OS 4 CAVALEIROS DE CARLOS MAGNO – por Rosa Sampaio Torres

Cavalaria carolíngia. Ilustração do salmo 60 no Saltério Dourado de St.Gallen c. 890

OS 4 CAVALEIROS APOIADORES DE CARLOSOO MAGNO EM SUA MARCHA PARA ITÁLIA NO SÉCULO VIII.

 

  O arcebispo Wilkarius

“O Espada Gloriosa”

O arcebispo Wilkarius, Warin III de Thurgau, o capelão Foraldus, e Adalardus – todos da cepa wido de Hesbaye

  

Neste ensaio pretendemos ressaltar a figura do guerreiro e religioso Wilcharius, um dos quatro cavaleiros religiosos e apoiadores Carlos Magno em sua descida para a Itália. Nesta oportunidade sugerimos sua associação aos quatros cavaleiros religiosos lembrados pelo historiador Giovanni Cavalcanti no século XV (6), saídos próximo de Colônia, do castelo St. Gilles.

Em trabalho anterior publicado na revista Athena do Porto, maio de 2019, havíamos afirmado que a Igreja de St. Gilles (St. Egídio) em Hesbaye (Hesbania), hoje localidade de Seckeinhein, fora doada em 823 pelo imperador Luis o Piedoso à Abadia de Lorsch – fato documentado no próprio código Lorsch. Nesta ocasião, o imperador Luis já viúvo de Emengarda de Hesbaye.

Também registrado no mesmo documento que a igreja de St. Gilles teria sido anteriormente “comprada pelo rei” a um dos condes Warin – provavelmente ao conde Warin II de Hesbaye (n. 723 – f. 772) ou mesmo a seu filho, Warim III de Thurgau, cuja data de falecimento é posterior a 2 de setembro de 786 (1).

O conde Warim II de Hesbaye e Aldorf filho do dux Robert I de Hesbaye já na infância teria recebido um posto de comando no condado em Altdorf, fronteira com a tribo alamanni.  Mas a partir de 744 viveu em Narbonne, na Provence, frente de defesa franca, contrapondo-se aos muçulmanos até sua morte, podendo assim ter alienado à contragosto ou não suas terras em Hesbaye ao rei franco em algum momento. Temos, entretanto, que seu filho Warim III posteriormente apoiará Carlos Magno em seus projetos de descida à Itália para domínio dos lombardos – recebendo mais tarde, talvez como prêmio ou compensação, terras na região em que fora fundada a Abadia de Fulda, no Hessen (2).

O conde Warin lll estaria, portanto, entre aqueles que reconheceram e avalizaram o reinado de Carlos Magno, e mesmo o teriam acompanhado no início de sua marcha no ano de 771 – já que seu pai, Warin II, nascido em 723, faleceu em 772 ainda em Narbonne.

A fonte  Franks  comenta textualmente (3): “Début décembre 771, à la mort du roi Carloman, Wilcharius archiepiscopus et Folradus capellanus  cum aliis episcopis ac sacerdotibus, Warinus et Adalhardus comites cum aliis primatibus, qui fuerunt Carlomanni, se rendent à Corbeny  auprès de Charlemagne pour le reconnaître comme leur souverain”.

Traduzindo:

“No início de dezembro de 771 com a morte do rei Carlomano o arcebispo Wilcharius e o capelão Folradus com outros bispos e sacerdotes, os condes Warinus e Adalhardus, que com outros foram anteriormente apoiadores de Carlomano, dirigem-se para Corbeny frente a Carlos Magno para reconhecê-lo como seu soberano”.

Franks usa como fonte o conjunto de documentos conhecidos como Annales Laurissenses, documentos em que estes quatro cavaleiros são referidos em 771: “Os Annales Laurissenses” registram que o rei Carlos veio a “Corbonaeum villam” em 771 com “Wilcharius archiepiscopus e Folradus capellanus, Warinus et Adalhardus comites” (4).

O conde guerreiro Warin lll da cepa de Hesbaye estaria ainda em companhia de significativas e religiosas personalidades como apuramos (e como havia indicado o historiador da família Giovanni Cavalcanti) (5):

   – o arcebispo Wilcharius, desta cepa original de Hesbaye, sucessor de Dom Austrobert como bispo de Viena,

Adalhardus, primo de Carlos Magno, também descendente colateral da família de Hesbaye, personalidade de grande espiritualidade, ainda   

   – o capelão Folradus, conde de Vannes – por nós também indicado como descendente de Hesbaye, filho de Lampert (Lando) conde de Hornbach da Bretanha (n. Bretagne 720-785, ou pela fonte Geni n.735, França – f. c.783 – Lantbert “Graf Vogt of Kloster Hornbach and Kloster Mettlach”, Nantes). A fonte Franks informa que mais adiante “Carolus… rex Francorum et Langobardorum” concedeu doação ao mosteiro de Plaisir, ao abade de Folrad de Saint-Denis, por carta datada de 28 Jul 775.

