El silencio de la lluvia abrazó los ojos de este león que soy. Ocultándome en un libro, sentí el sol sobre las palabras. De pronto salieron gritos, la visualización de la orquídea esperando nacer, recuerdos, viejas historias, miré mis zapatos desgastados, la botella de whisky vacía, un poema de Walt Whitman. Supe el sabor de la lluvia.Continuar a ler “POEMAS DEL LIBRO “POEMAS A LA INTEMPÉRIE” – de Moisés Cardenas”
Jane Graverol (1905-1984), Le Sacre de Printemps, 1960
ORTOGRAFÍA DE TU CUERPO
Desde aquí pienso… en los puntos suspensivos y las comas que sólo conocemos yo y tu cuerpo. Ahora me invade no sólo la tristeza sino la geografía del silencio.
VER CLARO . Toda la poesía es luminosa, hasta la más oscura. El lector es el que tiene a veces, en lugar de sol, niebla dentro de sí. Y la niebla nunca deja ver claro. Si regresar otra vez y otra vez y otra vez a esas sílabas alumbradas quedará ciego de tanta claridad. Alabado sea si allí llegar. . Eugénio de Andrade – Prémio Camões 2001. In “Los surcos de la sed”. Ed. Fundação Eugénio de Andrade, 2001. Versión al castellano: Maria Toscano, Figueira da Foz, Portugal. 13 enero / 2023.
♣♣♣
VER CLARO . Toda a poesia é luminosa, até a mais obscura. O leitor é que tem às vezes, em lugar de sol, nevoeiro dentro de si. E o nevoeiro nunca deixa ver claro. Se regressar outra vez e outra vez e outra vez a essas sílabas acesas ficará cego de tanta claridade. Abençoado seja se lá chegar. .
Eugénio de Andrade – Prémio/Premio Camões 2001. In “Os sulcos da sede”. Ed. Fundação Eugénio de Andrade, 2001.
♦♦♦
Maria (de Fátima C.) Toscano, Doutora em Sociologia. Docente Universitária, Investigadora e Formadora. Coach e Trainer em Programação Neurolinguística.
O meu anjo de natal dorme à minha porta sem pressa, sem horas marcadas, sem medos. A noite vela os seus frios segredos encolhidos nas asas marcadas de açoites.
Mais do que deuses, precisamos do limiar do sagrado do lugar onde bebem as aves, de regressar ao silêncio de uma noite ida; mais do que deuses, precisamos do anúncio súbito da clemência implorada dos trabalhos do mar; mais do que deuses, precisamos do homem, da pele do homem, da sua peugada sobreposta à penumbra da flor nascida. Mais do que deuses, precisamos da fronteira da meia-noite do círculo lunar do grande rio que corre no sangue da terra humilde.Continuar a ler “POEMAS – de Maria Gomes”
¿ Y ya no volveré a perderme en el laberíntico entramado, de una casa cuya arquitectura habitada por todos sus muertos deambulando con sus gemidos, por todas sus sombras allí cautivas ?Continuar a ler “Aparición – por Ulisses Varsóvia”
Na floresta para Waldberta O guia perde o poeta. Na serpentecostal selva remotta Um criancião paracleto O aguardava com sinais cristântricos. Do cóccix à pineal Pousou o mestre a mão E alçou alucifeéricos fogos pecúlios Despertando-lhe uma pedagogia petrográfica aprendiz. E o poeta petiz Reencontrou-se guia apóstata Ifá de Orumilá. Axé! Ave! Amém!
Entre constelações, esferas rochosas, violentas estrelas mortiças e cintilantes cometas, nascer Vênus pode ser considerado uma afronta ao restante dos planetas Pisando em trompas, ventres, ovários e vulvas e aquela mistura que poucos sabem ao certo o nome, lambuzo-me de sangue menstrual derramado nas ruas Há polícia? O que há? Será que alguém me escuta? É claro que não, eu sou notícia corriqueira de uma realidade fantasticamente banal O sangramento da violência não é repudiado, apenas é visto com asco aquele que mostra que sou um ser próprio, forjada em minha natureza sem ser sexy, sendo apenas espécie e que sinto por fora e por dentro me desmanchando em vermelhoContinuar a ler “POESIA de – Lua Pinkhasovna”
há muitas palavras para mentir e apenas uma para a verdade. no jardim das maravilhas da minha vida jazem vários caules hercúleos, eternamente iluminados pela seiva interna a correr desde o coração. morrerei já não jovem, sei-o agora. e do passar dos tempos sei, também agora, que as convenções podem matar o brilho de um olhar uma covinha no rosto um arrepio na nuca. só que nunca o amor será vencido. mora em lugar altaneiro onde poucos acedem de onde muitos desabam – ali ao alcance da tal palavra pura.Continuar a ler “7 POEMAS DO CORAÇÃO (…) – por Maria Toscano”
É preciso viver sem paixões. Mergulhar no absoluto anonimato, Permanecer morto ou vivo até ao fim. Aclamar o tumulto escuro e bruto. Encenar o drama clemente e lento. Sentir um amor ideal por anjos nebulosos. Descobrir um novo fundo de poesia e aguardar uma voz que nos ordene docilmente: – Não te movas, nem te inquietes, nem traias o que ainda não és.
Falta paz Não apenas a ausência da guerra Falta faz termos paz Nada desejarmos ou querermos mudar Falta nos seres algum “deixa para lá” “Tudo bem” “Não faz mal” Ninguém pediu para nascer mas depois tudo nos é pouco Quando o pouco do que não pedimos Quando nada éramos Nos devia bastar Contentar Se assim fosse Se o pouco dado ao nada que corre para o nada fosse muito Teríamos tudo Tudo temos porque sim Por Deus ou pelo destino Só nos falta a lembrança do que somos e para onde iremos Quando nada formos e não nos acharmos Nem mesmo a reclamar Continuar a ler “ARQUITECTURAS – de Raphael”
nasci para aprender a ser árvore/ crescente desde o coração da terra/ voadora pelos ramos e asas / espraiando-me entre cumes e desertos, / montanhas mágicas serras áridas / e mornas planícies morenas dos suis. até desarvorar – fidelíssima e de vez – / no amoroso corpo envolvente do meu devoto amor , o mar.
Veio um tempo de paz Veio um tempo de guerra Os comboios não paravam nas estações As geografias não coincidiam com os mapas Os meses eram anos E os anos eram séculos Veio um tempo de paz Veio um tempo de guerra E os soldados não tinham pátria E as munições eram do mundo inteiro Os países alargavam-se nas fronteiras As geografias não coincidiam com os mapas O amor, uma saudade uma impossibilidade Os homens e as mulheres já não choravam As lágrimas secas de tanta pólvora E as bocas quietas Sem palavras Sem gritos Sem sons Porque os dias eram cinzentos E os segundos já não cabiam nos relógios Um tempo de paz Um tempo de guerraContinuar a ler “DOIS POEMAS DE Cecília Barreira”
You must be logged in to post a comment.