EDITORIAL POR JÚLIA MOURA LOPES – “Afastem de mim esse cálice”

“Com toda a lama, com
toda a trama, afinal, a gente vai levando essa chama”.

Chico Buarque

Neste Maio único e tardio, Francisco Buarque de Hollanda, poeta-músico tão nosso, cronista dramaturgo da “Ópera do Malandro”,  romancista e ainda actor, homem lindo, que tão bem exterioriza o eu feminino, foi distinguido com o Prémio Camões”, o maior troféu literário da nossa língua.

Está reacendida a questão iniciada com o Nobel a Bob Dylan, sobre o conceito canónico de Poesia. Como se pode pretender que a poesia escrita seja superior à cantada, quando sabemos que a mesma teve  inicio exactamente na tradição trovadoresca?

*Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno

Além desta polémica, o Prémio Camões 2019 vê-se no epicentro de outra polémica bem mais feia. Os simpatizantes de Bolsonaro  acusam a escolha de Chico Buarque, denunciando ver nela uma mensagem implícita de  conotação política. Continuar a ler “EDITORIAL POR JÚLIA MOURA LOPES – “Afastem de mim esse cálice””

YUVAL HARARI, O FILÓSOFO DA MODA NO MUNDO GLOBAL- por Cecília Barreira

©Daniel Naber

Considerações sobre Yuval Harari,  o Filósofo da moda no mundo global

Yuval Noah Harari, israelita, professor de história em Jerusalém, incendiou o mundo com as obras já traduzidas em português Homo Deus, História Breve do Amanhã e 21 Lições para o Século XXI.  Com pendor filosófico e profético justifica as suas argumentações com o perigo das tecnologias e o medo da invasão de dados pessoais através da net e das redes sociais.

As contradições nos seus livros são imensas e até passam por branquear a figura de Hitler, comparando-o a um “humanista evolutivo”.  O único alvo deste historiador especializado em Idade Média são as altas tecnologias. Em relação a esse aspeto, Harari sem o mencionar tenta matar Sartre e os existencialistas que acreditavam no poder decisório dos homens. Continuar a ler “YUVAL HARARI, O FILÓSOFO DA MODA NO MUNDO GLOBAL- por Cecília Barreira”

A BUSCA DO ALEPH BORGEANO – por Danyel Guerra

“Existe no Universo, um ponto, um sítio privilegiado,
de onde todo o Universo se desvenda”

Louis Pauwels /Jacques Bergier

(Work in Progress)

Strategia del Ragno. Devo ao Cinema a boa ventura de, numa morna tarde de primavera, me ter entreaberto a porta da mansão literária de um escritor de sobrenome Borges. E com uma senha codificada em língua italiana.

Atento ao letreiro/genérico do filme supremo de Bernardo Bertolucci, datado de 1970, reparei que o soggetto partira de um conto de um autor, para mim, de todo ignoto. Consultando, curioso, a ficha técnica da fita, verifiquei que a narrativa tem por título Tema del traidor y del héroe, a terceira da seção Artificios do livro Ficciones, editado em 1944.(1) Continuar a ler “A BUSCA DO ALEPH BORGEANO – por Danyel Guerra”

(DI)VAGANDO SOBRE LA POESÍA – por Federico Rivero Scarani

“A ilha misteriosa” de Mário Cesariny de Vasconcelos

La poesía involucra, entre varios elementos constitutivos, a los sentimientos, sin embargo estos no hacen la poesía. La poesía es una manera, o un camino,  como tantos, de acercarse a la Verdad, a la Naturaleza, al Cosmos, y a las emociones humanas, aunque su único fin no sea solamente esos. Los antiguos griegos cantaban (con un objetivo didáctico) acerca de sus héroes y de sus dioses convirtiéndose sus obras en clásicos. Para ellos la voluntad divina y el Hado (Destino) conformaban la Verdad y la justificación  de su existencia. Lo novedoso en la poesía tampoco está en el lenguaje, en imágenes que abordan los variados temas si no en el “nuevo ojo” que se sirve del lenguaje poético y de sus correspondientes imágenes para hacer de los temas y motivos exposiciones originales que se mantienen entre lo “clásico” y lo “contemporáneo. Con respecto a este último se puede apreciar los postulados del relativismo estético (también denominado”estética historicista); este es una escuela de pensamiento en torno al arte, ligada al Postmodernismo y difundida especialmente en los países del tercer mundo. Esta escuela de pensamiento considera que la percepción y el juicio estético de un individuo frente a una obra de arte, son únicamente producto de la inmersión del mismo individuo en una cultura específica. Continuar a ler “(DI)VAGANDO SOBRE LA POESÍA – por Federico Rivero Scarani”

