…DA INSÓNIA – Fernando Martinho Guimarães

 

O que se pode dizer sobre a insónia? Que é uma moléstia, um distúrbio do sono, uma disfunção, uma falha, um desarranjo. Como anomalia, a insónia pode ir do simples desassossego em ter dificuldade de adormecer ao desespero da privação do sono.

Dormir é importante. Lembram-no constantemente o nosso médico de família, como também os muitos programas televisivos que se preocupam com a nossa saúde – o sono é regenerador, dormir sete horas por dia é essencial, deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.

Pelo sono, todo o acordar é um começar de novo, um recomeço. Despertar de um sono restaurador de energias é instalar a esperança no dia que se inicia. Dormir tem isto de reconfortante e de enganador: permite-nos esquecer as preocupações da vida, ausentarmo-nos do mundo. Porém, com o andar do dia, os problemas e as preocupações acabam sempre por nos encontrar.

É assim natural que, do lado do sono, só encontremos benefícios. Alheios de nós e do mundo, abandonamo-nos à inconsciência que é cair nos braços da sonolência e do adormecimento. O paraíso apenas o é porque nele se pode dormir. No inferno, não!

Na insónia, na privação do sono, tudo concorre para nos atormentar, por um excesso de lucidez. Despertos contra a vontade, sofremos, pela insónia, com a desmesura de pensamentos que recomeçam sempre. Quem conhece a experiência da insónia, sabe o tormento que é querer dormir e não conseguir. E, no entanto, a impossibilidade de dormir é saudada como uma oportunidade de fazermos coisas. De acrescentar tempo ao tempo.

No livro Cem Anos de Solidão, que deu a imortalidade a Gabriel Garcia Marques – e o prémio Nobel da Literatura -, narra-se, a certa altura, o alastrar da epidemia da insónia. Os habitantes de Macondo, a aldeia onde se passa o romance, são acometidos da «peste da insónia». Acordados contra a vontade, aproveitam para tirar vantagem da nova condição – tudo o que havia para fazer é feito, e a produtividade torna-se uma vertigem que toma conta de todos. Rapidamente se dão conta que a exaustão e o tédio são consequências de não dormir. Sem sono, sem dormir, as coordenadas do tempo esfumam-se e as lembranças também – paradoxalmente, ou se calhar não, o esquecimento é a consequência de estar permanentemente acordado. Sem mais nada para fazer, sem conseguirem fazer mais nada, são muitos os que desejam voltar a dormir, nem que seja por simples saudade dos sonhos.

Fernando Pessoa, quer dizer, um dos seus heterónimos, Álvaro de Campos, diz-nos isso num poema, precisamente chamado Insónia: «Não durmo; não posso ler quando acordo de noite, / Não posso escrever quando acordo de noite, / Não posso pensar quando acordo de noite -/ Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!»

Quer dizer, o que é preocupante na insónia é, afinal de contas, a impossibilidade de sonharmos.

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Fernando Martinho Guimarães (1960) Nascido transmontano (Alijó, Vila Real), foi na cidade do Porto que viveu até aos princípios dos anos 80. De formação filosófi­ca e literária, a sua produção ensaística e poética reflecte essa duplicidade. Com colaboração dispersa, no Letras & Letras (Porto), revista Vértice e Parnasur (Revista literária galaico-portuguesa), no Suplemento Açoriano de Cultura do Correio dos Açores, passando pelo jornal Horizonte (Cidade da Praia, Cabo Verde), tem dedicado a sua actividade ensaística à poesia portuguesa e galega. De entre os portugue­ses é de destacar a poesia de António Ramos Rosa que foi tema da tese de Mestrado em Literatura e Cultura Portuguesa Contemporânea. Da poesia galega, a sua ensaística tem incidi­do sobre a poesia de Luisa Villalta (I Jornadas de Letras Gale­gas de Lisboa, 1998) e a de Manuel António (Colóquio Escritas do Rio Atlântico, Funchal, 2001).

Publicou em 1996 A Invenção da Morte (ensaio), em 2000 56 Poemas, em 2003 Ilhas Suspensas (edição bilingue, cas­telhano/português), em 2005 Apenas um Tédio que a doer não chega e em 2008 Crónicas.

