
Pariu-me a Vida
E o Sol e a Lua
Sem petas enganos
Só inocência Só
Pura de pureza clara na escuridão a iluminar
Com cores que vejo se veem sem luz
Com luz é mais nítido claro
Para ver ser
ver só a olhar se espantar admirar
a vida toda
desde o fim sem princípio
sem ser preciso declarar
só sentir a escuridão a clarear
Vai fica parada estática crua na moleza dos dias noites frenéticas e sem frenesim só a parar olhar sem pensar
apenas sem penas a ver observar
ver a tudo parado a andar
Vê quem quiser quem puder lhe aprouver apetecer apreciar
Sê assim
crua
limpa
plena nua
sem crueza maléfica cozida feia feita sempre a atrapalhar
e vísceras entranhas guisadas avisadas que se entranham sem estranhar
Crua! Crua! Sem canibalismos
Alma a mandar sem comer banquetear
alimenta alimento da mente que mente sempre a enganar
Vê a verdade das coisas da vida sempre a apetecer aparecer sem avisar
Fica! Fica a ver sem sonhar
Sonha acordada bem acordada para não adormecer
Adormecer é não descansar das coisas do mundo da vida sempre a chamar
Ouve
ouve o chamado da vida sempre a espreitar
Ouve houve que não pensavas haver
Haver é existir com o todo tudo que é ser
Ser
palavra dita escrita palavra não palavra que não sei fazer
Fazer o que dita palavra ditado não dá pra dar erros
Dá pra corrigir aprender
Aprender palavras escritas ditas logo depois de nascer
Nascer Aparecer
Aparecer neste mundo insuflar de ar vida para iniciar reiniciar tudo a ser
Volta volta dá a volta e volta a nascer
Para aprender ensinar percorrer
Percorrer andar à volta andar sem correr
Correr é tolo é sempre a andar a andar nunca parar
Depressa que se crê
Devagar a dar passinhos curtos longos lindos
respirados às vezes rapidinhos
À noite
Vêm coisas lugares de assustar encantar
Há noite
Escuridãozinha de gostar
Dá-me asas de voar sem pensar sem gostar antecipar planear
Anda voa com pés livres do chão
O chão é coisa boa de andar sem pisar sem calcar espezinhar
vê tantos pré-ocupados a planear a evitar a pensar a cansar a fazer
Que planeiem outros melhor nenhuns
Caminho cru limpo vale tem valor
De todos de nenhum de cada um
Para andar ver
Ver sem re(parar)
Apenas ver
Sem sonhar pequeno pequena não há
Apenas há
Tudo que vem vai está
Está
O mundo as coisas estão
Estão
Assim
Aqui
Agora
Momento
Já não é
Já foi
Palavras
Palavras demoram muitos momentos
A dizer
A escrever
A ditar
ainda é pior
Lixem-se os ditados
as correções
as pontuações
Viva
Que ViVe
Sempre
O Ponto!!
E
até o ponto demora tempo
Muitos momentos a dizer
Ainda mais a escrever
Afinal a final
o ponto dito escrito
Tem Um princípio
E tem um fim
Mas o ponto
Que É
Um ponto
Um ponto de verdade
Não tem
Nem princípio
Nem tem fim!
Afinal a final
a escrita
e a dita
são enganos ilusões
É melhor Quando se nasce
Não se Fala Não se escreve
E aí
É realmente
A cândida Pureza
Então
Nasce-se para enganar para se enganar
Porque se nasce?
Enfim
No fim
Morreu-se
Acabou-se?!!
Para quê o quê?
Um mistério
é pensar isso como um mistério
E o DNA?
Para que continua?
Para andar
a percorrer
Andar por aí
A passear a estar a continuar
o quê?
Tanto mistério
de nascer
Para se fazer para eu fazer
O quê?
Estar aqui
Depois de nascer
Para olhar para ver
sem re(parar)
para continuar
qual obra?!!!
A do mundo todo o mundo?
Todo o mundo
É o quê?
Os dinossauros desapareceram foram embora se finaram
foi o fim Deles
Agora estão na História do Planeta
e nas histórias dos meninos que gostam
Alguns gostam muito mesmo muito
E gostariam que estivessem vivos
Mas eram muito grandes enormes gigantescos
se fossem estivessem vivos hoje comiam tudo
se calhar comiam mesmo tudo
E os meninos
podiam passar fome
Mesmo aqueles meninos
que hoje não passam
Coitadinhos dos meninos…
Os meninos todos
Nasceram
Assim!!
Vale tudo
Tudo vale tem valor
Se encantam brincam acreditam quando são bem pequeninos
E não é preciso falar
Palavras ditas da boca para entender se entender comunicar
Com tudo e todos tudo
Depois
Quando estão mal pequeninos Bem grandinhos
Vão prá escola
Letras números cópias ditados
E provam duro a dureza do tempo que passa
A escrever contas cópias ditados
E cada coisa cada uma destas coisas dura duro o tempo a passar
Sempre sentados sem sair do lugar
A escrever
A demorar
E lá fora das paredes
De aprisionar
Todo o encantamento dos dinossauros
Sempre sempre
A chamar
Alguns são capazes
De guardar
Aquela inocência
Candura
Dos tempos de iniciar
E vão
Vão
Encontram quem chama
O que chama
A chama
Desse ponto
Que não é de escrever com letras
Nem de desenhar
Porque são todas
As interseções das vidas de todos
Os que têm mantêm olhos de ver sem re(parar)
E apenas
Sem penas
A viver
A olhar
♦♦♦

Adelina Maria Granado Andrês nasceu no norte do país e aí vive, em vizinhança próxima com o mar de Gaia e pelo interior transmontano. É docente do ISCAP-P.Porto. Os seus interesses focam-se no pensamento e na obra de Agostinho da Silva e para além do ensaio, dedica-se a outros tipos de escrita, sendo autora de livros infantojuvenis, poesia e prosa poética.


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