ORIGEM DA DINASTIA WIDO E FAMILIA CAVALCANTI – por Rosa Sampaio Torres

A origem franca da dinastia wido e da família Cavalcanti em Colônia, reino franco – século VIII

Ao tentar analisar a origem franca da família toscana Cavalcanti não mais como uma lenda, mas como uma possibilidade real, partimos em busca de traços e vestígios concretos desta provável e muitas vezes repetida origem.

Depois de muito pesquisarmos e termos realizado vários trabalhos prévios nos deparamos com um local possível e sugestivo para a mais antiga proveniência dos membros desta família italiana, como supunha seu genealogista do sec. XV Giovanni di Nicòlo Cavalcanti – localidade próxima de Colônia, no coração do antigo reino franco, com muito antiga Igreja dedicada a S. Gilles – lugar onde comprovamos desenvolvera-se a família dos condes de Hesbaye da dinastia wido, dinastia que sabíamos estive muito presente na Toscana.

Pequena Igreja por nós localizada leva ainda hoje o nome de São Gilles ou Santo Aegidius precisamente localizada entre Colônia, Mannhein, Aachem e Radisbona, coração do reino franco   atual localidade de Seckenhein-Mannheim (“Neustadt on the Wine Route” – Rhineland-Palatinate) – e fez parte no passado de antiga aldeia que  já aparece  referida no “Codex Lorsch”em 766

A cidadezinha atual onde se encontra a igreja é representada ainda por um símbolo muito interessante – um brasão com a própria imagem de Santo Egídio (S. Giglio, Saint Gilles), seu cetro indicando a região próxima de Neustadt – a Cidade Nova – cidade onde teria se localizado ainda um antigo ramo dinástico rural oriundo de corte, o chamado “Brunchwilre”.

O brasão da cidade com a imagem de santo Egídio:

Por nossas pesquisas em fontes locais comprovamos que essa Igreja de St. Gilles fora doada pelo Imperador Luis, o Piedoso, à Abadia de Lorsch em 823 registrado neste documento que a igreja teria sido anteriormente “comprada pelo rei ao conde Warin”.

A notícia deste documento no começo do século IX indicando a transação de propriedade entre o rei franco e os condes Warin é fato para nós muito significativo, pois comprova o local mesmo da origem desta importante dinastia wido – dinastia que dará origem aos reis franceses robertinos e capetos – e da qual surge, entre várias outras, a família Cavalcanti na Toscana.

Deste modo, ficaria comprovado que a genealogia da família Cavalcanti entre outras se desenvolvera no coração mesmo do reino franco e a partir dos mesmos ascendentes dos condes de Hesbaye – cristãos muito religiosos, conversores, martirizados e santificados, que no século VII haviam sofrido intensamente pelos conflitos ocorridos na mudança de poder do período merovíngio para carolíngio – conflitos politicamente cruéis para esta dinastia cristã, então sob os desígnios do decidido prefeito do Palácio da Neustria, Eboim.

Entre estes homens santos e muito cultos desta dinastia wido citamos o seu capostipide, o famoso São Warin, conde Warin I (Guerin) de Poitiers, que foi mesmo martirizado; São Lambert (Landebertus de Maastrich), conversor, referido na genealogia de Hesbaye, n. 636 – f. 705; São Liutwin (Leudwinus), Bispo ou Arcebispo de Trier e Bispo de Laon – tido como filho de São Warin I; Lampert II (Lamperthus), conde de Hesbaye em 706, indicado como abade de Mettlach, Bispo de Metz, Primaz da Gália e Germânia, primeiro abade de Lorsch. Ainda Robert de Hesbaye I falecido em 764, tido como filho de Lampert II.   Robert I  já  bem documentadofoi  dux em Hesbaye no ano de 732, conde do Alto Reno (Oberrheingau) e Wormsgau em 750, sobretudo  “missus” enviado ao papa na Itália em 757 para preparar a descida franca.

