AMANHÃ SERÁ VERÃO – por Jaime Vaz Brasil

  Amanhã Será Verão Eu sei, menina, que a vida às vezes parece pouca: meio morna e sonolenta ou louca e quase demais… Mas viver se faz em tudo o que a gente inventa e amanhã amanhã será verão. Eu sei que às vezes faz frio sei do vazio e da sombra: parece morta a …

MEMÓRIA, MAPA E MOVIMENTO – por Jaime Vaz Brasil

A aventura humana inclui movimento. Da árvore ao solo, o começo.  A partir daí, o chão e os passos. A sola no solo deixa pegadas e rastros. Inventamos mapas, bússolas, criamos planos e projetos. As pegadas formam uma parte da história: a que deixa registros, serve de lembrança e também de aviso para alguma correção …

PERTENCIMENTO de Jaime Vaz Brasil

Pertencimento*   Pertenço a minha memória e ela me escreve, em conflito. (Na fresta, sou quem espia entre a verdade e o mito). Dentro de mim há um palco onde tropeço na dança. (Minha história – em seu novelo – me enreda em fato ou lembrança?). Pertenço a minha memória, mas só ao que ela …

ALDEIAS – por Jaime Vaz Brasil

  Da vinci em seu pára-quedas sobre a macondo de márquez… A ofélia de clarice junto à pedra de drummond.

AMORÁVEL – por Jaime Vaz Brasil

  Amorável Eu vim, amor pra recolher a sombra leve dos teus passos e com o abraço que guardei e não sabia. Vim pra dizer que tudo é breve mas demora bem mais que deve, se a razão despede a hora.

POEMINHOS (91-100) – por Jaime Vaz Brasil

91. O sabor não mora na língua ou na fruta. Nasce na hora em que as duas na gruta viva da boca se encontram. Nuas.

POEMINHOS – 81-90- por Jaime Vaz Brasil

  81. Grave, o passado rege os passos e o espaço da História. Apressado, o futuro acena e nos chama reclama nossa demora. Mas a vida é agora.

POEMINHOS (71-80) – por Jaime Vaz Brasil

71. Primeiro amor é um efeito represa: arrebatador porque se ama        o amor.

POEMINHOS (61-70) – por Jaime Vaz Brasil

  61. Quadro é um poema sem palavras. Poema é um quadro nas palavras. 62. Quando há arte numa obra nada falta nada sobra.

POEMINHOS (51-60) – por Jaime Vaz Brasil

              51. Nenhum poema esgota o tema. Mas, quando bom, põe a verdade em estado de estando… 52. Dante, à porta do inferno: – “Deixai, vós que entrais, toda a esperança”. Quintana retrucou, na entrada: – “Esperança é uma espera que não cansa”. Eu? Ora… sentei num banquinho e …

POEMINHOS (41-50) – por Jaime Vaz Brasil

41. Ninguém redime o podre       no sublime. O poema, porém pode ser contraste: um choque de contrários. Por exemplo: a palavra sujeira       perto do santo sudário…

POEMINHOS (31-40)- por Jaime Vaz Brasil

31. Artista segue tempo adiante. Crítico só respira no durante…

POEMINHOS DE JAIME VAZ BRASIL (21 a 30)

21. O Eu Lírico De dia o eu operário. De noite o falsário. Porém: quem é quem?

POEMINHOS – 11 – 20 – por Jaime Vaz Brasil

11. Noite antes noite depois:    eis a constante. Existir      é relâmpago.

POEMINHOS – Série de I a X- de Jaime Vaz Brasil

Poeminhos 1. Fé é a esperança voando a pé. —◊-◊-◊— 2. A poesia existe no que a palavra não disse.

SERVENTIA – por Jaime Vaz Brasil

Uma grande rebelião sem causa e também sem lema não leva ninguém a nada.   Mas serve para o poema. Um tombo dentro da alma no arranha-céu dos dilemas aos outros, talvez não sirva.   Mas serve para o poema. Um roteiro que tropece na escadaria do tema talvez não sirva ao aplauso.   Mas …

 EDITORIAL – “Pessoa: Singularmente plural” – por Jaime Vaz Brasil

A singular pluralidade de Fernando Pessoa passa, antes de tudo, pela gênese artística de seus heterônimos. Seja como Fernando – o próprio – , Álvaro, Alberto ou Ricardo (ou ainda Bernardo e outros menores), o genial poeta criou personagens que existiram soberanos em estilo, temática, dimensão estética e qualidade.

