ADN – poema de Alda Costa Fontes & telas de Aldina Santos

 

Tela de Aldina Santos

E se eu te disser
Que o caminho não foi fácil
Que a estrada era longa
E a bússola se perdeu

Desorientei-me vezes sem conta
Na floresta densa de medos
E labirínticos canaviais

Mas sabia
Que era a sul que rumaria
No sentido contrário ao mapa
Que me foi pensado e dado
Onde um dia encontraria o mar

E com ele

…..o verde infinito dos teus olhos
O azul do Atlântico ou Pacífico

Que curaria todas as feridas
Todos os golpes e partidas

Mas finalmente
a vontade e o querer
Alimentaram minha força

E não houve temporais
Capazes de me derrubar

Cheguei

hirta, forte e inabalável
E para espanto dos demónios

Aqui estou
Finalmente a teu lado,
Em linha reta

Junto de todos os devotos da coragem
e persistência.

A resiliência como rosto
Atravessei pântanos e oceanos
mesmo sem saber nadar

E tu
Dá a mão ao teu irmão.

Ainda que penses que não,
há ódios desprezíveis
Como amores indizíveis
Mas também forças invisíveis
e
desistir não é palavra
Por isso chegaste lá

Onde o azul te acolheu de braços dados e abertos
E escolheu teu rosto para bandeira
Numa tela pintada em vela
Por artistas não banais.

E é assim

Que eu me revejo nesta estrada
Navegando contra as marés
Usando astrolábios improvisados.

Se a bússola se perder

Comigo
Estará a certeza de que desistir não é caminho
E que os passos do meu
É Trilho feito para mais.

Porque

A vida não é pequena e a alma vale a pena
De levar até ao fim…

Tela de Aldina Santos

♦♦♦

Alda Costa Fontes – Com ADN transmontano, dona de um coração que é um pátio aberto a toda a gente que não seja cega e, há 25 anos, tripeira por adoção.
Magistrada do Ministério Público/ natural de Nuzedo de Baixo/ Vinhais, onde nasceu em 1968.

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