Por nós comprovado que esta estirpe wido saída do condado de Hesbaye por Robert I de Hesbaye enviado como missus à Itália em 757 manteve importante seqüência geracional, especialmente desenvolvida por seu filho, o conde Warin II de Herbaye, conhecido também como Warin, conde Altdorf (n. 723 – f.772) descendência que no século VIII precede e mesmo acompanha a descida de Carlos Magno em 775 para a península italiana, colocando seus membros em ligações não só em Spoleto por casamento, mas também nas linhas de enfrentamento e descida franca em Narbona, Barcelona, Córsega, Raecia e Friul. Fato este muito significativo para os da família Cavalcanti.

A pequena Igreja de Santo Egidio ou Saint Gilles por nós localizada e ainda hoje existente na atual cidadezinha de Seckenheim seria uma das mais antigas igrejas a direita da diocese de Worms, com assentamento e aldeia muito próximo onde se localizou um ramo dinástico de corte decaído. A aldeia mesmo citada no “Codex Lorsch” em 766, dois anos depois da morte de Robert I de Hesbaye falecido cerca de 764, e como vimos neto de São Warin (Guerin ou Guido).

Ainda outras informações coletadas na mesma região completam a história da pequena igreja de Saint Gilles. Na verdade uma antiga fazenda teria sido aí trabalhada desde o tempo dos romanos, com edifícios circundantes dedicados à produção de vinhos.  Vinhedos que mesmo caracterizaram a região Wincingas (Vincincta), significando montanha e vinho cingidos, unidos a aldeia referida no século VIII como Wincingas, e junto a ela construído o Castelo Winzingen nos anos 900 castelo e aldeia arruinados já no décimo século, momento crítico da passagem da dinastia carolíngia já para a dinastia otoniana alemã.

Sobre a vila junto ao castelo de Winzingen lembramos: “A vila de Winzingen era já bem anterior ao início do século XIII, quando foi construída a Cidade Nova (Neustadt) e a cidade de Haard….. a queda da vila de Winzingen, e seu castelo de mesmo nome, ocorreram no século X – castelo…. hoje em estado de ruínas. A imagem do castelo está cunhada no antigo brasão de Winzingen.   E a destruição ou queda de outros castelos ocorreu também nesta ocasião na região do Speyerbach….

Nome da Vila: Castelo Winzingen

Brasão de armas de Winzingen

Neustadt on the Wine Route

O Castelo de Winzingen

Ruínas de vários outros castelos acima do vale de rio Speyerbach, e mesmo de construções posteriores, são observadas ainda hoje uma atrás do outra, como em fileira.

Foto das ruínas do Wolfsburg Castle, em cujas proximidades foram também encontrados restos romanos.

Wolfsburg Castle

Conclusão:

A muito antiga igreja de Saint Gilles localizada na atual cidadezinha de Seckenhein, antigo centro do reino franco, era também no passado região do condado de Hesbaye, marca da Hesbania – região onde nos séculos VII e VIII tem origem a estirpe dos condes wido de Hesbaye – a mesma origem dinástica dos reis franceses, robertinos e capetos como a historiografia moderna já comprova – cristãos extremamente religiosos ainda conversores santificados.

Estes fatos nos trazem à frase notável do historiador Giovanni Cavalcanti descrevendo os antepassados dos Cavalcanti como cristãos muito piedosos e provenientes da região de Colônia:

“La loro residencia delle signoria di piu castella e la principale sedia era in San Gilio. Questo Castello é molto magnífico, di popolo pienissino; del quale uscirono quatro Fratelli…..

Ainda que mudanças políticas posteriores, geradas na passagem do século X ao XI pela substituição das dinastias carolíngias para as otonianas germânicas, tenham determinado a destruição de vários castelos no vale do rio Speyerbach, em especial o castelo Winzingen junto ao assentamento de mesmo nome, é muito provável que estas traumáticas alterações políticas que chegaram mesmo a destruir estes castelos tenham também impactado as linhas de defesas francas da Toscana – episódios que a nosso ver coincidem com o súbito aparecimento dos primeiros membros da família documentados como Cavalcanti no ano 1045.

