A CAUSA PROFUNDA DA POLARIZAÇÃO- por Francisco Traverso Fuchs

Um dos efeitos da polarização política é a depreciação mútua.

 

Não há explicação simples para a polarização política e ideológica que consome a vida de tanta gente, no Brasil e lá fora. Vários são os fatores geralmente apontados como causas desse fenômeno: o crescimento do populismo, seja ele de esquerda ou de direita; a clausura das bolhas nas redes sociais e na mídia, incentivada por algoritmos que visam o engajamento e não o diálogo; o declínio da confiança nas instituições, inclusive educacionais, a partir da percepção de que foram capturadas por interesses alheios às suas finalidades.

No plano afetivo, a polarização se traduz no ódio recíproco e na depreciação mútua, ou seja, na divisão da sociedade em campos opostos e aparentemente irreconciliáveis: ela faz com que correntes políticas adversárias sejam vistas não como grupos legítimos de pessoas que professam opiniões diversas das nossas, mas como ameaças existenciais. A convicção de superioridade moral no interior de cada grupo e o temor face ao outro não são sem consequências: eles nos aproximam cada vez mais de um cenário em que a temida ameaça existencial deixa de ser um perigo meramente imaginário; alimentado de lado a lado pela arrogância e pelo medo, o monstro que acreditávamos esconder-se debaixo da cama toma forma e se torna real. Assim, a consequência mais perigosa da polarização é o progressivo acirramento, em cada grupo, de uma tendência ao extermínio do grupo oposto, seja em termos noéticos (censura), seja em termos literais (linchamento, guerra civil). Continuar a ler “A CAUSA PROFUNDA DA POLARIZAÇÃO- por Francisco Traverso Fuchs”

EDITORIAL – OS DESCAMINHOS DO PENSAMENTO – por Francisco Traverso Fuchs

 

Henri Bergson

“I would rather have questions that can’t be answered than answers that can’t be questioned.”

Richard Feynman

O que é pensar? Como responder, sem afetação e sem aduzir enigmas, uma pergunta que gerou e continuará gerando intermináveis questionamentos? Pensar é estabelecer (e resolver) problemas. Porém mesmo esta resposta simples, ou aparentemente simples, oculta um abismo de complexidade. O que diríamos, por exemplo, se descobríssemos que estabelecer e resolver um problema não é uma atividade puramente intelectual, mas envolve toda uma dimensão afetiva? E se chegássemos a descobrir que o problema é uma virtualidade inesgotável que exprime a dimensão ontológica do pensamento? Continuar a ler “EDITORIAL – OS DESCAMINHOS DO PENSAMENTO – por Francisco Traverso Fuchs”