Ainda que tenhamos muitas outras informações sobre estes 4 cavaleiros, neste atual trabalho iremos enfocar a figura do arcebispo Wilcharius, que nos parece o líder do grupo por sua experiência e graduação.

Wilcharius foi Arcebispo de Viena e é referido em vários documentos do ano 740 a 785 citado como São Wilcharius, Vilicarius, Wicharius, Wilcarius, Wilharius, Wiliarius, Wilicarius, Willicarius, Williharius, Wlcarius, Wlharius, Viulharius, e Vu-lecharius. Denominado em diferentes períodos também Warnharius e Wultcherius.

Comenta a fonte Franks: “Supõe-se que “Warnarius” se refira a pessoas como “Warin”, esses dois nomes intercambiáveis”.

Warnharius, Wilcharius, ou mesmo Wultcherius seria um membro da família de Hesbaye – um wido descendente de São Warin – indicado em varias listas genealógicas inicialmente pelo nome Warnhariusreferido como filho de São Liutwinus, o Bispo de Trier falecido em 722, da mesma cepa de Hesbaye, mas já do ramo de Lampert de Hornbach.

O nome Warhnarius é citado na fonte geneológica tradicional Werinheri bei Genealogie Mittelalter e aparece também na lista “guidechi” do ramo Hornbach, proveniente da cepa de Hesbaye por S.Leuwinus. (7).

Em artigo recente de 2013 o estudioso Christoph Jörg (8) tentou analisar a segunda grafia de seu nome – Wilcharius em alemão antigo, concluindo: “Wilja” – referente à “vontade” e “Harja” – “armada”. Assim “Vontade Armada”.

Já a grafia Wultcherius aparece ainda mais tarde em uma lápide atribuída ao arcebispo – a palavra formada, ainda pelo autor citado, pelos fonemas Wulthu – gloria e gairu – lança, espada – determinando o sentido de ”Espada gloriosa” (9).

Neste caso, o nome inicial Warnharius talvez tivesse sido atribuído ao arcebispo ao inicio de sua vida e carreira militar – a partícula “Warn” em alemão moderno significando “aviso” – “arauto”. Lembrando que o nome original familiar dos condes Warin seria mesmo proveniente da palavra warinhari (warin ou wara, waran, warna – defesa proteção, guarda e hari, harja, heer – exército) – significando defensor de exército, guarda de exercito (10). O primeiro elemento fonético ainda encontrado no nome Garner de origem borgonhesa (11). Suas variantes Guarino, Guarniero em outras línguas – Werner, Warnério, Verner, Guarnieri.

Quanto às suas atividades religiosas e políticas, é unânime na historiografia européia que o religioso Wilcharius teria sido sucessor de Dom Austrobert como Bispo de Viena, e depois Arcebispo de Viena.

  E o próprio Os Annales Laurissenses registram que o rei Carlos veio a “Corbonaeum villam” [a Corbaie] em 771 com o arcebispo Wilcharius – “Wilcharius archiepiscopus e Folradus capellanus… Warinus et Adalhardus comites”.

Anteriormente a esta data sabemos que Wilcharius teria atuado como enviado religioso em missões à peninsula italiana junto ao papado. Delicadas missões religiosas e diplomáticas de toda confiança, que havíamos observado na época teriam sido sempre atribuídas aos da família de Hesbaye – varões sempre muito religiosos, entre os quais citamos São Crodegang, o citado capelanus Folradus, e o missus Robert I, dux de Hesbaye (12).

Estudiosos de tempos antigos e mesmo recentes debruçam-se sobre a personalidade deste notório arcebispo Wilkharius, até agora analisado preferentemente em seu viés religioso. Referido desde o ano 740 ao 785 como dedicado a atividades religiosas – legado do papa nas relações com Pepino e Carlos Magno; membro da cúria pontifícia; monge de Saint-Maurice; bispo de Viena, Mentana, Sions et Sens; Arcebispo da província da Gália, também abade em Saint Maurice.

