TRÊS POEMAS DE Rudá Ventura

RUÍNAS DE ÁGORA

Há tanta boca
E tanta voz desmedida
Nesse silêncio repetido e gritado,

Nesse vazio de palavras que ecoam esquecidas,
Onde à margem de toda prosa
Talvez repouse alguma verdade.

Há tanta boca
E nenhum som profundo;
Há tantos dentes devorando os sonhos
E tão ímpio tornou-se o mundo,
Que mastigado resta pra nós.

♣♣♣

LINHAS NA RELVA

Vejo os campos com a mesma clareza
De quem lê as linhas da própria mão.
Gravo meu destino sobre a relva
E deixo que a terra sinta meus passos,
Antes mesmo de eu trilhá-los.

Sigo um caminho sem paragens
E apenas sobre o horizonte
Eu ergo minha morada.

Levo tudo o que meus olhos retêm
E entrego aos bosques
Minha alma em rama.

Eu beijo a rosa, eu toco a chama…

E vivo o infinito em instantes,
Porque assim é a eternidade
Pra quem ama.

♣♣♣

CASA DE LIBRA

Meu amor mora nas estrelas
E eu, às margens do céu…

Cada noite a aurora esconde sua fronte
E a face do ocaso determina outros sóis;
Cada noite se aparta a distância
E a areia alcança além desse horizonte.

Qual estrela guardaste pra mim?
E qual parte do céu me lembra teu nome?

O mundo é tão pequeno
Quando fechamos os olhos
E o tempo é tão curto
Quando enxergamos a eternidade.

♦♦♦

Rudá Ventura – Poeta, músico e educador brasileiro.
Autor do livro “Preamar”, lançado em 2017 pela editora Laranja Original, tem poemas publicados também em diversas revistas literárias do Brasil.  Encontrou na música a oportunidade de estender sua linguagem poética, tornando-se cantor e compositor. Comprometido com a arte-educação, realiza palestras e apresentações de poesia recitada em escolas e eventos culturais. Lançará, em breve, seu segundo livro de poemas.

Deixe uma resposta