Surrealismo é a palavra mágica do século.
César Moro
Ao começar a preparar este dossiê me veio à tona uma indagação que não quero deixar por menos: como seguir uma ortodoxia que postula a liberdade total? Em conversa com Zuca Sardan, ele me diz: A liberdade total é não tentares impor tuas ideias na cabeça dos outros. E seres um toureiro na finta aos donos da verdade. Deixe os dois ouvidos abertos e alertas. Um para deixar as palavras entrar, e outro para deixar as mesmas palavras sair. No caudal das palavras que chegam, haverá talvez uma ou duas raras pepitas. Guarda-as, mas não digas nada ao orador. Este sentido de liberdade não faltou ao Surrealismo, embora tenha sim faltado a seu regente, André Breton. Não tanto pela imposição da própria palavra, mas antes pela surdez em relação a muitas palavras (aqui incluindo todas as palavras de quaisquer outros idiomas que não o francês). Ato praticamente isolado, embora tenha causado imenso tumulto na formação original do grupo, sobretudo em face de suas indevidas expulsões. Não afetou, por outro lado, a expansão do movimento e sua vazante mágica de viagens por todo o planeta. Continuar a ler “DOSSIÊ A CARGO DE FLORIANO MARTINS – “Surrealismo a palavra mágica do século XX””















Poética e plástica, no brasileiro Zuca Sardan (1933), são como as duas asas que garantem o voo e seus inesgotáveis truques no espaço. Este invejável enfant terrible propicia ao leitor altíssima voltagem de sátira bem ao gosto do Colégio de Patafísica de Alfred Jarry. 



O galês John Welson (1953) é um desses personagens admiráveis por sua incondicional obsessão pela criação. Desde a infância que se dedica à pintura, ao desenho, à cerâmica e logo dando início também à escritura poética. Resultado dessa voracidade criativa é que tem em sua agenda um registro de mais de 300 participações em exposições em vários países. Nas últimas décadas produziu um abstracionismo lírico cuja ótica central é a paisagem de sua terra natal, o País de Gales. 
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