Novas pesquisas a serem expostas em próximos trabalhos irão apresentar e acompanhar, um a um, os principais membros desta dinastia dos wido saídos de Hesbaye no sec.VIII em descida para estabelecimento ao sul do reino franco, quando  na Toscana bem estabelecidos aparecem como Cavalcanti documentados pela primeira vez.

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Nota: Este artigo é um resumo do trabalho original cuja íntegra, com todas as fontes está publicado no blog da autora http://rosasampaiotorres.blosgspot.com/ sob o título “Antiga origem das famílias italianas Cavalcanti, Monaldeschi e Malavolti nas proximidades de Colônia, reino franco – século VIII” –  artigo sugerido para aprofundamento.

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Rosa Maria Sampaio Torres – pesquisadora em História (PUC-Rio), é também graduada em Estudos Sociais e pós-graduada em Ciências Políticas. Aluna do filósofo brasileiro Carlos Henrique Escobar acabou por desenvolver, também, seus dotes artísticos – especialmente como poeta, autora do livro “Bendita Palavra”. Já reconhecida como ensaísta, é autora de inúmeros artigos históricos sobre a família Cavalcanti, da qual descende, e agora sobre o poeta Guido Cavalcanti.

 

PENSAMENTO CATÓLICO NO BRASIL – por Cecília Barreira

Alguns Protagonistas do Pensamento Católico no Brasil nas primeiras décadas do Século XX.

Dom Sebastião Leme (1882-1942)

O regime republicano é proclamado no Brasil em 1889 e a nova Constituição em 1891. Foi com o início da República, em 1890, que se separou a Igreja do Estado e o catolicismo só procurou criar um escola partir dos anos 10.

O Positivismo e o Materialismo, oriundos do século XIX, preocupavam a Igreja e as forças políticas conservadoras. A um século de oitocentos ligado ao Progresso e a um pendor de anticlericalismo surgia, em novecentos, uma inquietação nas consciências que se reclamava de fé. Não se pode perder de vista, o início da primeira guerra mundial. Continuar a ler “PENSAMENTO CATÓLICO NO BRASIL – por Cecília Barreira”

ANTONIO ALVES MARTINS, o Bispo Liberal – José Lourenço

“A Voz da Liberdade”, livro de Maria Máxima Vaz é um estudo sobre D. António Alves Martins, Bispo Liberal de Viseu, que também foi político.

Nasceu em Alijó a 18-2-1808 e aos 16 anos entrou no convento de Jesus da Ordem Terceira de S. Francisco da Penitência, onde iniciou os estudos e onde professou com 17 anos de idade. Depois disso, foi enviado para o Colégio do Espirito Santo em Évora, onde prosseguiu os estudos que lhe permitiriam ingressar na Universidade, que já frequentava quando em 1828 o infante D. Miguel restaurou o regime absoluto. Alves Martins tinha então vinte anos. Escolheu a liberdade e juntou-se aos que a defendiam, pelo que foi expulso e perseguido. Alistou-se como voluntário no exército liberal e foi nessa altura feito prisioneiro pelos absolutistas, julgado e condenado a fuzilamento no largo de Santa Cristina em Viseu, onde depois lhe foi levantada uma estátua. O crime político só não foi consumado, porque conseguiu evadir-se e alcançar o exército liberal aquartelado em Leiria e seguidamente procurar refúgio no exílio com outros companheiros liberais. Continuar a ler “ANTONIO ALVES MARTINS, o Bispo Liberal – José Lourenço”

O POETA GUIDO CAVALCANTI E A INFLUÊNCIA TEMPLÁRIA – Rosa Sampaio Torres

O poeta Guido Cavalcanti e a influência Templária

O brasão da família dos Cavalcanti de Florença é notado pela primeira vez na sangrenta batalha de Montalcino em 1260 – brasão em cruzetas reproduzido nos escudos de muitos de seus combatentes, cavaleiros de origem guelfa que defendiam o papado contra os guibelinos da cidade de Siena.

Família muito atuante na vida política da cidade de Florença, o uso do brasão dos Cavalcanti surgia na Toscana em período especialmente marcado pela atuação da Ordem Templária na região e, em cerca de 1255, o nascimento do grande poeta nesta família, Guido Cavalcanti. Continuar a ler “O POETA GUIDO CAVALCANTI E A INFLUÊNCIA TEMPLÁRIA – Rosa Sampaio Torres”

A LIBERDADE E A RAIVA DO PERRO ARAGONÉS – por Danyel Guerra

     Tenha cuidado. Sinto que há em si tendências surrealistas. Afaste-se dessa gente.

