VOTAR É UM DIREITO E UM DEVER -por Fernando Martinho Guimarães

Este ano de 2025 é eleitoralmente cheio. Tivemos as eleições legislativas nacionais, as da Região Autónoma da Madeira e teremos as eleições autárquicas.

O eleitorado é convocado a escolher entre diferentes projectos e propostas político-partidárias. Esta escolha é feita, como sabemos, através do voto. Os cidadãos têm a oportunidade de, democraticamente, eleger os seus representantes para os órgãos locais, regionais, nacionais e europeus. Continuar a ler “VOTAR É UM DIREITO E UM DEVER -por Fernando Martinho Guimarães”

20 DE DEZEMBRO DE 1975- por Francisco Fuchs

 

Yvonne Daumerie (fevereiro de 1927)

Para Yvonne Daumerie

Retornei à Guanabara em meados de 1971, pouco antes de completar dez anos de idade, pois Alípio Ramos, o homem que se tornou meu pai, levou-me para morar com ele quando perdi minha mãe. Foi então que conheci sua esposa, Dona Yvonne, que passei a chamar de madrinha, e a mãe dela, Madame Jeanne, que viria a falecer quase nonagenária. Fui alojado no quarto junto à escada. Nele havia, a um lado, uma varanda com duas poltronas brancas de ferro e um pequeno cômodo anexo onde livros assentavam em brancas estantes de madeira; do lado oposto, dois degraus conduziam a um minúsculo lavabo. Da varanda enxergava-se um bom pedaço do Aterro e do mar, vista que foi minguando até desaparecer por completo atrás dos edifícios que o milagre econômico foi erguendo na praia do Flamengo. Continuar a ler “20 DE DEZEMBRO DE 1975- por Francisco Fuchs”

(….) A LUTA DO MRPP – por Francisco Coutinho

18 de Setembro de 1970.
- Atritos, confrontos, rupturas.
E todos aqueles que se orgulham por terem feito a luta do MRPP

O dia 18 de Setembro de 1970 – em que Vidaúl Ferreira, João Machado, Fernando Rosas e Arnaldo Matos iniciaram a reunião na qual estudaram a construção de um partido operário -, constitui a data da fundação do peculiar Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, que em 1976 originou – a 26 de Dezembro, dia de aniversário de Mao Tsé-Tung – o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP).

Um movimento gerado sem sair do solo lusitano – composto pela EDE, por operários da margem norte do rio Tejo e pela RPAC -, em pleno combate pelo derrubamento do Estado Novo, pelo cessar da guerra nas então colónias portuguesas no continente africano e pela independência das mesmas, numa oposição permanente à corrente pró-URSS.

São muitos aqueles que, sob os pseudónimos, desenvolveram o gosto pela escrita através do “Luta Popular” – o órgão central, várias vezes multado e inclusivamente proibido.

Há quem continue na rotina do partido. Imensos são os militantes que se foram afastando dela e passando a independentes, conforme temos na nossa família. Há também os que foram aderindo a outros partidos – como o PS, o PPD/PSD e o PRD -, algo comummente condenado por sectaristas. Fernando Rosas, muitos anos depois, foi também co-fundador do BE, onde se mantém. E outros ex-membros formaram a UMLP. São diversas as acções cívicas e sociais às quais estão vinculados. A maioria, em qualquer circunstância, continua envaidecida ao partilhar numerosas e preciosas memórias (em sessões públicas, nos livros, nas revistas e nos jornais), sobre madrugadas a colar cartazes secretamente e a pintar deslumbrantes murais, que junta aos dias de forte porrada com grupos afectos ao social-fascismo e ao marcellismo / salazarismo.  E tanto que houve mais.

Talvez a história de um encantador partido seja tudo menos merecedora de sujidade. No entanto, existiu e em momentos diversos.