Jean-Marie Theurillat autor do artigo “L’Abbaye de Saint-Maurice d’Agaune, des origines à la réforme canoniale (515-830)”, publicado na revista Vallesia 9 (1954), pp. 113-118, tenta demonstrar até mesmo que todos os títulos acima seriam referidos à mesma pessoa.

Se bem todos estes títulos acima representem suas atividades eminentemente religiosas, gostaríamos nesta ocasião de ressaltar, entretanto, outra faceta deste religioso, depois santificado – S. Wilchariusespecialmente perceber e analizá-lo como um cavaleiro/soldado, homem político e “missus”.

 Sua atividade militar já nos aparece claramente na etiologia de seu nome e acaba por nos aproximar ainda mais do que nos afirma o historiador Giovanni Cavalcanti do sec. XV ao comentar a celebre descida militar de Carlos Magno, que foi especialmente acompanhado por quatro cavaleiros montados, varões muito religiosos descidos do castelo de San Giglio, castelo que realmente comprovamos existiu em Bornheim, próximo de Colonia (13). Também por esta religiosidade poderíamos aproximar esses citados cavaleiros dos referidos por Cavalcanti – o conde Warin III, descendente do próprio capostipide da família São Warin; o capelão Folradus, neto de São Lampert; e o próprio Wilcharium, arcebispo, já então reconhecido pelo papa como “venerável varão” – completando o grupo o muito jovem cavaleiro Adalhardus, colateral da família e primo do próprio Carlos Magno, com vida de guerreiro sincera e pura como a de Wilcharium, e que será mais tarde também santificado.

Quanto às atividades iniciais de Warhnarius ou Wilcharius, como militar, religioso e diplomata – como “missus” – é sabido que conduziu com extremo zelo as relíquias dos santos Nazarius, Nabor e Gorgonius solicitadas pelo venerável parente religioso e político, Chrodogangus, ao papa – relíquias conduzidas com grandes cuidados por longo e perigoso percurso, quando devoto e exímio cavaleiro apenas bispo de Sion (“sedunensem episcopum”) – relíquias depositadas no monastério de Gorze em 15 de maio de 765.

Humilhado, porém, por um ataque sarraceno à sua diocese Wilcharium foi consolado pelo proprio papa Gregório III e mencionado como “venerável varão” ao receber o título de arcebispo de Viena (14).   A nosso ver, por estes motivos Wilcharius como cavaleiro e religioso já portava o título de Arcebispo de Viena e “venerável varão” quando do seu apoio em Corbie a Carlos Magno – fato mencionado nos Annales Laurissenses – sinal já de sua preeminência e grande religiosidade, oferecendo prestigio a esse grupo de cavaleiros que apoiava e acompanhava Carlos Marno.

Como os anteriormente enviados ao papa – São Chrodegangus, Robert l, e Folradus de S. Denis, missi, embaxadores da família de Hesbaye – para estabelecer as tratativas da descida, Wilcharius seria igualmente membro desta família de Hesbaye, tendo exercido funções de intermediário religioso e político entre o rei Pepino, Carlos Magno e o papado. Já o próprio perfil biográfico e religioso de São Grodeganag, por nós levantado em trabalho anterior exaustivo, é perfil que muito bem a ele se encaixa – biografia que antecede e mesmo explica a própria biografia e a atuação de Wilcharius (15)-

Chrodegang, bispo de Metz, havia mantido relações com a cúria romana de início através Wilcharius. Para a diocese de Lorsch, Crodegang teria obtido as relíquias de São Nazarius e para a diocese de Gorze oteve as de São Gorgonius, que teriam sido trazidas como sabemos pelo próprio Wilcharius. Em missão religiosa e política no ano de 753, Chrodegang, bispo de Metz, após a queda definitiva do rei merovíngio Childerico III fora enviado por Pepino o Breve ao Papa Estevão II com a finalidade de assegurar-lhe a simpatia das regras e leis francas contra as excursões destrutivas (“inroads”, ”razias”) de Aistulf, o rei lombardo – tendo Chrodegang posteriormente acompanhado o próprio papa até Pontiers.

Pouco depois em 757, na mesma direção à península foi Robert I igualmente enviado pelos carolíngios, que sabemos teve o título de dux de Hesbaye – personalidade muito bem documentado, nomeado “missi” na Itália.

Robert I por fontes genealógicas modernas foi indicado e atuou  na companhia do primo Fulrad (Folradus – ambos originários do condado de Hesbaye. Robert enviado como “Missi Dominici” (“régio patroa”) à Itália, sabendo-se já que o rei Pepino em 754 e 756 concordara em prestar ajuda ao papa na Itália para derrotar os lombardos.