  Jean Epstein

“Posso dizer tudo o que penso?….é a escrita automática!…” (1). Em sua edição de junho de 1954, a revista  Cahiers du Cinéma  inseria uma entrevista com Luís Buñuel. Na época, este cineasta era celebrado na Europa apenas como autor de uma tríade maldita, malgrado seu Los Olvidados (1950) ter emocionado Cannes.

Escrita automática? Será que aos 54 anos, o pai da mexicana ‘Susana’ ainda se afirmava fiel aos conceitos teóricos e aos procedimentos formais da finada guilda, na qual foi iniciado em 1929,  pela mão de Louis Aragon e de Man Ray?  Chegado a meia-idade, o rebelde persistia em menosprezar o paternalista conselho de Epstein? Continuar a ler “A LIBERDADE E A RAIVA DO PERRO ARAGONÉS – por Danyel Guerra”

DANTE ALIGHIERI E O SEU DIÁLOGO COM O MUNDO – por Marilene Cahon

Se o homem, pois, é o meio entre as coisas corruptíveis e as incorruptíveis, é necessário, já que todo meio participa da natureza dos extremos, que o homem tenha uma e outra natureza. E como toda natureza está condenada para certo fim último, segue–se que, para o homem, deve existir um duplo fim; por ser, entre todos os seres, o único que participa da incorruptibilidade e da corruptibilidade; assim, único entre todos os seres está obrigado a dois fins últimos, dos quais, um é o fim enquanto é corruptível; e outro, enquanto é incorruptível

 (DANTE ALIGHIERI, Da Monarquia, III, § XVI) Continuar a ler “DANTE ALIGHIERI E O SEU DIÁLOGO COM O MUNDO – por Marilene Cahon”

DOSSIÊ A CARGO DE FLORIANO MARTINS – “Surrealismo a palavra mágica do século XX”

Surrealismo é a palavra mágica do século.

César Moro

Ao começar a preparar este dossiê me veio à tona uma indagação que não quero deixar por menos: como seguir uma ortodoxia que postula a liberdade total? Em conversa com Zuca Sardan, ele me diz: A liberdade total é não tentares impor tuas ideias na cabeça dos outros. E seres um toureiro na finta aos donos da verdade. Deixe os dois ouvidos abertos e alertas. Um para deixar as palavras entrar, e outro para deixar as mesmas palavras sair. No caudal das palavras que chegam, haverá talvez uma ou duas raras pepitas. Guarda-as, mas não digas nada ao orador. Este sentido de liberdade não faltou ao Surrealismo, embora tenha sim faltado a seu regente, André Breton. Não tanto pela imposição da própria palavra, mas antes pela surdez em relação a muitas palavras (aqui incluindo todas as palavras de quaisquer outros idiomas que não o francês). Ato praticamente isolado, embora tenha causado imenso tumulto na formação original do grupo, sobretudo em face de suas indevidas expulsões. Não afetou, por outro lado, a expansão do movimento e sua vazante mágica de viagens por todo o planeta. Continuar a ler “DOSSIÊ A CARGO DE FLORIANO MARTINS – “Surrealismo a palavra mágica do século XX””

FRIDA KAHLO: EL DISCURSO DEL CUERPO – por Mariella Nigro

Se ha dicho de varias formas que todo arte es erótico. Reconociendo que el de Frida Kahlo habría de ceder a tal generalización, no podría simplemente adscribirse su obra a un arte erótico. Ella traspone a la pintura una experiencia corporal, la carnalidad, más que la sexualidad, zona instrumental de las sensaciones: el cuerpo como espacio de desarrollo de las emociones.

