MULHERES NAS RUAS DO PORTO (V) – por César Santos Silva

Aldas (Rua das)
Início – Dr. Pedro Vitorino (Largo do)
Fim – Pena Ventosa (Rua)
Outras Designações – Rua da Penaventosa – Rua do Colégio – Rua da Sinagoga
Freguesia de:

Uma das, ruas mais antigas do Porto.

A origem da Rua das Aldas perde-se na memória do tempo e remonta certamente aos princípios da Nacionalidade.

Mas qual a origem do topónimo?  – Em rigor não se sabe.

Alguns autores dizem-nos que Aldas vem de Aldara, ou de Santa Aldara, ou ainda Ilduara, a mãe de S. Rosendo, o famoso Bispo de Dume.

Nome muito popular na Galiza, segundo alguns etimólogos vem do germânico, hild guerreiro e wars, sábio.

Alda era nora de Afonso III e cunhada de Ordono II da Galiza.

Foi uma das mais poderosas mulheres do seu tempo (século IX), casou com Gutierrez Menendiz e esta ligação proporcionou que se tornassem  uma das mais poderosas famílias da Galiza neste período.

A sua administração foi considerada muito sensata e ponderada no que dizia respeito ao exercício da autoridade.

Juntamente com o seu filho, o futuro S. Rosendo, fundou o Mosteiro de S. Salvador de Celanova, ao qual doou grande parte do seu património, no final da vida.

Mulher de grande beleza, era também conhecida pelas suas virtudes e forte sentido religioso.

No final da vida, retirou-se para um convento, alheando-se das coisas mundanas o que a tornou quase santa aos olhos do povo.

Dos seus cinco filhos, o mais famoso seria Rosendo que se tornaria Bispo de Dume e Celanova e administrador apostólico da Sé de Iria – Santiago de Compostela.

Outros autores dizem que Aldas é o nome de uma medida medieva pela qual se mediam os panos.

A rua também esteve envolvida numa confusão de mudança de nome que uma vereação camarária decidiu fazer no século XVIII.

A Rua das Aldas já se chamou Rua de Sant’ana, a rua que tem esta designação chamou-se outrora Rua das Aldas!

No século XIV os judeus tinham aqui uma pequena sinagoga, daí a designação Rua da Sinagoga pela qual a artéria era conhecida.

Hoje é uma rua como que adormecida no tempo, povoada por uma população idosa e sofrendo também ela a sangria populacional que toda a Zona Histórico do Porto está vivendo desde os anos oitenta do século XX.

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César Santos Silva. Bacharel em História. Formador, professor de História do Porto, Portugal e Contemporânea do Mundo em várias Universidades Seniores, tais como Sindicato Professores da Zona Norte, Fundação Inatel entre outras.

Investigador de temas relacionados com a História do Porto e a História do Mundo,colaborador pontual dos “ Serões da Bonjoia”, conferencista habitual da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Fundação Inatel, Palacete Visconde Balsemão. Autor de vários livros dedicados à cidade do Porto.

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