O MEDO – por Manuel Igreja

 

O medo tolhe-nos. Rouba-nos o discernimento, aumenta-nos a desumanidade, cobre-nos de egoísmo primário. O medo sem que se perceba, pode fazer com que uma comunidade cordata e amiga do seu amigo e companheira do seu vizinho se transforme num ninho de vespas onde campeia a crueldade impelida por uma quase absoluta insanidade mental. Continuar a ler “O MEDO – por Manuel Igreja”

A NUTRIÇÃO HUMANA E AS ERAS ASTROLÓGICAS – Alexandre Saraiva

Planeta Urano

Nunca pensei escrever um texto como este, contudo, a vida é repleta de surpresas e imprevisibilidades. Acedi ao convite da vida e aqui estou eu, a partilhar, de forma combinada, duas das minhas paixões: nutrição e astrologia.

O meu percurso na astrologia e na nutrição começaram há muitos anos atrás. Desde cedo, apaixonei-me pela astrologia, comecei por uma breve introdução à astrologia védica, quando aprendi a técnica de meditação transcendental, a qual pratico, diariamente, duas vezes por dia, desde 1991. Aprendi a meditação transcendental com o meu professor, Jorge Angelino, que é astrólogo védico. Continuar a ler “A NUTRIÇÃO HUMANA E AS ERAS ASTROLÓGICAS – Alexandre Saraiva”

A NOITE E A CIDADE – por Ana Paula Lavado

 

As ruas da cidade

As ruas da cidade são inundadas de luzes indiscretas
e vozes esparsas que falam com as cassiopeias.
A noite é imensa e as luzes têm a solidão dos velhos.
Os passos são cadenciados ao ritmo de um poema,
escrito por amor, que acabou por não ter destino.
Um bêbado encosta-se ao candeeiro da esquina
e um carro pára perto da prostituta que mastiga chiclete
e puxa a meia calça já rota de tantas noites.
Uma e outra janela mostram a insónia de quem já não dorme
e um faminto revolve os sacos deixados com sobras de nada.
Já não há corpos diáfanos nem Primaveras férteis. Continuar a ler “A NOITE E A CIDADE – por Ana Paula Lavado”

AS GÉMEAS – por Cecília Barreira

 

AS GÉMEAS

Eram irmãs. Cada uma com o seu namorado. Gémeas, iguais. O mesmo cabelo, o tique de mexer na repa.

Sempre cúmplices.

Janus e Hélio muitas vezes com dificuldades em perceber quem era uma ou outra.

Eram ambas Mary. Uma, Mary Sue. Outra, Mary Pue. Continuar a ler “AS GÉMEAS – por Cecília Barreira”

MULHERES NAS RUAS DO PORTO – XVII – por César Santos Silva

 

Cândida Alves (Rua de)
Início: Trinitária (Rua da)
Fim: Cul‑de‑Sac 
Designação desde 2000
 Freguesia de Foz do Douro

Cândida Celeste Nogueira Alves nasceu no Porto em 1893, e desde jovem se tornou costureira. Rapidamente se torna famosa e ao seu ateliê acorrem as elites femininas da cidade que faziam questão que fosse a Candidinha, como era simpaticamente conhecida, a sua estilista oficial. O termo na época não existia e a palavra modista, era a única que se usava para designar a função, que só passado muitos anos é que se viu projectada para o lugar que ocupa hoje no mundo da moda. Continuar a ler “MULHERES NAS RUAS DO PORTO – XVII – por César Santos Silva”

O SONHO DO SARGENTO PIMENTA – por Danyel Guerra

  

John Lennon e Yoko Ono (Foto: AP)

 

“I dreamed about  you last night and I fell out the bed twice”

                                           Morrisey, citando Shelagh Delaney           

A noite passada, o Sargento Pimenta sonhou  com  Nara e caiu da cama duas vezes. A sério, podem crer. Alerto porém que esta Nara não é, esclareça-se, a cidade dourada que no século VIII foi içada a primeira capital do Japão. Embora ela, a cidade, se tenha, antes de tudo, singularizado pela zen serenidade de seus templos budistas e pelos parques povoados  de cervos prenhes de meiguice. Continuar a ler “O SONHO DO SARGENTO PIMENTA – por Danyel Guerra”

APROPIACIONISMO Y RE-SIGNIFICACIÓN – Ender Rodríguez

Imagem de Ender Rodriguez

Apropiacionismo y re-significación

El tema del apropiacionismo plantea delicadas situaciones y temerarios debates que rondan entre la “autoría asumida como algo extremo”, el des-mitificar ciertos poderes de la imagen-fuente y la necesidad de trastocar los significados con nuevas formulaciones estéticas de hibridación; de allí que se hable de re-significar y re-interpretar para lograr intervenir, cambiar, borrar, des-figurar o simplemente hacer mutar una pieza en otra “nueva”.  Richard Pettibone por ejemplo se apropió de las apropiaciones de Andy Warhol dentro del denominado Pop Art.  Toda apropiación per se no es mega interesante o una gran cosa solo por ser apropiación así no más, como si se tratase de vanaglorias o nuevos mitos. Continuar a ler “APROPIACIONISMO Y RE-SIGNIFICACIÓN – Ender Rodríguez”