Foi este uma escola de mulheres e de homens – muitos inscritos, outros simpatizantes – cujas actividades passam no plano mediático (no meio dos quais podemos encontrar Adelaide Teixeira, Ana Gomes, Aurora Rodrigues, Diana Andringa, Dulce Rocha, Maria João Rodrigues, Maria José Morgado, Violante Matos, Martins Soares, João Isidro, Freire Antunes, Saldanha Sanches, João Araújo, Mega Ferreira, António Melão, Danilo Matos, Horácio Crespo, José Lamego, Vítor Ramalho). Continuar a ler “(….) A LUTA DO MRPP – por Francisco Coutinho”

A NOSSA MÃE – por Manuel Igreja Cardoso

A NOSSA MÃE

A nossa mãe, é a melhor mãe do mundo. Mas é também a mais bonita aqui e em qualquer lugar, agora e sempre pois não há longe nem distância para quem bem se quer quando se habita na substância do tempo. A nossa mãe é água que corre por entre os choupos no sublime rio em que somos as pedras moldadas com o seu fluir. A nossa mãe não tem de estar para se fazer sentir.

Basta-lhe ser completa e imensa como sempre é aos nossos olhos por ela maravilhados. A sua presença é constante em cada instante. A gente sente-a e pressente-a. Ao menor temor corremos por instinto em busca do seu regaço. Continuar a ler “A NOSSA MÃE – por Manuel Igreja Cardoso”

BIOÉTICA – por Fernando Martinho Guimarães

Nos últimos dias de Novembro de 2018, o mundo recebeu uma notícia que não estava preparado para ouvir. Um cientista chinês anunciou o nascimento de duas irmãs gémeas editadas geneticamente.  Através da manipulação genética teria desactivado um gene e assim tornar as crianças imunes à infecção pelo vírus da Sida. Os embriões eram saudáveis, diga-se desde já, o que faz com que a intervenção não seja terapêutica, isto é, para curar uma doença hereditária, mas sim uma tentativa de melhoria genética da espécie humana. Passaríamos a ter, pela primeira vez na história, dois tipos de pessoas, as naturais e as editadas, as melhoradas geneticamente.

As reacções, sociais e na comunidade científica, não se fizeram esperar – tinha-se passado uma linha vermelha e a caixa de Pandora abrira-se para a eugenia, isto é, para os bem-nascidos, com todas as vantagens que a edição genética pode fornecer e os outros, a esmagadora maioria dos outros, os naturais, os que não teriam acesso a essa melhoria que a bio-tecnologia promete dar. O governo chinês reagiu imediatamente e mandou suspender todas as investigações. O cientista, como parece já habitual em algumas sociedades, desapareceu. Continuar a ler “BIOÉTICA – por Fernando Martinho Guimarães”

A HORA DOS BILTRES – por Manuel Igreja Cardoso

 

Os biltres andam por aí. Poderosos, impantes, arrogantes, inteligentes, mas, vazios de emoções, como lhes é próprio. Convenceram-se que mandam, e mandam efetivamente, cada vez mais. São ricos, muito ricos e enriquecem mais a cada dia que passa porque influenciam e dominam. Continuar a ler “A HORA DOS BILTRES – por Manuel Igreja Cardoso”

A DEMOCRATURA – por Fernando Martinho Guimarães

O séc. XVIII é, costuma dizer-se, o século das Luzes, do Iluminismo.

Os seus representantes máximos, Kant, Voltaire, Jean-Jacques Rousseau, entre outros, têm em comum a afirmação da razão como critério e ideal da universalidade dos princípios que resultariam do seu exercício. Continuar a ler “A DEMOCRATURA – por Fernando Martinho Guimarães”

ENVELHECER – por Manuel Igreja Cardoso

 

Não se iluda, caro leitor, não vamos para novos. Qualquer um de nós. Aliás, disse alguém, que se lembrava de dizer certas coisas daquelas que não lembram nem ao diabo, mas que são certas, que começamos a morrer assim que acabadinhos de nascer. Continuar a ler “ENVELHECER – por Manuel Igreja Cardoso”

I WILL SURVIVE AO GNR – por Danyel Guerra

“Mais amigo é aquele que me critica porque me corrige,  do que aquele que me adula para me corromper”

