POEMINHOS (61-70) – por Jaime Vaz Brasil

 

Apresentação da revolta de “Guernica” de Pablo Picasso às crianças.

61.

Quadro
é um poema sem palavras.

Poema
é um quadro nas palavras.

62.

Quando há arte
numa obra

nada falta
nada sobra.

63.

O artista faz
da sua mitologia pessoal

uma obra
      universal.

64.

Amizade é o amor
sem prazo de validade.

65.

Para ordenar o caos
a consciência nos reparte e nos recria

em ciência, arte e filosofia

66.

O artista faz
depois de vivo

seu mundo particular
perder a paz
      e virar coletivo.

67.

– Cheguei ao fim.
Quero sair daqui.
Qual o caminho?

– Para onde?

– Qualquer lugar!

– Como assim?

– Qualquer lugar
que seja bem longe
de mim…

68.

Confessar…
devo ou não devo?

Não escrevo
   porque estou assim

nem estou assim
   porque escrevo.

69.

Não carece comprovação
nem muito estudo:

palavra é quase nada,
ação é quase tudo.

70.

A viagem da paixão:
uma verdade imaginada

falsificando as mentiras
      da estrada…

♦♦♦

Jaime Vaz Brasil – Poeta gaúcho, com 7 livros publicados e vários prémios, dentre os quais: Açorianos, Felipe d’Oliveira e Casa de Las Americas (finalista). Atua também como compositor, tendo vários poemas musicados e interpretados por vários parceiros, dentre os quais Ricardo Freire, Flávio Brasil, Zé Alexandre Gomes, Nilton Júnior, Vitor Ramil e Pery Souza.

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