VIRANDO HH E ANA C DO AVESSO – por Danyel Guerra

 

A OBSCENA SENHORA HH

 Hilda Hilst
Já a vist?
Já a ouvist?
Em que consist?

Hilda Hilst pensa
e logo exist, insist,
persist, sempre tensa

Ela só por chist
bebe um alpist*
dança twist
e não desist.

De punhete em rist,
Hilda sempre resist.
Com toda a bravura
Golpeia o mundo trist
da light literatortura,
essa droga dita dura
que nos causa tontura.

Tua Lori Lamby com furor
aquela Obscena Senhora
e as Cartas de um Sedutor
que depressa foi embora.

Hilda Hiiiilstérica,
Love game com o Vinicius.
Hilda Hooomérica,
Espreitando os orifícius.

Tu te insurgist
Tu investist
Tu sorrist
Tu até rist
Grande Hilda Hilst!

*aguardente de cana, cachaça

♣♣♣

ÉS O AVESSO DO AVESSO DO AVESSO**

Eis-me, Ana C ***, a teus pés!
Sem mitenes nos dedos
enfrento qualquer revés
espanto todos os medos,
até… aquele olhar de viés,
para guardar teus segredos.

Pouso a mão no teu peito.
A ti me mostro afeito.

Abro curioso teu sétimo céu,
afastando de leve as cortinas.
Levantando teu diáfano véu
vislumbro oblíquas Cristinas.

Minha boca também está seca
deste ar seco do Cerrado, descerrado.
E bebo copos de leite de colônia
para despertar noites de insônia.

A poesia que em ti geraste,
Nunca terá o travo do fugaz,
como o do gás que asfixiou
Sylvia Plath e Torquato Neto.

Tu que ousaste não esperar
pelo anjo que extermina a dor.
O Anjo Exterminador de Pasolini,
El Angel Exterminador de Buñuel.

Tu que te viraste e reviraste,
despindo as luvas de pelica,
sabias que virar do avesso
é,… coisa que não se explica,
uma experiência imortal.

** alusão ao verso da canção ‘Sampa’, de Caetano Veloso, incluída no          álbum’Muito (Dentro da Estrada Azulada), 1978. Nesse tema,
Velô tributa a poesia concreta dos irmãos de Campos (Augusto e Haroldo) e Décio Pignatari: “Da dura poesia concreta de tuas esquinas”.

** codinome de Ana Cristina Cesar, poetisa brasileira Continuar a ler “VIRANDO HH E ANA C DO AVESSO – por Danyel Guerra”