Santo Agostinho           

Ao longo da vida, muitas vezes encontramos o que queremos sem procurar. Em regra, essa epifania acontece depois de muito procurarmos sem encontrar. Eu já estava desistindo, quando, por acaso, numa loja do Shopping Cedofeita, avistei o disco pousado na vitrine. Entrei, pedi autorização para apreciá-lo. Solícita, a balconista indagou: quer ouvi-lo? Não, obrigado. E anunciei. Vai virar um disco voador…em direção ao Brasil. É uma encomenda. Continuar a ler “I WILL SURVIVE AO GNR – por Danyel Guerra”

ALGUM RITMO – por Thauan Pastrello

Os pensamentos se sucedem rapidamente, assim como os vídeos curtos passam na tela com um simples toque do dedo. Ao contrário dos vídeos, os pensamentos não passam. Eles sedimentam-se acima dos olhos quando a secura me obriga a fechá-los. Logo, ao abrir das pálpebras, outro porquê surge incessante, rompendo o sentido da gravidade e pairando como uma suave bigorna içada sob as pálpebras abatidas. Continuar a ler “ALGUM RITMO – por Thauan Pastrello”

25 DE ABRIL: HISTÓRIA E CONTEXTO – por Manuel Igreja Cardoso

O tempo. O que fazemos dele, e o que fazemos nele a tempo e a destempo. Perceber a substância do tempo e agir nele adequada e inteligentemente, parecendo fácil, e extremamente difícil. Uns conseguem, outros não. Continuar a ler “25 DE ABRIL: HISTÓRIA E CONTEXTO – por Manuel Igreja Cardoso”

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – por Fernando Martinho Guimarães

 

A Inteligência Artificial é a ciência ou engenharia de produzir máquinas inteligentes.

O critério que nos permite aferir da inteligência da máquina é, pois claro, o confronto com a inteligência humana. Uma máquina inteligente é aquela que executa funções que, caso fosse um ser humano a executar, seriam consideradas inteligentes. Por isso, a Inteligência Artificial aparece sempre associada quer à Cibernética, quer à Robótica. Continuar a ler “A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – por Fernando Martinho Guimarães”

SAUDADES DE MÊNFIS – por Francisco Fuchs

Vida longa para ti, meu irmão distante. Que os deuses vivos e mortos te prodigalizem o pão, mas sobretudo a luz perene que irradia a toda parte. Temo pela minha sorte, irmão, bem o sabes, desde minha transferência para este miserável vilarejo do delta oriental. Meu coração partiu em segredo, ele viaja, sobe o rio para rever Mênfis, mas permaneço atado a esta terra estranha, neste solo pantanoso onde chafurdam rebanhos e crocodilos. Minhas petições foram sorrateiramente bloqueadas por Kaper, o mesquinho chefe de polícia de Kenken-taue, e todas as nossas cartas lidas por ele antes de chegarem ao seu destino — todas, menos esta, que irá ter contigo levando o meu humilde selo ainda intacto. Conto com o discreto auxílio de um mensageiro fiel, veloz como uma sombra, por cujos serviços providenciei (para que lhe sejam entregues depois da execução de sua tarefa) incontáveis cântaros de cerveja, uma vez que essa desobediência às ordens de Kaper poderá custar-lhe as orelhas ou o nariz. Escrevo para dizer-te adeus, pois o mais certo, irmão, é que não nos vejamos novamente senão do outro lado do horizonte; mas como poderia deixar de contar-te tudo quanto omiti nas demais cartas, e portanto subtraí à devassa de Kaper, se devo minha vida a essa prudente omissão? Desenrolai cuidadosamente este papiro, irmão meu, pois é teu irmão distante que estarás explicando. Continuar a ler “SAUDADES DE MÊNFIS – por Francisco Fuchs”