TEXTOSTERONA-PRENSAMENTOS & DESAFORISMOS – V- por Danyel Guerra

Ralph Waldo Emerson

 ‘DA VIDA DOS ESCRITORES’

“A própria vida se converte numa citação”

      Ralph Waldo Emerson, citado por Jorge Luis Borges

Caro El tigre, sem ousar desacatar este prensamento de Emerson, eu prefiro que a própria vida se converta numa excitação.  

 o-o-o-o-o             

”No seu entender qual é o papel do escritor brasileiro hoje em dia?”

Entrevistador da TV Cultura (1977)

“É o de falar o menos possível!”

 Clarice Lispector Continuar a ler “TEXTOSTERONA-PRENSAMENTOS & DESAFORISMOS – V- por Danyel Guerra”

MAX RICHTER—NOVEMBER (Music Video 2020) – por Eric Ponty

 

A Música  Existencial

 

1—O estado musical

O estado musical não é uma ilusão, porque nenhuma ilusão pode dar uma certeza de tal amplitude, nem uma sensação orgânica de absoluto, de incomparável vivência significativa por si só e expressiva em sua essência.

Nesses instantes em que ressoamos no espaço e o espaço ressoa em nós, nesses momentos de torrente sonora, de posse integral do mundo, só posso me perguntar por que não serei eu todo este mundo. Ninguém experimentou com intensidade, com uma louca e incomparável intensidade, o sentimento musical da existência, a menos que tenha tido o desejo dessa absoluta exclusividade, a menos que tenha sido possuído de um irremediável imperialismo metafísico, quando desejara a ruptura de todas as fronteiras que separam o mundo do eu. Continuar a ler “MAX RICHTER—NOVEMBER (Music Video 2020) – por Eric Ponty”

QUATRO ENSAIOS LÍRICOS DE HENRIQUE MIGUEL CARVALHO

Foto de Henrique Miguel Carvalho

NINFA

são lírios
——–os teus braços,
erguendo-se
——–de um
charco fundo,
anelando
——–o beijo do sol
——–e outras carícias de luz Continuar a ler “QUATRO ENSAIOS LÍRICOS DE HENRIQUE MIGUEL CARVALHO”

SERVENTIA – por Jaime Vaz Brasil

Navio de carga Galant Lady

Uma grande rebelião
sem causa e também sem lema
não leva ninguém a nada.
  Mas serve para o poema.

Um tombo dentro da alma
no arranha-céu dos dilemas
aos outros, talvez não sirva.
  Mas serve para o poema.

Um roteiro que tropece
na escadaria do tema
talvez não sirva ao aplauso.
  Mas serve para o poema

Um barco em pleno deserto
que o braço-em-gesso não rema
não vai ao cais nem às ondas.
  Mas serve para o poema.

Uma andorinha sem asas
leva no corpo um corpo um problema
e não traz verão no bico.
  Mas serve para o poema

Tudo o que dorme esquecido
bilhete, foto ou emblema,
a muitos não tem prestança.
  Mas serve para o poema.

Cada tristeza, cada riso
o sofrimento com seus escudos
a correnteza,
o silêncio, o impreciso:
Ao poema serve tudo.

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Jaime Vaz Brasil  Poeta gaúcho, com 7 livros públicados e vários prêmios, dentre os quais: Açorianos, Felipe d’Oliveira e Casa de Las Americas (finalista). Atua também como compositor, tendo vários poemas musicados e interpretados por vários parceiros, dentre os quais Ricardo Freire, Flávio Brasil, Zé Alexandre Gomes, Nilton Júnior, Vitor Ramil e Pery Souza.

