POEMINHOS (31-40)- por Jaime Vaz Brasil

Foto de Tomáš Malík

31.

Artista

segue tempo adiante.

Crítico
só respira no durante…

32.

Não importa
o quão estreita
seja a próxima geração:

cultura
é a passagem do bastão…

33.

O sentido
flutua
mergulha
ou desmaia…

Poesia
é a palavra
dançando na praia.

34.

Quem diria:
de tudo e de todos

o que fica
é a poesia.

35.

Arte
é a única verdade inaugural.

36.

Poesia
não serve pra nada.

O poeta, porém,
também.

37.

Aprender
a aprender:

eis o mapa
do saber.

38.

Nada é tão radical
quanto um ponto final.

Viver está mais
pra reticências..

39.

Muito do que se lê
é roupa nova
no clichê.

40.

No tempo
o valor:

o artista é o melhor
historiador.

♣♣♣

Jaime Vaz Brasil – Poeta gaúcho, com 7 livros publicados e vários prémios, dentre os quais: Açorianos, Felipe d’Oliveira e Casa de Las Americas (finalista). Atua também como compositor, tendo vários poemas musicados e interpretados por vários parceiros, dentre os quais Ricardo Freire, Flávio Brasil, Zé Alexandre Gomes, Nilton Júnior, Vitor Ramil e Pery Souza.

 

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