CHEGA DE SAUDADE, NARINHA – por Danyel Guerra

Trinta e cinco anos sem escutar ao vivo a voz de Nara

Já se evolaram quase quatro décadas, mas parece que foi ontem. Nara Leão se apresentando no palco do Teatro Rivoli, num show memorável, dedicado ao camarada Adriano Correia de Oliveira.  Não demoraria que ela começasse a padecer do tumor cerebral inoperável, que acabaria silenciando sua voz tão encantadora quanto interventiva. Apesar desse peso e desse pesar, esta cidadã carioca – embora natural de Vitória, capital do Espírito Santo – não abdicou de continuar manifestando determinação e coerência, atributos apanágio tanto da mulher como da artista. Continuar a ler “CHEGA DE SAUDADE, NARINHA – por Danyel Guerra”

A LIBERDADE ARMADILHADA – por Manuel Igreja Cardoso

Num primeiro modo de pensar e de dizer, será certo que onde existe liberdade não pode haver armadilhas. Sendo a liberdade somente concreta quando não existem impedimentos ao seu germinar, as armadilhas são por natureza própria algo que prende e que impede.

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A CONFUSÃO DELIBERADA COMO ESTRATÉGIA POLÍTICA – por Francisco Fuchs

 

Lula (a usar óculos de realidade virtual) e Chacrinha.

“Eu vim para confundir e não para explicar.” Esta frase, bordão de um dos mais célebres comunicadores da televisão brasileira no século XX (Abelardo Barbosa, o Chacrinha), desagradava-me profundamente quando eu tinha vinte e poucos anos. É compreensível, já que ela era a antítese de tudo que me era mais caro: pois eu, aspirante a filósofo, viera ao mundo para entender, e não há como entender sem desdobrar, desenvolver, desenrolar, ou seja, explicar.[1] A confusão era e continua sendo meu (seu, nosso) ponto de partida, mas nunca deixei de acreditar que ela pode ser, ainda que com muito esforço, reduzida; o que não significa negar ou apequenar a complexidade do real, mas passar, na medida do possível, da confusão original a algo semelhante a uma complicatio. Continuar a ler “A CONFUSÃO DELIBERADA COMO ESTRATÉGIA POLÍTICA – por Francisco Fuchs”

25 DE ABRIL, SEMPRE! – por Fernando Martinho Guimarães

Falemos à maneira de Stuart Mill. Para determinar se uma coisa, uma decisão, um acontecimento social e político, por exemplo, foi ou é bom, proponho que adoptemos o critério da sua utilidade.

Quer dizer, se as consequências previsíveis de uma acção promoverem, em quantidade e qualidade, o bem estar das pessoas, então podemos dizer, com razoabilidade elevada, que essa acção foi, é, boa e justa. Continuar a ler “25 DE ABRIL, SEMPRE! – por Fernando Martinho Guimarães”

OS DIREITOS HUMANOS – por Fernando Martinho Guimarães

Aprovada e proclamada a 10 de Dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é a resposta à absoluta catástrofe que foi a 2ª guerra mundial. Continuar a ler “OS DIREITOS HUMANOS – por Fernando Martinho Guimarães”

UMA CRÓNICA PUNK- por Cassiano Russo

Cassiano Russo

Tenho que pagar os meus pecados literários todos os dias, pois basta um dia de distração para que eu sofra na hora de escrever. Eis o motivo pelo qual escrevo diariamente, afinal sou um pecador das Letras, aquele que se atreve a fazer literatura, como se me fosse lícito se atrever à arte da escrita. Continuar a ler “UMA CRÓNICA PUNK- por Cassiano Russo”

RomAnita – por Danyel Guerra

Anita Ekberg

 

“Quando os jornalistas mencionavam La Dolce Vita,  eu
                             respondia, direto, Anita Ekberg…”
   Federico Fellini

     UMA NINFA MUITO FELLINA   

Certa noite, alguém importunou a Srª D. Kerstin Anita Marianne Ekberg indagando quantos homens ela já tivera. A deusa escandinava ouviu, suspirou e não podia ter sido mais sibilina. “Você quer dizer quantos homens, além dos meus?!” Continuar a ler “RomAnita – por Danyel Guerra”

O ENVELHECIMENTO – por Fernando Martinho Guimarães

O envelhecimento, digo eu, é um privilégio que apenas a idade pode dar.