A intervenção de Robert I de Hesbaye como ‘missus”, emissário real, é documentada, e ele levava na sua companhia o abade Fulrad (Folradus, Frodoald) de Saint-Denis, seu primo no condado de Hesbaye. – intervenção atestada no início do ano 757 nas negociações entre o Papa Estêvão II e o dux Desidério.

Em nova missão no ano de 758, através de seu embaixador Roberto (Roberto I), o Papa Paulo I enviou até mesmo para rei franco Pepino uma espada, objeto de grande simbolismo – símbolo de sua decisão final (16).

O arcebispo e cavleiro Wilcharium, portanto, já experiente nos caminhos à Itália em suas muito bem estabelecidas ligações com a Cúria Romana, após a descida franca em 785, como os demais cavaleiros que apoiaram e prestigiaram Carlos Magno, certamente teria recebido também outras honras – honras religiosas mais elevadas – provavelmente o titulo de Arcebispo da Gália.

Sabemos que postumamente Wilcharium receberá homenagens também significativas – homenagens póstumas da diocese de Sion e mesmo sua santificação. No ano de 1236, tanto tempo depois sua morte, ele foi ainda relembrado pelo episcopado de Viena em 14 de abril (17).

Recentemente sua lápide foi, entretanto, objeto de polêmica.  Esta lápide descoberta em 1896 no interior da Basílica de São Mauricio, na diocese de Sion, foi referida ao arcebispo Wilcharius – apesar da partícula inicial do seu nome se apresentar no epitáfio grafada de forma ligeiramente diferente – “Wultcherius Sedunensis episcopus” – traduzida, “Vultcherius, bispo de Sion”. Este epitáfio foi questionado e mesmo tido como suspeito de autenticidade pelo pesquisador Christoph Jörg, pequisador já citado – por ser de dizeres muito simples para quem em vida teria tido todas as honras.

Dizia o epitáfio em latim + D(OMI) NE MISERERE ANIMAE FAMVLI T WLTCHERII SEDVNESIS EP (ISCO) QVI OBIIT • VII K(A)L(ENDAS) IVN (II) • EQVIE ETERNA(M) DONA EI D(OMI) NE ET LVX LVCEAT EI AMEN (“Seigneur, aie pitié de l’âme de ton serviteur Vultcherius, évêque de Sion, qui est mort le septième jour avant les calendes de juin (26 mai). Seigneur, donne-lui la paix éternelle et que la lumière brille à jamais sur lui. Amen”. Em nossa tradução: “Senhor, tenha piedade de seu servidor Vulkerius, bispo de Sion, que morreu no sétimo dia das calendas de junho (26 de maio). Senhor dá-lhe a paz eterna e que e a luz brilhe para sempre sobre ele. Amen”

Acreditamos que esta lápide de dizeres tão simples tenha sido colocada nesta Basílica de San Marcus talvez no sec. Xll ou Xlll, ainda no período das Cruzadas.

E observamos – aparentemente seriam honras bem simples, mas muito simbólicas e grandiosas da diocese de Sion para um guerreiro tão religioso, sobretudo merecedor da compreensão de Deus para seus pecados – indicado agora como sua verdadeira dimensão – Vultcherius – “o Espada Gloriosa”- e por esta alta titulação especialmente marcada sua preeminência no tempo. Fato não percebido pelo autor citado.

Neste caso, como analogia, supomos que seu nome inicial, Warncharius, enquanto jovem militar significasse simplesmente “o Aviso Armado”, ou “Aviso com espada” (Warn, aviso em alemão e harja, armado). Em um segundo momento de sua vida, tornado ele já um militar experiente e arcebispo, Wilcharius, “Vontade Armada” (“Wilja” – referente à “vontade” e “Harja” – “armada”).  Por fim já bem mais tarde, experiente e santificado reconhecido como – Vultcherius, “o Espada Gloriosa” (“wult”- gloria, “harja”- lança, arma).

Realmente uma homenagem singela dos religiosos de Sion para uma grande personalidade histórica – misto de guerreiro e santo (18).

Notas

(1) Não nos foi possível identificar qual teria sido o rei franco a quem os condes Warin haviam vendido seus bens em Hesbaye. Possivelmente a Carlomano ou Carlos Magno. Acreditamos mais provável Carlomano que, nota-se, falece pouco antes de Warin II. Ver nosso trabalho “As origens dos Cavalcanti e Monaldeschi no centro franco”, publicado na revista Incomunidade, ed. 57 junho de 2017 e o artigo “A dinastia Wido e os Cavalcanti”, editado pela revista Athena, maio de 2019.

