
A POLIESTÉTICA EM “PORTO DO PANTANAL” DE SÉRGIO MEDEIROS
Sérgio Medeiros é um poeta que nos surpreende positivamente a cada lançamento. Dono de uma dicção própria, com “Porto do Pantanal” (Iluminuras, 2025) alcança mais um êxito na sua já considerável trajetória de poeta. Remetemos no título acima a “poliestética”, que é um conceito diverso de “poliestilística”, sendo, no circuito desta última, grandes representantes no Século XX os compositores Luciano Berio (1925-2003) e Alfred Schnittke (1934-1998). Por muitos estilos se entende as diferentes formas de coabitar uma arte numa obra. Por várias estéticas podemos compreender a interpenetração em uma obra de múltiplas manifestações artísticas.
Em seu último livro, Medeiros converge poesia, desenho e música. À primeira vista, apenas o texto (poesia) e o glifo (desenho) fariam parte da obra. Mas trata-se de uma visada apressada, reducionista. Assim, os poemas, por seu efeito de consonância e dissonância, geram um efeito musical. Além disso, o discurso entrecortado por pausas e silêncios, com quebras através do uso de travessões e reticências, afetam a percepção do texto. Se, por um lado ele é vago e complexo, por outro, é melódico e instigante. Já os desenhos possuem relação explícita com os poemas, porém, não são apenas “comentários” estéticos. São como irmãos gêmeos, que apesar de ter uma vida própria, possuem semelhanças e genealogias em comum. Continuar a ler “RESENHA DE “PORTO DO PANTANAL” DE SÉRGIO MEDEIROS – por Henrique Duarte Neto”



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