Continuar a ler “FRIDA KAHLO: EL DISCURSO DEL CUERPO – por Mariella Nigro”

EDUARDO MOSCHES – por Elena Poniatowska

Romper el dominio absoluto de la CDMX como cacique cultural: Eduardo Mosches

Nadie promovió tanto la bondadde las revistas literarias en nuestro país como Octavio Paz y en los años 50 todos soñamos con ser publicados en la Revista Mexicana de Literatura, que dirigían Carlos Fuentes y Emmanuel Carballo, y años más tarde, en Vuelta, de Octavio Paz. Hoy por hoy, al lado de las dos grandes revistas Nexos Letras Libres, se mantiene a lo largo de los años una pequeña y heroica revista literaria: Blanco Móvil, fundada y dirigida por el poeta Eduardo Mosches, a quien le pregunto si su revista tiene relación con las dos hermanas mayores, arriba mencionadas, y responde: “Yo diría que somos de planetas diferentes. Tanto Vuelta como Plural tuvieron en su momento una actitud crítica al sistema que han perdido a pesar de leves atisbos opositores. Continuar a ler “EDUARDO MOSCHES – por Elena Poniatowska”

EÇA DE QUEIRÓS E LEOPOLDI SZONDI – ULTIMA PARTE- por Marilene Cahon

Clik aqui e leia a I PARTE

Clik aqui e leia a II PARTE

III e ÚLTIMA PARTE

Sabe-se da capacidade de mudança na existência humana. Por meio da ação das funções do eu pontífice, a mobilidade do homem obtém um propósito (finalidade) e ele encontra um sentido.

Quando este processo se encaminha, há sempre uma liberdade maior no indivíduo e na sociedade, realiza-se, então, o fazer-se humano. Assim, na Psicologia do Destino a mudança é a meta. Quando ocorre a mudança, justifica-se a frase de Szondi: “O destino livre do homem se chama a escolha de fazer-se homem”.

Amaro não muda, apenas foge de Leiria. Quando reaparece, conversa com um cônego sobre a imoralidade da ideologia socialista. Teria sido essa sua maneira de disfarçar sua própria imoralidade? Continuar a ler “EÇA DE QUEIRÓS E LEOPOLDI SZONDI – ULTIMA PARTE- por Marilene Cahon”

ESENCIA Y EXCEDENCIA DE LA POESÍA CONTEMPORÁNEA – por Ulises Varsóvia

Este corto ensayo se propone dilucidar los factores que han conllevado  al desarrollo y/o transformación de la poesía del pasado siglo y de éste. Está referido a la poesía en general, pero especialmente a la hispanoamericana, y muy en especial a la de Chile, país del cual procedo y en el cual se ponen de manifiesto con mayor claridad las tesis que pretende sustentar este escrito. Continuar a ler “ESENCIA Y EXCEDENCIA DE LA POESÍA CONTEMPORÁNEA – por Ulises Varsóvia”

AFONSO LOPES VIEIRA: o Tradutor de Kropotkine – por Cecília Barreira

O Poeta de País Lilás, Desterro Azul continua por reanalisar, apesar do brilhante ensaio que Aquilino lhe dedica in Camões. Camilo, Eça e Alguns Mais e dos lúcidos esclarecimentos de David Mourão Ferreira in Lâmpadas no Escuro – de Herculano a Torga.'(1) Deparamo-nos, desde logo, com um singular percurso político-ideológico que, tendo-se iniciado no lirismo intuitivamente inspirado em Nobre (lembremo-nos de Para Quê?), rondaria o anarquismo tolstoiano, sentiria a sedução dos escritos de Kropotkine, esgueirando-se, anos mais tarde, pelas complexas teias do lusismo integralista, vindo a assumir um anti-salazarismo. Continuar a ler “AFONSO LOPES VIEIRA: o Tradutor de Kropotkine – por Cecília Barreira”

EÇA DE QUEIRÓS E LEOPOLD SZONDI – PARTE II – por Marilene Cahon

leia a Parte I aqui

Parte II

Na segunda edição há uma nota introdutória na qual Eça de Queirós defende-se da acusação de que “O Crime do Padre Amaro” é uma “imitação” da obra “La faute de Labbé Mouret” (editada em português com o título de “O Crime do Padre Mouret”) do escritor francês Émile Zola. Continuar a ler “EÇA DE QUEIRÓS E LEOPOLD SZONDI – PARTE II – por Marilene Cahon”

LA TORTUGA ECUESTRE, DEL PERUANO CÉSAR MORO, EN COSTA RICA – por Ricardo Echávarri

Nota sobre la reciente aparición de La tortuga ecuestre, del peruano César Moro, en Costa Rica.