A CASA DO CORAÇÃO – por Jaime Vaz Brasil

A Casa do Coração Na casa do coração convivem dois inimigos presos na árida corda das horas, por seus umbigos. Na casa do coração (quem a visita pressente) um deles pulando corda e o outro rangendo os dentes. Na casa do coração um deles constrói seu nada enquanto o outro levita e põe flores na …

O CICLO MÍTICO DE ÉDIPO – por Jaime Vaz Brasil

  “Aceitar a idéia do Complexo de Édipo sem compreender o mito e a peça de onde  Freud tirou seu nome é uma forma de aceitar a psicanálise sem tentar alcançar o seu mais profundo significado[1][1]”.       Bruno Bettelheim I. De Tântalo até Laio A história do ciclo mítico de Édipo marca seu início com Tântalo[2][2], …

A SAUDADE E EU – por Jaime Vaz Brasil

  Quando vi dona saudade me encarando tão de frente tentei cambiar a mirada, dizer que errou de vivente…

BESTIÁRIO DA SOMBRA E OUTROS POEMAS de Jaime Vaz Brasil

Bestiário da Sombra A morte é um lobo à espreita: imóvel, mudo e pulsante. (No olho, o gelo põe cores de quem domina, distante.) A morte é serpente rasa e nos vive – de pequenos – destilando em nossas veias o seu mais lento veneno. A morte é um urso hibernante que dorme, imóvel e …

LUA DE PAMPA E DE MUNDO – Jaime Vaz Brasil

Lua, Lua do Pampa, do Plata, da Índia, de Angola… A lua ensaia há milênios  -em silêncio e placidez- ao negroazul do tablado   quatro ensaios de nudez. Lua, Lua das matas, dos cerros, da Espanha, do Alhambra…

PEQUENOS CONTOS -II de Jaime Vaz Brasil

Guilherme Tell e Eu Meu primo ganhou de natal um arco-e-flecha. Treinávamos pontaria em latas, galinhas e árvores. Fizemos torneios. Ele era mais velho que eu, treinava mais e vencia sempre. Aí me convenceu a colocar uma maçã na cabeça. Se eu pudesse, contava como é sentir aquele zunido da flecha vindo, aquele friagem que …

PEQUENOS CONTOS DE JAIME VAZ BRASIL

A Arte de Conquistar o Mundo O exército do país A invadiu o país B. Morreram muitas pessoas nos dois lados. O país A, apesar de enfraquecido com as baixas, venceu. Mesmo debilitado, percebeu que amedrontara o país C, e isso o impeliu a invadi-lo. Outras mortes, mas a coragem já superava qualquer dificuldade. Pôs …

UM HOMEM SÓ PELE – por Jaime Vaz Brasil

Não posso pegar vento, por isso quase não saio mais de casa. Até saio, mas é direto para o trabalho. Depois, de volta e depressa. Quando eu era pequeno, me lembro um pouco disso de não tomar vento. Mas a situação era outra. Quando conheci Alice, conheci a paixão e suas maravilhas. Os abraços de …

Feliz Aniversário, Coronel – Jaime Vaz Brasil

Um mês antes de completar oitenta anos, o Coronel Herculano Ramos avisou o filho mais velho que daria uma festa de aniversário. As palavras dele foram um punhal suspenso na mesa de jantar. Depois de um silêncio:   – Convido todos?

O DUELO FINAL – por Jaime Vaz Brasil

No porão, esperávamos o Águia. Atrasado, como sempre. Mas viria, cedo ou tarde. Viria com o nariz erguido, a roupa surrada e a tatuagem no braço que lhe valera o apelido. Iniciamos sem ele. Raimundo Sanchez estava com aquele casaco que o deixava ainda mais gordo, e foi desenrolando devagar a planta, desenhada em papel …