EUROPA E A QUESTÃO DOS REFUGIADOS – por Diogo Pacheco de Amorim

A questão dos “refugiados” é paradigmática de um enorme acréscimo de alterações ao que inicialmente se entendia, e foi “vendido” como o que deveria ser, no essencial, a União Europeia: um espaço onde circulariam livremente bens, capitais, serviços e pessoas. Desapareciam as fronteiras físicas entre os países membros e estabelecia-se uma fronteira entre a UE e o mundo exterior. O Espaço Schengen, mais ou menos coincidente com a UE, materializava, do ponto de vista institucional, esse conceito. Concomitantemente, os países com fronteiras externas, assumiam a responsabilidade pelo controlo dessas fronteiras externas em nome dos outros Estados-Membros. A Europa eliminava as fronteiras físicas dentro de si, mas estabelecia sólidas fronteiras com o exterior.

A livre circulação era de e para europeus aderentes ao Espaço Schengen e para mais ninguém. Todos os demais pretendentes a entrar seriam controlados nas fronteiras exteriores e apenas admitidos desde que munidos de passaporte e visto de entrada. Seria uma visão “fascista”, “neo-liberal”, “racista”, “xenófoba”, “homofóbica” “claustrofóbica” ou o que se queira da Europa. Mas era a por todos aceite ao tempo e aquela que me foi vendida a mim e à minha geração.

Foi nesta UE e neste Espaço Schengen que entrámos. Foi nesta Europa que entraram o Reino Unido, a Áustria, a Eslováquia, a República Checa, a Hungria, a Polónia e todos os demais. Nunca foi dito que se um dia começassem a surgir vagas de imigrantes (vindos das zonas mais pobres do globo, para usufruir do bem-estar criado pelos contribuintes dos países membros) lhes seria permitido, a esses imigrantes, livre acesso, em nome de princípios vagos e pretensamente generosos e que, em nome desses mesmos princípios vagos e pretensamente generosos, seria imposto, a todos e a cada um dos países membros, quotas obrigatórias de recepção. Governos de países que resistem são insultados. Mas, pergunto eu, com que direito? Com que direito querem impor a um país quem esse país deve aceitar dentro das suas fronteiras?

Mas isso foi feito e os resultados para a estabilidade da UE estão à vista: O Reino Unido foi-se e o Grupo de Visegrado faz frente e preferirá sair a ceder. A questão dos imigrantes é a bomba relógio que vai fazer implodir a União Europeia.

Paradoxalmente, uma implosão que acabará por salvar a  Europa, aquela Europa que tem 2.600 anos.

E porque está a questão dos imigrantes a fazer implodir a UE? Porque esses imigrantes estão a trazer à superfície a insanável contradição existente entre a Europa de sempre e esta triste contrafacção que é a europa made in Bruxelas. Entre a Europa integradora e a Europa do multi-culturalismo.

Vamos por partes. A Europa foi, de facto e sempre, um espaço onde, de forma ora violenta, ora pacífica, iam chegando novos habitantes vindos um pouco de todo o lado. Chegados em ondas sucessivas, todos eles acabavam por se integrar no ambiente que encontravam, pela conversão ao cristianismo, bem como aos costumes e leis que haviam sobrevivido ao naufrágio do Império Romano. Foi o caso, por exemplo, de Alanos, Vândalos e sobretudo, suevos. Já para não falar nos visigodos, entre muitos outros. Os únicos invasores que chegaram à Europa e, não se tendo integrado, acabando por ser expulsos foram, precisamente, os muçulmanos que chegaram, de espada na mão, do Norte de África. E foi de espada na mão que tiveram de ser corridos de volta aos seus desertos. Todos os demais acabaram por se integrar.

Aqui chegados, abordemos a questão da integração e qual o verdadeiro conceito que se encontra involucrado por este termo.

Integra-se quem chega a um novo espaço com uma cultura e um ordenamento político e jurídico próprios e estabelecidos e aceita o essencial desse ordenamento cultural, político e jurídico, sem reserva mental. Mas que trás também algo de uma cultura de onde veio, um algo que acaba por infiltrar no mundo a que chega. Ou seja, aceita o essencial do mundo onde se integra, mas traz consigo um apport, qualquer coisa que vai passar a fazer parte integrante dessa cultura, enriquecendo-a.

