A POESIA ESTÁ COM REFLUXOS, por A. da Silva O.

O silêncio abandonado
Amores futuros são passado
Ai deus o é

Nos subúrbios cheira sempre a crime passional
Praticado no centro histórico
Marido e mulher traficam sexo à mão armada

Ai deus o é

Uma chuva de diagnósticos
Uma tempestade num diagnóstico
Um diagnóstico a boiar num cadáver esquisito
De nenhures até ao acaso
O observado ao espelho faz reflectir o quotidiano
A paixão foi hoje enterrar mais um ente querido
As lágrimas caem dentro do pote das cinzas
Decote provocante da viúva
Ai deus o é
Uma desgraça semi nua e malfodida da cabeça aos pés
Perante o Sagrado
És um desgraçado

Pela porta do cadáver
Ai deus o é
Amigo
Então, problemas de coração?
Partido
Aí deus é meu amigo

Deus é o
Diz adeus
À sua fé

Perante o Sagrado
É um desgraçado

♦♦♦

a. dasilva o., 1958, poeta e editor em extinção. Da vasta obra, basta destacar as publicações: Poeta bom é poeta morto-vivo, Ed. Mortas, 2020; Canção Inóspita, Eufeme, 2020; FOIOQUEUDISSE; Diários Falsos de Fernando Pessoa, Ed. Mortas, 1998; Correspondência Amorosa Entre Salazar e Marilyn Monroe, Ed. Mortas, 1997. Criou e editou várias revistas como: Arte Neo e a revista Filha da Puta. Criou e realizou em dose dupla As Conferências do Inferno; Os Encontros com o Maldito em colaboração com o grupo de teatro Contracena. Co-fundou e dirigiu a Rádio Caos onde realizou entre outros programas: A. Dasilva O. Fala ao País. Edita actualmente a revista Estúpida.

TRÊS POEMAS – por A. Dasilva O.

O caso português

Somos um povo
com um nó na garganta
quando pega em armas
é para se suicidar

♣♣♣

O caminho da água das pedras

Tudo começou com um amor à primeira vista
trocado entre Eva e Adão numa casa de pasto
Tasco do Paraíso numa noite de fado vadio

Abraçados entre juras de amor impossível
foram para o ninho de amor fazer o Livro
Às cinco pancadas
Numa guilhotina

♣♣♣

Um papagaio refractário

Tirei o assassino que há em mim
ao sol pendurei-o com uma corda ao pescoço
de tão contente
começou a declamar

No alto da ignorância
Sou uma criança
Lucida

♦♦♦

a. dasilva o., 1958, poeta e editor em extinção. Da vasta obra, basta destacar as publicações: Poeta bom é poeta morto-vivo, Ed. Mortas, 2020; Canção Inóspita, Eufeme, 2020; FOIOQUEUDISSE; Diários Falsos de Fernando Pessoa, Ed. Mortas, 1998; Correspondência Amorosa Entre Salazar e Marilyn Monroe, Ed. Mortas, 1997. Criou e editou várias revistas como: Arte Neo e a revista Filha da Puta. Criou e realizou em dose dupla As Conferências do Inferno; Os Encontros com o Maldito em colaboração com o grupo de teatro Contracena. Co-fundou e dirigiu a Rádio Caos onde realizou entre outros programas: A. Dasilva O. Fala ao País. Edita actualmente a revista Estúpida.

OUTONO E OUTROS POEMAS – por A. Dasilva O.

Outono

Faz com que os poemas
saiam do cimo das árvores
As gralhas não perdoam Continuar a ler “OUTONO E OUTROS POEMAS – por A. Dasilva O.”

A POESIA DE A. DA SILVA O.

 

Quando me falam em capitalismo saco logo do porta-aviões, diz Piropos em modo de voo


Um animal de palco
ferido de morte

Ao actor tudo é possível
Aparecer em cena depois do pano da vida cair
Mas nunca sai como entra,
dilu Ente

Continuar a ler “A POESIA DE A. DA SILVA O.”

O MAIOR POETA VIVO – por A. Dasilva O.

Imagem de a. dasilva o.

Deambulo no quotidiano
Como um cadáver no seu túmulo

Leio poemas impossíveis
Como um analfabeto
O jornal diário Continuar a ler “O MAIOR POETA VIVO – por A. Dasilva O.”