(2) Documento de época citado pela fonte Franks, (endereço abaixo), confirma a doação em Fulda: “M Frederuna, filha de — (-after 2 Sep 786)”… “Carolus… imperator augustus” confirmou a doação de “Warinus vem e uxor eius Friderun” da propriedade “em pago Moyngowz… Biberbah” para Fulda por carta de 2 de setembro de 786”.

Ainda referido pela fonte Franks (endereço nota abaixo): “91. WARIN (- a partir de 2 de Setembro de 786)”. Ver mais detalhes em nosso artigo “A descida de Carlos Magno para a península italiana no sec.VIII e a colaboração da dinastia franco-borgonhesa dos Condes de Hesbaye (Wido)”, nota 4 especialmente.

A cidade de Fulda no Hessen, coração da Alemanha, desenvolveu-se a partir da fundação em 744 da Abadia de Fulda por Santo Estúrmio, e na qual o conversor S. Bonifácio foi enterrado tornando-se centro de peregrinações. S. Bonifácio com ligações entre as linhagens wido, bávaras e geroldings. A cidade de Fulda com um interessante símbolo de lírios, sempre presentes nos brasões dos Wido, apresentados ainda de forma figurativa. Ver nossos artigos “Guia de capelas Cavalcanti na Toscana e” “Guia de Casas e Ruínas Cavalcanti na Toscana”, ambos publicados no blog http://,blogspot.com/

(3) Fonte FRANKS, CAROLINGIAN NOBILITY (Frank)

http://fmg.ac/Projects/MedLands/FRANKISH%20NOBILITY.htm#Ermentrudisdied869 (coleções de fontes documentais de época

(4) Fonte FRANKS, CAROLINGIAN NOBILITY (Frank)

http://fmg.ac/Projects/MedLands/FRANKISH%20NOBILITY.htm#Ermentrudisdied869 (coleções de fontes documentais de época)

(5) Neste mesmo ano de 771, Carlo Magno após sua separação de Desidéria, princesa lombarda, teria se casado com a jovem Hildegarde de Wizingau que por sua avó paterna, Heresvinda, era ligada aos de Hesbaye – seu avô paterno a que tudo indica de dinastia agilofing, ela já filha do rico Gerold I de Wintzingau, capostipide dos geroldings. Casamento de conveniência política como o anteriormente realizado na família de Hesbaye entre Routrude e Carlos Martel em 705 – simbolismo que, pela segunda vez, pretenderia compensar a queda de poder político sofrido pelos ancestrais wido da família, no passado martirizados – ao mesmo tempo em que trazia para os carolíngios o apoio de famílias renomadas – os religiosos de Hesbaye e os ricos gerodings, estes também já com influência sobre a elite alamanni. Hildegarde de Wizingau recém casada acompanhou Carlos Magno na descida à Itália. Ver mais detalhes em nosso trabalho “A descida de Carlos Magno” no blog http://rosasampaiotorres.blogspot.com/.

(6) Ver ainda nota adiante 12, e nossos artigos que associam esta descida às informações prestadas pelo historiador Giovanni Cavalcanti do sec.XV, especialmente “As tradições de origem família Cavalcanti e dos Monaldeschi no reino franco”, publicado na revista InComunidade ed. 57, junho de 2017, também publicada no nosso blog. Especialmente sobre a descida nosso artigo “A descida de Carlos Magno para a península italiana no sec.VIII e a colaboração da dinastia franco-borgonhesa dos Condes de Hesbaye (Wido)” também editado no blog citado.

(7) Sobre a genealogia de Wilkarius ou Warhnarius consultar ainda nossos artigo “A linhagem wido de Horsbach” próximo em nosso blog. Aqui transcrevemos esta nossa listagem:

  1. Leuwinus, Arcebispo de Treves (Trier) e Bispo de Laon de família franco-borgonhesa wido de s. Warin establecida em Hesbaye, casado com Willigard da Baviera, uma agilolfing filha do dux Teodoro II da Bavária. Pais de:

I

                          Guy (Wido), Conde de Treves e Hornbach (e de Fontanelles?,) o também chamado Wido dos Francos, conde de Treves Von Hornbach (c. 670 ? – ?).  Irmão de Willigardis de Treves; [?] de Thurgovie; de Chrodbert, antes de 670, da Austrasia de onde sai a linhagem de Lampert II e Robert I; de Milo, Conde de Treves (f. 761/62) bispo de Treves e Reims, sucessor do pai que procurou defender os bens familiares; ainda de Rotrude (Chrotrude) de Treves e de Poitier (c. 695- 724), casada com Carlos Martel. Guy teria sido a nosso ver pai de:

