TECNOLOGIA, EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA – por João Pedro Vidal

Hoje em dia, muita gente acha que sabe muito sobre o mundo e sobre as coisas só porque vê coisas nas redes sociais. É nelas que se concentra um dos maiores fluxos de comunicação e disseminação de informação, o que é fantástico, mas também aterrador. Aquele hábito de pesquisar ativamente, que se verificava nos primeiros tempos da internet, praticamente desapareceu. Em vez disso, a internet tornou-se um espaço de consumo, onde os utilizadores consomem só o que os algoritmos decidem mostrar. Muitas vezes, sem se aperceberem, cedem a autoridade sobre o que é verdadeiro ou relevante ao que aparece no ecrã. Agora, é normal as pessoas terem uma opinião, por mais disparatada que seja. Toda a gente se sente confiante para dar a sua opinião. O problema surge quando aquilo que deveria ser encarado como uma opinião pessoal e subjetiva, como um saber informal ao que os gregos chamavam doxa, é agora adotado como conhecimento rigoroso, verdadeiro e objetivo. Esta distorção séria do conhecimento ganha força numa época em que a verdade é cada vez mais relativa. Vivemos tempos em que a objetividade está a ser destruída pela tirania narcisista da subjetividade. Antigamente, as pessoas debatiam de forma racional, mas agora parece que só interessa o barulho. A opinião de um influencer parece valer mais do que a de um perito, não porque é mais verdadeira, mas porque chega a mais pessoas. Neste novo sistema, o valor de uma opinião não depende de ser coerente ou adequada à realidade, mas da capacidade dissuasora do comunicador. Continuar a ler “TECNOLOGIA, EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA – por João Pedro Vidal”