas agora não me apetecia. Tinha marcado com o Thomas Pynchon uma conversa com a sua complexidade. Quando eu repetia os passos ele escondeu-se atrás de um lenço com marcas suspeitas. Antes tinha estado na marinha e isso deu-lhe alguma preparação. Que eu não tenho grandes vistas também não se pode negar. Então olhei para o lado e fui tentar que o dia que já não ia curto fosse um jogo. Em certa medida porque não se pode almejar a errada pergunto sem saber muito bem o que fazer. Quando me levantava escorreguei num envelope e a porta da janela com o vento veio-me à cara. Teve piada.

Simpósio

Andava cheio de fungos e controlava mal o tempo. Entretanto voltavam momentos de desapego. Por vezes aparecia uma via como o trapezista inventa. Mantinha os pés no soalho e havia manchas nas paredes. Nada para comer. O melhor seria ficar calado mas o sangue ferve. Que importa se ninguém vê que a carabina do velho tasqueiro ainda não foi deitada ao rio. Vive-se em poesia quando a traça avança. Tudo não passava de pensamentos teimosos onde o simulacro e a escravatura do cifrão brilham. É um horizonte turvo para mentes desequilibradas. Nada mais solitário do que cair só para o lado dos desintegrados. Acontece que a cidade é devorada e que a escrita escorre neste povoado. Assim era a conversa silenciosa nas escadas das traseiras. A linguagem corrente não se presta a tais devaneios. Depois fui até à biblioteca de química e conversei com as frases. Elas dizem o que respondo e respondem ao que não digo. Este palavreado dá sede e assim vou caminhando sem pressa. Conto chegar à hospedaria antes de anoitecer. Há um gin à espera quando chegares.

Dor

Estava aturdido a perder a voz sem saber que passos dar. Nenhum gesto válido. Afundando o olhar no frio abandono ia por vielas desoladas. Ficava deitado na sarjeta a ouvir o silêncio. Respirava tremendo sem um pouco de calor vivo. Esgotado de interrogar-se sobre a dimensão da indiferença. Sobre a ausência e o veneno que corrói as feridas.

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§ O manuscrito acaba aqui e eu dou por finda a minha tarefa. Será publicado à passagem dos dois anos, na contagem do tempo que por cá se faz, da tua definitiva ausência física. Desculpa Amigo se, como diz o meu povo transmontano, não dei conta do recado. Fiz o meu melhor e como tu continuas, furtivamente, por perto, deve estar mais ou menos. Mas também como não saberás do que por cá se passa, pouca diferença te fará. Essa deixou de ser uma preocupação para ti. Aos que gostam de ti, resta-lhes a nostalgia dos tempos idos. Uns já se foram e os outros continuam a caminhar por entre mundos até ao anunciado último passo que pode ou não continuar a caminhada. A isso só tu poderás responder, mas sei de ciência certa que continuarás silencioso.   A. Manso

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Lúcio Valium/Paulo Lucio – Um ser em desvio, sem lugar! Um homem vivo, em desordem! Um forasteiro que nos caminhos encontrou palavras e perdeu moradas!