I                                                                                              I

 Hruodland (o  celebre  Rolando,  c. 730  m.758?), e de Lampert (Lando) conde de Hornbach da Bretanha (n. Bretagne 720-785, fonte  Geni n.735, França – f. c.783) –  Lantbert “Graf Vogt of Kloster Hornbach and Kloster Mettlach”, Nantes. Na fonte Geni referido seu 1° casamento com Theuteberga da Austrásia, Nantes. Pela fonte My Heritage foi casado a segunda vez com Gerberga de Laon (c.732), seus filhos: Guido (Guido) von Hornbach (Guy de Nantes, abaixo), Guibour (ou Witburg, Guiboar, Cuningunda (born Von Hornbach) de Gellone c.760, casada com Guilherme “Saint Guillaume” Gellone de Toulouse; e ainda Waldrata (Hornbach) Jutland, 770 – 824, casada com Adrien D’Orleans (mãe de Oto e Waltrud de Worms – esta matriarca da linha robertina). Lampert foi casado uma 3 ° vez com Deotbric de Tréves, Prussia. Teve um filho referido como Warnário na fonte Werinheri bei Genealogie Mittelalter A fonte Med/land parece confirmar este venerável Warnário entre os filhos de Lampert (Lando) “Carolus… rex Francorum et Langobardorum” issued judgment in favour of Kloster Mettlach by charter dated to [782] which records privileges granted to “Karolus quondam maiorem domus Miloni” and by King Pepin to “Miloni”, names “Leudonius quondam episcopus genitor Miloni et Widoni”, specifying that Milo succeeded Leudonius as bishop, and details the dispute between “Wicberto misso et filios Lantberti, Widoni et Hrodoldo vel Warnariom”); Lampert ainda teria sido pai de Hrodoald (Froaldo de Saint Denis, conde de Vannes)

(9) Jörg, Christoph – artigo “Un évêque de Sion oublié ? Vultcherius Episcopus Sedunensis” (revista Echos de Saint-Maurice, 1977, tome 73, p. 181-188 Abbaye de Saint-Maurice, 2013]

(10) Burgio Alfonso –  Dizionario dei nomi propri di persona, Roma, Hermes Edizioni, 1992, p. 347.

(11) Sobre a origem mais antiga desta família franco–bogonhesa dos condes Warin (wido) consultar especialmente os nossos artigos “As origens dos Cavalcanti e Monaldeschi no centro Franco”, publicado na revista InComunidade, do Porto ed. 57, junho de 2017; o artigo “A dinastia Wido e os Cavalcanti”, editado pela revista Athena do Porto, maio de 2019; ”Os Bernardenga”, publicado em 2017, no blog http://rosasampaiotorres.blog.spot.com/, ainda “Propriedades da antiga família Cavalcanti na Toscana” neste mesmo blog.

Em nossas pesquisas havíamos observado que um dos mais antigos ascendentes da linha de condes de Hesbaye, São Luitwinus, nascido em 660 em Mettlach e falecido 717 ou 722 em Reims, fora casado com uma filha de Teodorico II duque da Baviera, Willigard da Baviera – ela de linhagem muito antiga, agilofings – linhagem que teria governado o ducado da Baviera em nome dos reis merovíngios de 550 até 788.  Entretanto, os mais remotos ascendentes da família de Hesbaye teriam sido os mártires São Leodegarius de Poitiers (Leodegar, Léger, n. 615 – f. 2 outubro de 679 no Sarcing, Somme) e São Warin, tidos de origem franco-borgonhesa, cruelmente martirizados por causas políticas.     São Leodegarius fora preso, tiraram-lhe os olhos e a língua, depois assassinado; e seu irmão São Warin (Garnier I, conde de Poitiers e de Paris,  Bispo de Autun – Borgonha) apedrejado aos pés do esporão rochoso em Vergy em 681, próximo á localidade de Arras, também em solidariedade à família. Há carta remanescente de São Leodegarius à sua mãe Sta.Sigarta testemunhando o drama da família que documenta sua biografia.

Leodgarius e Warin por parte materna eram tidos como dos Garnier da Borgonha – a origem mais antiga da linha wido (dos Garnier, Guerin, Gerwin, Guérin, Warin, Warinus, Warmnus). A mãe de ambos Sigrada, depois Sta Sigrada de Sainte-Marie de Soissons, e o  pai indicado por fontes genealógicas antigas como Bodilon de Trier – nobre franco que sofrera ilegítima punição física ao tentar reagir pelas liberdades da Neustria contra Childerico II.