Gracias al cuidado de Omar Castillo, Amirah Gazel y Alfonso Peña acaba de aparecer, bajo el sello de Art Edition, en San José, Costa Rica (2018), la última reedición de la Tortuga Ecuestre, del poeta peruano surrealista César Moro. Esta cuidada edición contiene dos nota distintivas: una introducción de Omar Castillo y los admirables “collages” de Amirah Gazel y Alfonso Peña. Continuar a ler “LA TORTUGA ECUESTRE, DEL PERUANO CÉSAR MORO, EN COSTA RICA – por Ricardo Echávarri”

UM ALBUQUERQUE PELA INDEPENDÊNCIA BRASILEIRA – Rosa Sampaio Torres

Por ocasião do bicentenário da Revolução de 1817

Um Albuquerque pela independência Brasileira

Manoel Cavalcanti de Albuquerque
Do ramo do engenho Castanha Grande - Alagoas
(“Papai Cavalcanti” - século XlX)

Como seu avô, outro Manoel de mesmo sobrenome que participou da “fronda’ dos “nobres da terra” contra autoridades e mascates portugueses nos anos de 1710, nosso jovem Manoel logo teria também manifestado índole indômita e não conformista, “sdegnosa”, dos longevos Cavalcanti italianos – índole que por aqui se mantinha em família afeita à luta libertária – luta agora nos trópicos nativista, independentista e republicana. Continuar a ler “UM ALBUQUERQUE PELA INDEPENDÊNCIA BRASILEIRA – Rosa Sampaio Torres”

AL FILO DEL OJO de Omar Castillo – por Victor Bustamante

 

Hay varias formas de abordar la realidad poética en un momento determinado. Una de ellas enfundado y buscando brillo al hablar solo de escritores importantes, entre comillas, muchos de ellos impuestos por el marketing y el insidioso mundo editorial, donde se confunde literatura y negocios. Esto trae como retaliación una manera de escudarse y vivir del brillo de los poetas de relieve. Otra es la comodidad del mundillo académico pervertido y cifrado solo en escudarse tras el prestigio del legado de escritores muertos, impidiendo que haya una reflexión sobre el presente, lo cual excluye, y deja de lado a los escritores actuales, hasta que un remoto historiador los recobre. Todo lo anterior por pereza de buscar aspectos diferentes, como si nos señalaran para decir que esos escritores fueron de mayor fuste. Todo esto debido a ese lastre borgiano, admitido como mandamiento, cuando añadió que el antólogo verdadero es el tiempo, y esa cuasi sentencia mal entendida trajo como seña y saña olvidar las escrituras actuales. De tal manera añaden algo en este desalojo, que siempre la literatura está en otra parte; entre más lejos mejor. Ambas decisiones juegan con las cartas marcadas. Continuar a ler “AL FILO DEL OJO de Omar Castillo – por Victor Bustamante”

EÇA DE QUEIRÓS E LEOPOLD SZONDI (PARTE I) – por Marilene Cahon

PARTE I

Leopold Szondi

A Psicologia szondiana está marcada pelo convencimento, intuitivamente adquirido, de que, em cada par de contrários (polaridades), os pólos são atraídos um ao outro e formam uma unidade. Segundo seu criador, não vale pender unilateralmente ao bom e desprezar o mau, mas é melhor perceber o bom e o mau como dois extremos da mesma totalidade e mantê-los em um equilíbrio dinâmico. Quando um pólo cresce, o outro decresce, quando um diminui, o outro desabrocha.  A partir daí, desenvolveu a teoria da Análise do destino.

A Análise do Destino completa os conhecimentos da Psicologia Profunda, com o acréscimo do Terceiro Inconsciente, o Familiar, depois do Pessoal de Freud (Viena) e do Coletivo de Jung (Zurique).

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MIGUEL DE UNAMUNO: ALGUMAS IDEIAS por Cecília Barreira

“Oliveira Martins era un pesimista, es decir, era un português. EI português es constitucionalmente pesimista; él mismo nos lo repite. No es acaso la flor amarga de este espírito la poesia desesperada y dura de Antero de Quental? Encontró acaso alguna vez lá desesperación acentos más trágicos, más hondamente poéticos en su rígida armazon meta física, menos artísticos? “

Miguel de Unamuno, Por Tierras de Portugal y Espana, 1930, pp. 49-50.

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