Este é o processo de integração, um fenómeno que se processa em dois sentidos, mas em que a parte dominante é aquela que o imigrante, ou o conquistador veio encontrar e não aquela que ele trouxe consigo da sua terra distante. As culturas vivas e as civilizações vencedoras são aqueles em que o núcleo essencial de valores, disposições e modos de vida permanecem, mas sempre paulatinamente enriquecidos pelos contributos de quem vai chegando.

Sintetizando: A integração é a forma pela qual um organismo vivo se desenvolve alimentando-se da energia de quem chega, mantendo sempre a sua originalidade mas aceitando elementos novos que não desvirtuem a sua matriz original, mas antes lhe vão dando vida e uma sempre renovada originalidade. E assim que as culturas se desenvolvem, absorvendo elementos de outras culturas. Foi assim, por exemplo, que a cultura ocidental se enriqueceu, no séclo XVI com elementos provindos das culturas orientais e que, por sua vez, enriqueceu essas culturas com elementos que lá lhes deixou.

Por contraposição (mas sem o referir explicitamente) à integração, surgiu o conceito de multiculturalismo, que nos diz que todas as culturas, mesmo as mais primitivas, se nos apresentam com igual dignidade e valor. Ou seja: quem provém de uma outra cultura não se deve integrar naquela a que chega, antes manter-se solidamente ancorado na sua “cultura”.  Isto é o contrário da integração, é uma mera justaposição, um mosaico de realidades distintas cada uma delas de costas voltadas para todas as outras. O isolamento e o fechamento sobre si próprias torna estas culturas improdutivas e, forçosamente, regressivas. Mas nem todas as culturas, importa aqui este distinguo, têm a mesma dignidade, de facto: uma há que é dela desprovida de todo e que há que aniquilar: A Cultura Ocidental

O multiculturalismo tem, indelével, a marca de água do marxismo, agora na sua versão neo-marxista, ou cultural. em que a classe capitalista foi substituída pela Cultura Ocidental, a exploradora, e todas as outras culturas fazem o papel do proletariado, as exploradas. Agora os “amanhãs que cantam” não celebrarão já a derrota do capitalismo, mas sim a derrota e destruição da cultura ocidental.

É esta destruição da nossa cultura europeia e das nossas raízes que está na ordem do dia. O apoio à invasão paulatina pelas hordas de muçulmanos com as suas mesquitas, as suas escravas veladas, o seu ódio ao Ocidente e às raízes cristãs do Ocidente, a sua recusa em integrar-se e, mais do que isso, a sua exigência de que sejamos nós a integrarmo-nos no seu modo de vida as incansáveis campanhas a favor da eutanásia, do aborto e de todas as estratégias pensáveis para reduzir a demografia ocidental  têm todas as mesmas origens e a mesma justificação última ideológica. Tudo isto faz parte da agenda neo-marxista

É isto que está por trás desta europa com sede em Bruxelas, esta gente que quer destruir a verdadeira Europa e substituí-la por uma versão “martelada”.

Mas como eles estão em todo o lado onde se produz ideologia, caso das universidades e como conseguem controlar eles todos os meios que a difundem, caso dos meios de comunicação social? Porque os meios de CS e as inúmeras ong’s que veiculam estas ideologias não são detidos, ou pagos, pela multidão de esquerdistas que os usa como difusores. Quem os paga? Quem paga a esta esquerda cultural para que ela possa estar presente em todo o lado e em todo lado ser ouvida? Quem paga aos governos que protegem e acarinham esta gente?

Muitos de nós têm uma ideia. Talvez que o tiro, um dia destes, lhes saia pela culatra.

@ Artur Cruzeiro Seixas

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Diogo Pacheco de Amorim – Nascido em 1949. Licenciado em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Como jornalista pertenceu à redacção do semanário O Diabo e do diário O Primeiro de Janeiro entre 1976 e 1984; foi, ainda, colunista regular nos semanários O Diabo, Euronotícias e O Semanário. Foi representante, em Portugal, da revista Nouvelle Écolle, orgão da Nova Direita francesa. Foi assessor do Vice-Primeiro Ministro no 1º Governo da AD e Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar do PP entre 1995 e 1977. Nos últimos vinte e cinco anos tem desenvolvido a sua actividade no âmbito da Consultoria Imobiliária, quer do ponto de vista empresarial quer académico, tendo sido fundador da Escola Superior de Actividades Imobiliárias, de que foi Administrador, Director Académico e membro do Conselho Científico.

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