Observado nas várias biografias por nós cuidadosamente levantadas que os principais ascendentes da família dos condes de Hesbaye eram, portanto, originariamente da Borgonha e da Bavária – família da elite franca que se desenvolvera em difícil contexto político, conflitos entre prefeitos de palácios e reis merovíngios, ainda divididos entre neustrasianos e austrasianos – todos sob o perigo de invasões muçulmanas e de vários outras etnias ainda não convetidas ao cristianismo pelas vizinhanças – frísios, alamani, ávaros, magiares, normandos, wikings, saxões – considerados bárbaros.

(12) As missões recebidas pela família de Hesbaye a Roma são estudadas por nós em vários artigos. Assunto já exaustivamente tratado em “A dinastia Wido e os Cavalcanti”, editado pela revista Athena do Porto, maio de 2019. “A descida de Carlos Magno para a península italiana no sec.VIII e a colaboração da dinastia franco-borgonhesa dos Condes de Hesbaye (Wido)” editado no blog citado.

(13) Lembramos como fonte as palavras do historiador Giovanni Cavalcanti: “I quali noi tutti venino da uno castello fuori di Colonia quindici miglia & ha nome San Giglio, il quale castello con altre ancora sono sedia del nostro hurigine. & ricinta la nostra ciptà da Carlo Magno… Questo Castello é molto magnífico, di popolo pienissino; del quale uscirono quatro fratelli, ed in compagnia d´uno signore el quale passo in questa Italia…. (Ttratatto e Istorie)

— Cavalcanti, Giovanni di Giovanni – historiador (1381- 1451) (G.C.)-

Trattato Politico Morale (edição “Trattato Politico-morale” of Giovanni Cavalcanti: 1381- c. 1451 – com introdução e notas de Marcella T. GrendlerA critical edition and interpretation, Travau d´ Humanisme e Renaissance, CXXXV, Genevre, Droz, 1973, paginas 104-106)

Istorie Fiorentine, vol. II – Firenze – Tipografia All insegne di Dante, 1838, p.455, apêndice, parágrafo 4)

Os Annales Laurissenses (anais da abadia de Lorch) documentos citados acima, afirmam também que o rei Carlos veio a “Corbonaeum villam “em 771 com “Wilcharius archiepiscopus e Folradus capellanus. Warinus et Adalhardus comitês.

(14) Fonte Franks: “Humilié dans sa dignité par les usurpations de biens de l’église de Vienne [5], Wilicarius abandonne son siège épiscopal pour se retirer au monastère d’Agaune [6], dont il prendra la direction”. Também  “Une note interpolée Du Liber Pontificalis [7] rapporte que le pape Grégoire III venerabilem virum Wilcharium partibus Franciae in civitate Vegenna [8] dato pallio archiepiscopum eum esse constituit”) .

(15) São Chrodogangus (Chrodegang ou Ruodgango, Chrodegang, Hruotgang, Ruodgango), nascido no começo do século VIII (c. 710/15 pela provável data de seu pai) foi  Bispo de Metz a partir de 742 ou 748 até sua morte. Falecido 06 de março 766. Mais tarde santificado. Referido nas fontes como um franco – filho do franco Sigramus e Landrada da família de Hesbaye, filha de Lampert II (Sigramus na ocasião ocupava o cargo de conde de Hesbaye, por ser genro de Lampert II). Chrodegang, certamente sofreu a influência materna dos Wido. Falava latim e alemão. Personalidade muito interessante – após a composição da família de Hesbaye pelo casamento de Routrude da família de Hesbaye com o ainda prefeito Carlos Martel (705) conseguiu manter, talvez com seu talento pessoal, prestígio político e religioso junto aos carolíngios que se estabeleciam no poder ainda nesta época. Foi educado na própria corte de Carlos Martel, seu secretário particular, chanceler, e em 737 primeiro-ministro. Em 1 de março 742 foi nomeado bispo de Metz mantendo, porem, suas responsabilidades de governo civil. Em 748, fundou a abadia de Gorze  (perto de Metz) e estabeleceu a Abadia de St. Peter na Moselle, muito fazendo para os mosteiros de Gengenbach e Lorsch. Para Lorsch, teria obtido as relíquias de São Nazarius, e para Gorze as de São Gorgonius que teriam sido trazidas como sabemos por Wilcharium. Em 753, após a queda final do merovíngio Childerico III, já bispo de Metz, Chrodegang talvez tenha perdido algum desprestigio político, mas ainda com grande prestigio religioso foi enviado por Pepino o Breve para o Papa Estevão II para assegurar-lhe a simpatia das leis francas contra as excursões destrutivas (inroads) de Aistulf, rei lombardo, tendo posteriormente acompanhado o papa até Pontiers. Em sua diocese, introduziu a liturgia romana e o canto, uma vida comunitária para o clero de sua catedral, e escreveu uma regra especial para eles, o Regula Canonicorum, mais tarde conhecida como Regra de Chrodegang. Foi santificado. (Fontes – para este levatamento familiar ainda referindo Herbermann, Charles, ed. (1913). “St. ChrodegangEnciclopédia Católica. New York: Robert Appleton. Ainda Inumeros documentos relativos a Chrodegang relacionados na fonte Franks)

