Da Lassidão à Mansuetude
– Dois Umbrais do Caminho para a Sabedoria
Há dias, revi o documentário disponível no Youtube sobre Byung-Chul Han — aquele filósofo coreano que, com a lucidez de quem lê os sintomas da alma contemporânea como um clínico do espírito, descreveu a nossa era não como a da repressão, mas do cansaço. Não do cansaço físico, mas do cansaço que nasce da obrigação constante de nos superarmos, de otimizarmos cada instante, de transformarmos a vida numa performance ininterrupta de produtividade e visibilidade.
O seu pequeno livro Sociedade do Cansaço — que recomendo com urgência a quem sente o peso invisível do “ter de ser sempre mais” — é um diagnóstico cirúrgico da nossa exaustão psíquica: vivemos não sob o jugo do outro, mas sob a tirania de nós mesmos. Ao fechar o livro e ao terminar o vídeo, olhei à volta: nas ruas, nas filas do supermercado, nas videochamadas, nos próprios olhos dos que amo — vejo rostos esvaziados. Não tristes, nem sequer deprimidos, mas cansados: apáticos, crispados, nervosos, por vezes furiosos, como se a raiva fosse o último sopro antes do colapso. É nesse cenário de fadiga existencial que a sabedoria antiga — tão contracorrente como necessária — nos chama de volta a dois estados aparentemente passivos, mas profundamente revolucionários: a lassidão e a mansuetude. Continuar a ler “DA LASSIDÃO À MANSUETUDE (……) – por José Paulo Santos”




You must be logged in to post a comment.