VENTOZELO – por Januário Esteves

Ventozelo

Era nas noites de trovoadas, quando o relâmpago
Ao sul se descarregava no esqueleto das árvores
E em transe percutíamos a glande do mistério
Vinham os animais despojar a crença do nosso sacrifício
E logo reflectíamos a posse da atmosfera circundante
De intemporal solenidade, de prosaico pragmatismo
Convertendo as relações em dependências familiares
Na consanguinidade dos gestos e das partilhas
Mordidas na mesma carne que nos sustenta
Cultivando a emancipação dos costumes
À luz da morte que nos iluminou. Continuar a ler “VENTOZELO – por Januário Esteves”

POEMAS TRADUZIDOS DE JOSÉ PÉREZ (castelhano-português)

 

“Mulher e pássaro”, by Di Cavalcanti 1973

UNA MUJER FELIZ

He buscado en mi camino una mujer feliz
con nombre de rosa
con risa de espumas
donde las horas del sufrimiento no muestren
las sangrantes espadas

Una mujer feliz a secas
una bandera blanca de palomas
junto a campanarios de oro y sábanas de seda
como si un canto infantil la entretuviera
como si un aliento de niña escapara de sus sueños

Una mujer feliz no se parece a las culebras
no tiene vena en las espinas
ni está enterrada en la tristeza de una ventana vacía Continuar a ler “POEMAS TRADUZIDOS DE JOSÉ PÉREZ (castelhano-português)”

RESEÑA A LIBRO “PIÉLAGO”, DE PEDRO MIRAVIA- por Claudia Vila Molina Molina

 

El rescate del símbolo como eje poético

Reseña a libro poético Piélago de Pedro Miravia

Observo árboles redondos, pequeños árboles  enredados en las alturas.  Quizá todo sea un gran árbol de palabras, la raíz que se adentra por los nudos y en esta migración vamos conociendo los lugares que nos enseña el poeta.   Estos sitios dentro de lo natural: agua, vientos, territorios amplios e interminables, son espacios vacíos donde la soledad habita inexpugnablemente y es el lugar ideal para el encuentro con su voz, la cual posee una fuerza primigenia que se  desarrolla a medida que el libro avanza. Continuar a ler “RESEÑA A LIBRO “PIÉLAGO”, DE PEDRO MIRAVIA- por Claudia Vila Molina Molina”

POEMAS DE Jéssica Iancoski

IDEOLOGIA MACARRÃO

Para Matheus Guménin Barreto

pode até ter
de sêmola
mas
o brasieiro
pai de família
come Continuar a ler “POEMAS DE Jéssica Iancoski”

LEIA TAMBÉM A EDIÇÃO Nº 16 DE MAIO 2021

EDITORIAL- BORGES TINHA RAZÃO, MAS ….- por Danyel Guerra

Jorge Luís Borges

    Creio que os jornais fazem-se para o esquecimento,
                        enquanto os livros são para a memória”(1)

Jorge Luís Borges        

BORGES TINHA RAZÃO
MAS NÃO FOI RAZOÁVEL

1- O ano de 1946 decorria politicamente atribulado na República Argentina. Após ser solto da prisão e se ter casado com Eva Duarte, Juan Domingo Perón ganhava nas urnas, a 24 de fevereiro,  o direito a residir, como presidente, na Casa Rosada. Uns meses depois, o funcionário Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo foi remanejado do seu lugar numa biblioteca municipal da Grande Buenos Aires, sendo mandado inspecionar aves e coelhos nos mercados da capital.

Os motivos são notoriamentre políticos. O portenho de 47 anos, festejado inventor de Ficciones, havia assinado pronunciamentos de intelectuais contra o general Perón. Um saneamento em coerência com os novos tempos que sopravam nas margens do rio de la Plata.

Ignoro de todo se, em tão tumultuada época, o proscrito já sustentava a controversa opinião expressa na epígrafe deste texto.  Se já a defendia, será caso para se dizer que o caudillo justicialista “escreveu direito por linhas tortas”. Nessa conformidade, terá sido, outrossim, uma demissão com justa causa. Continuar a ler “EDITORIAL- BORGES TINHA RAZÃO, MAS ….- por Danyel Guerra”

POEMAS DE António Pedro Ribeiro

Foto de Paulo Burnay

OS SINOS NA CASA DA MINHA AVÓ

Os sinos da igreja
na casa da minha avó
em Braga
onde estás, minha avó,
que eras bondade
e serenidade
e me davas tudo? Continuar a ler “POEMAS DE António Pedro Ribeiro”

ALGUMAS PALAVRAS SOBRE JEAN PAUL SARTRE – por Cecília Barreira

Jean Paul Sartre, 1967, Infopédia.

