MULHERES COM NOME DE RUA – VII – por César Santos Silva

Aurélia de Sousa (Rua de)

Início – Santos Pousada (Rua de)
Fim – Alegria (Rua da)
Designação desde: 1954
Freguesia de: Bonfim
Anterior Designação – Viela do Seixal

Maria Aurélia Martins de Souza nasceu em 1866 Valparaiso, Chile para onde  seus pais tinham emigrado em busca de melhores condições de vida.

Quando regressaram a Portugal, o dinheiro amealhado pela família Souza  permitiu-lhes comprar uma Quinta sobranceira ao Rio Douro, a Quinta da China.

Em 1893 Aurélia, juntamente com sua irmã Sofia, matriculou-se na Academia de Belas Artes, tendo tido como professor o pintor Marques de Oliveira que, curiosamente a nossa toponímia perpetua em dois locais: a rua Marques de Oliveira ao Carvalhido e o jardim Marques de Oliveira que não é mais do que o nome oficial do Jardim de Lázaro.

Em 1899, Aurélia de Souza parte para Paris, onde fica até 1902.  Na capital francesa frequentou a Academia Julien, onde alguns dos seus quadros foram escolhidos para exposições escolares. Nos anos seguintes viajou imenso, tendo conhecido, entre outras cidades, Antuérpia, Berlim, Roma, Florença, Veneza, Madrid e Sevilha.

Em 1900, pintou o auto-retrato que é hoje considerado um dos mais importantes quadros da nossa pintura.

Auto retrato da pintora 

À época, a sua obra não foi compreendida, e a sua consagração só chegaria passados vários anos, após a morte da autora.

 A partir de 1909, Aurélia de Souza  participa com regularidade nas exposições da Sociedade de Belas Artes do Porto e desde 1916 até 1922, participa nas exposições realizadas em Lisboa, pelas Belas Artes. Viria a falecer em 26 de Maio de 1922, com 55 anos.

Nunca se lhe conheceu nenhuma paixão, nunca o seu coração se terá agitado e batido mais depressa por um homem. Não se lhe conhece muito bem os traços pessoais. Era, no entanto, uma mulher que  amava as coisas e as retratava de uma forma muito especial e que se retratou a si própria vestida de S. António.

Hoje, Aurélia de Souza  é justamente considerada uma das grandes pintoras dos finais do século XIX, ombreando com os nomes da geração que a precedeu, como Columbano, Silva Porto, Malhoa e  Marques de Oliveira.

Figura mor da sua geração, que teve nomes como Pousão e António Carneiro, entre outros.

Aurélia de Souza foi praticamente a única mulher do seu tempo que ficou para a posteridade, graças ao seu modernismo que não a inibiu (ou por causa disso) de ser criticada em Lisboa onde a revista Arte dizia “ser mais uma das senhoras que pintam nos seus tempos de ócio!”

Mas a posteridade vingou-a, José Augusto França, chamou-lhe a primeira pintora portuguesa.

Além do já citado Auto-Retrato, os seus quadros principais são: Mulher sentada a ler – comprado por Columbano para a SNBA. Paisagem – comprada pelo Rei D. Carlos – Jarros na Borda de uma taça.

A Rua Aurélia de Souza era chamada de Viela do Seixal até 1954, altura em que foi alterada para a designação actual e liga as ruas de Santos Pousada e da Alegria.

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César Santos Silva. Bacharel em História. Formador, professor de História do Porto, Portugal e Contemporânea do Mundo em várias Universidades Seniores, tais como Sindicato Professores da Zona Norte, Fundação Inatel entre outras.
Investigador de temas relacionados com a História do Porto e a História do Mundo,colaborador pontual dos “ Serões da Bonjoia”, conferencista habitual da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Fundação Inatel, Palacete Visconde Balsemão. Autor de vários livros dedicados à cidade do Porto.