Nesta afirmação, muito a la palisse, conceda-se, recolhe-se o que a tradição atribui aos que, tendo a experiência da vida, sabem dela o que os ainda novos não podem saber. Continuar a ler “O ENVELHECIMENTO – por Fernando Martinho Guimarães”

22 de abril de 1972 – por Francisco Fuchs

22 de abril de 1972

 

Para Alípio Ramos

Todo flamenguista, ainda que tenha nascido muito tempo depois, conhece de cor o melhor time que já defendeu as cores do clube. Depois de enfrentar uma fieira de carnificinas na campanha épica da Copa Libertadores da América de 1981, Zico e sua talentosa companhia foram campeões mundiais. No entanto, e apesar das conquistas notáveis em anos recentes, a lembrança que mais aquece meu coração é a de um remoto e bem menos importante título regional, a Taça Guanabara de 1972. Era uma época em que o rádio era onipresente nas partidas de futebol, tanto para aqueles que não assistiam aos jogos quanto para aqueles que compareciam aos estádios colando ao ouvido seus aparelhos portáteis: pois se as movimentações dos jogadores no gramado constituíam, para os espectadores, a corporeidade visível da disputa, eram as vozes dos narradores e comentaristas que modulavam sua alma. Continuar a ler “22 de abril de 1972 – por Francisco Fuchs”

DE VINHO E DO VINHO – por Manuel Igreja Cardoso

                                                                 Mural de V. N. Gaia/foto by JuliaML

DE VINHO E DO VINHO

Numa primeira impressão, pode parecer quase são a mesma coisa o que se refere no título, mas não. Nem de perto. Duas simples letras alteram em absoluto o que se quer dizer ou identificar. O diabo está nos pormenores como se costuma dizer.   Continuar a ler “DE VINHO E DO VINHO – por Manuel Igreja Cardoso”

O ARTISTA INVISÍVEL – por Cassiano Russo

O artista solitário perambula a cidade pela madrugada com seu violão, em busca de mais um motivo que justifique uma nova música que faça a noite chorar, pelos acordes perdidos de seu instrumento, noctívagos, num gole de cerveja em algum boteco qualquer noite adentro. Continuar a ler “O ARTISTA INVISÍVEL – por Cassiano Russo”

LITERATURA, A FORÇA HUMANA – por Celso Gomes

 

No fim do século passado, houve lançamento de vários livros contendo listas das cem melhores obras de arte do século que terminava.

Na noite de Natal do último ano do século XX, ganhei de um amigo o livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, ed. Objetiva. Imediatamente após recebê-lo, fui para um canto da casa e comecei a leitura. Dei cabo da tarefa em poucos dias. O livro é ótimo, os contos escolhidos convivem bem, apesar das discrepâncias de estilos, épocas, gerações. Com certeza, o livro contém o que de melhor se publicou no Brasil no Século XX, bem como deixou de fora alguns contos que gosto muito, por exemplo, o conto Venha ver o pôr do sol, da Ligia Fagundes Telles. Mas listas são assim mesmo, sempre há reclamações e injustiças. No entanto, de todos os contos reunidos, apenas um não sai da minha memória, apesar dos anos passados: A Força Humana, do livro A Coleira do Cão, de Rubem Fonseca. Continuar a ler “LITERATURA, A FORÇA HUMANA – por Celso Gomes”

O TRIUNFO DA (BOA) VONTADE – por Danyel Guerra

Jacques Demy

“Il m’a marquée plus definitivement qui aucun autre réalisateur.  L’image qu’a imposée de moi ‘Les Parapluies…correspond quelque parte à une verité de moi-même

Catherine Deneuve   

Joyeux anniversaire, Jacquot !                                  

Era notte a Avellino, num dia de novembro de 1982. Mal entro no Cine Eliseo, ouço a Chiara me chamando, um tanto frenética. Daniele, vienni qui… Eu ainda não cheguei junto dela e já está me indagando. Conhece aquele cavalheiro? Um minuto só…conheço, ele é o Jacques… Continuar a ler “O TRIUNFO DA (BOA) VONTADE – por Danyel Guerra”