As palavras já não residem nas historicidades em desalinho, mas procuram-se em mitos refundadores e alheios ao sagrado, maré ontológica de um nada em emergência, um caos de transitoriedades em abstinência, Continuar a ler “ALGUMAS PALAVRAS SOBRE JEAN PAUL SARTRE – por Cecília Barreira”

A ARTE DE Carlos Saramago

© Carlos Saramago
©Carlos Saramago

Continuar a ler “A ARTE DE Carlos Saramago”

MULHERES NAS RUAS DO PORTO – XVI – César Santos Silva

Beata D. Mafalda (Rua da)

Início : Senhora de Campanhã (Rua da)
Fim:  Buçaco (Rua do)
Designação desde: 1965
Freguesia de: Campanhã Continuar a ler “MULHERES NAS RUAS DO PORTO – XVI – César Santos Silva”

CORTEZA OCEÁNICA – por Claudia Vila Molina

Foto de Paulo Burnay

Poemas extraídos desde libro inédito “Corteza oceánica”

Reflejos de agua

Me imagino debajo del agua, mientras la estación sigue despidiendo sus visitas, como un sol pulsa dentro de nosotros. Copulamos hasta que el instinto nombra objetos puros y ya no existen intenciones de la sangre, bebo del agua y se vierte el líquido dentro de vasos. El amor se muestra palpitante como un trozo de piel. Continuar a ler “CORTEZA OCEÁNICA – por Claudia Vila Molina”

QUEM TEM OLHOS VAI A ROMA CITTÀ APERTA – por Danyel Guerra

Ingrid Bergman e Roberto Rosselini

“Sou uma amadora e faço questão de continuar sendo. E faço questão de não ser uma profissional, para manter a minha liberdade”.

Clarice Lispector

Complimenti, buon compleanno, Roberto!

‘Wuthering Heights’. À introvertida e melancólica Emily Brontë foi suficiente publicar, nos seus 30 anos de vida,  um solitário romance, sob o pseudônimo Ellis Bell, para ter lugar cativo no panteão dos imortais da arte literária. De semelhante privilégio se poderá orgulhar a posteridade de Roberto Rossellini. Embora tenha sido imensamente mais prolífero na obra e longevo na idade, ele teria pleno direito de figurar na galeria dos intemporais da sétima arte, mesmo que só tivesse assinado um único filme. Um filme único, enfatize-se. Continuar a ler “QUEM TEM OLHOS VAI A ROMA CITTÀ APERTA – por Danyel Guerra”

SÉRIE DISCRETA PARA UMA NOITE- por David Paiva Fernandes

 

foto de Paulo Burnay

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Atrasam-se manhãs em qualquer canto,
com quadradinhos incolores
de histórias que terminam sem princípio. Continuar a ler “SÉRIE DISCRETA PARA UMA NOITE- por David Paiva Fernandes”

A POTENTE VOZ DE LESYA UKRAINKA – por Evelina Tkachuk

 

Lesya Ukrainka é uma das figuras mais destacadas e influentes da literatura ucraniana. O seu vasto conhecimento e as lutas pela liberdade e direitos do povo, fizeram com que tivesse importância não só como uma figura literária, mas também, reconhecida pelo seu lado patriota, ao ponto de ser honrada e estudada no seu país (faz parte do programa de estudo nas escolas e universidades). Ainda, Lesaya Ukrainka é homenageada internacionalmente, como exemplo disso, a poetisa foi reconhecida pela Unesco, como aquela que promoveu os valores de paz, tolerância, igualdade de gênero e etnias. Também é glorificada com marcas comemorativas. Continuar a ler “A POTENTE VOZ DE LESYA UKRAINKA – por Evelina Tkachuk”

A JERUSALÉM LIBERTADA DA TOPBOOKS – por Eric Ponty

 Um leitor que abre Jerusalém Libertada (Gerusalemme liberata) ao ler as primeiras estrofes irá ter várias pistas divergentes para que o poema lhe apresenta. As estrofes de abertura afirmam ser um poema épico, colocando-o em uma tradição que se remonta pelo menos à de Eneida de Virgílio cujas estrofes iniciais, “Braços e o homem que canto…’, que ecoam em nós. Continuar a ler “A JERUSALÉM LIBERTADA DA TOPBOOKS – por Eric Ponty”

OS AÇORES E AS FESTAS DO ESPIRITO SANTO – por Fernando Martinho Guimarães

Tradição significa «passar adiante», «entregar». Neste sentido, a tradição, costumes, símbolos, memórias, hábitos, cerimónias, festas, é aquilo que passa de geração em geração.

O conjunto dos bens culturais que constituem a tradição de um grupo, de um povo, assegura a sua permanência, a continuidade de uma identidade social e cultural. Continuar a ler “OS AÇORES E AS FESTAS DO ESPIRITO SANTO – por Fernando Martinho Guimarães”