(16) Ver levantamento biográfico de Robert I, dux de Hesbaye, já bem documentado em nosso artigo o artigo “A dinastia Wido e os Cavalcanti”, editado pela revista Athena do Porto, maio de 2019.

(17) Fonte Franks: “La Series episcoporum Viennensium de 1239 [16] indique que Sanctus Vilicarius, san Wilicardus, est mort un 14 avril”. Acrescentamos que ainda hoje a Diocese de Sion é uma diocese católica no cantão suíço do Valais].

(18) Devemos ressaltar que foram mantidas na fonte Frank as numerações relativas ás suas fontes primárias, algumas até já comentadas por vários estudiosos sobre a personalidade de Wilcharius – Estas fontes já foram bem analisadas, mas merecem ser ainda novamente percorridas para nova e sempre mais completa interpretação. Repetimos o texto completo da fonte Franks: “Successeur de l’évêque Austrobertus [2] sur le siège épiscopal de Vienne [3], Wilicarius [4] ramène infra urbem, où il leur construit une nouvelle église, les reliques des saints Ferreolus et Iulanus, les Sarrasins ayant incendié leur basilique citra Rhodanum. Humilié dans sa dignité par les usurpations de biens de l’église de Vienne [5], Wilicarius abandonne son siège épiscopal pour se retirer au monastère d’Agaune [6], dont il prendra la direction. Une note interpolée Du Liber Pontificalis [7] rapporte que le pape Grégoire III venerabilem virum Wilcharium partibus Franciae in civitate Vegenna [8] dato pallio archiepiscopum eum esse constituit [9]. En (? 762), ]Uuilliharius figure parmi les signataires de l’association de prières [10] conclue lors du synode d’Attign [11] comme episcopus [12] de monasterio sancti Maurici. Le 08 octobre 765 [13] Ayroenus donne à La turma Valdensis [14] de Saint-Maurice d’Agaune ubi Wilcariusepiscopus preesse videtur pontifex un bien situé à Taurniaco [15]. La Series episcoporum Viennensium de 1239 [16] indique que Sanctus Vilicarius, seu Wilicardus, est mort un 14 avril. L’identification souvent proposée [17] de l’évêque de Vienne/abbé d’Agaune et de l’évêque homonyme de Sens/archevêque des Gaules ne semble pas devoir être retenue [18]. La Chronique de Lorsch du XIIe siècle [19] rapporte que, l’évêque  Chrodegangus de Metz ayant  prié Paul Ier de lui procurer quelques reliques, le pape lui fait parvenir celles des saints Nazarius, Nabor et Gorgonius par l’intermédiaire dem Williharium sedunensem episcopum [20] qui les dépose au monastère de Gorze le 15 mai 765 [21]. Début décembre 771[22], à la mort du roi Carloman [23], Wilcharius archiepiscopus [24] et Folradus capellanus [25] cum aliis episcopis ac sacerdotibus, Warinus et Adalhardus comites cum aliis primatibus, qui fuerunt Carlomanni, se rendent à Corbeny [26] auprès de Charlemagne pour le reconnaître comme leur souverain”.

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Rosa Maria Sampaio Torres – pesquisadora em História (PUC-Rio), é também graduada em Estudos Sociais e pós-graduada em Ciências Políticas. Aluna do filósofo brasileiro Carlos Henrique Escobar acabou por desenvolver, também, seus dotes artísticos – especialmente como poeta, autora do livro “Bendita Palavra”. Já reconhecida como ensaísta, é autora de inúmeros artigos históricos sobre a família Cavalcanti, da qual descende, e agora sobre o poeta Guido Cavalcanti.